Sim. Os anticoncepcionais podem causar infarto, acidente vascular cerebral (derrame) e trombose venosa profunda. Esse risco está relacionado a 3 fatores principais: à dose dos hormônios (estrogênio e progestogênio) contidos na composição do anticoncepcional, à idade da mulher e aos fatores de risco a que ela está exposta. Em relação à dose, os anticoncepcionais mais antigos continham doses mais elevadas de estrogênio (acima de 50 µg), já os mais modernos contêm doses menores (15 a 50 µg). Esses novos anticoncepcionais foram desenvolvidos para minimizar os riscos cardiovasculares. Sabe-se que o risco é maior nas mulheres com idade ≥ 35 anos e nas portadoras de fatores de risco cardiovascular, tais como tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial, obesidade, antecedente de doença cardíaca, acidente vascular cerebral ou tromboses. Nesses casos, outras formas de contracepção devem ser preferidas.
Dentre os fatores de risco, é importante destacar o risco ao qual estão expostas as mulheres fumantes que usam anticoncepcionais. Um estudo americano realizado em 75 centros com duração de 14 anos demonstrou um aumento de 30 vezes na ocorrência de infarto agudo do miocárdio entre as mulheres que fumavam 25 cigarros ao dia ou mais e que tomavam anticoncepcionais de baixa dosagem (teoricamente mais seguros).
O uso de anticoncepcionais aumenta ainda em 2 a 3 vezes a chance de a mulher desenvolver hipertensão arterial. Por isso, a pressão arterial deve ser verificada pelo menos uma vez ao ano durante seu uso e, ao detectar elevação da pressão arterial, o médico deverá ser contatado para mudança no tipo de contraceptivo prescrito.
Para mulheres mais jovens e sem os fatores de risco cardiovascular citados, a chance de ocorrerem complicações cardiovasculares é considerada baixa.