O que você precisa saber

Ventilação Mecânica

O que significa respirar por aparelhos?

A respiração natural dos animais serve para captar oxigênio da atmosfera pelo pulmão e transferi-lo para o sangue, que o transporta para todas as células do corpo. Sem oxigênio, as células não conseguem alcançar seus objetivos metabólicos e entram em falência. Também, a respiração é muito importante para eliminar o gás carbônico que o sangue traz dos tecidos para o pulmão. O acúmulo de gás carbônico no sangue acarreta várias alterações no equilíbrio ácido-básico do corpo humano.

Diversas doenças, pulmonares ou não, quando em estado grave podem causar falência pulmonar e impossibilitar a respiração. Essa é uma situação que requer tratamento urgente, pois há um alto risco de complicações e morte.

Habitualmente, doenças de base pulmonar, como a pneumonia, bronquite crônica, asma, doença pulmonar obstrutiva, fibrose pulmonar entre outras, causam insuficiência respiratória quando ficam muito graves. Entretanto, outras doenças não pulmonares, como infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, trauma, queimadura, complicações cirúrgicas diversas, intoxicações, transplantes, enfim, quase todas as doenças graves, podem causar insuficiência respiratória.

Independente da causa, alguns sinais são clássicos para definir a insuficiência respiratória. A sensação de “falta de ar”, frequência respiratória alta, esforço respiratório, chiado no peito, queda da oxigenação do sangue (saturação da hemoglobina) e sonolência são alguns dos sinais que sugerem a evolução de uma situação de emergência respiratória.

Nos quadros graves de insuficiência respiratória, o tratamento visa a oferecer ao paciente um auxílio mecânico para respirar, ou inflar os pulmões. Há dois tipos de ventilação mecânica, a não-invasiva e a invasiva (clássica).

Na ventilação mecânica não-invasiva, o paciente usa uma máscara hermeticamente adaptada ao rosto, sem fuga de ar, ligada a uma máquina que gera um fluxo de ar pela máscara. Essa máquina é bastante útil, mas limitada na sua capacidade de oferecer o conforto mecânico e a quantidade de oxigênio necessária para o paciente. A ventilação não-invasiva geralmente é bem tolerada pelo paciente, precisando, por vezes, de um calmante (sedação) leve e o mesmo é mantido acordado. Quando o paciente não tolera o uso de ventilação não-invasiva, por gravidade do caso ou por não adaptação ao método, a ventilação invasiva pode ser indicada.

A ventilação invasiva, por sua vez, necessita que o paciente seja “entubado”. A entubação consiste na colocação e fixação de um tubo dentro da traquéia do paciente (canal que liga a garganta ao pulmão) para que a máquina de respiração seja conectada. No processo de entubação, um médico experiente e habilitado (intensivista ou anestesista) deve sedar o paciente para que o mesmo permaneça confortável e inconsciente durante o procedimento. O procedimento não é isento de riscos, mas costuma ser bastante efetivo. A decisão pela “entubação” e início da ventilação mecânica deve ser tomada no melhor momento, nem cedo demais, nem tarde e em situações de extrema urgência.

Depois de corretamente “entubado”, uma máquina de respiração artificial é conectada ao tubo traqueal. Essa máquina é geralmente muito sofisticada e diversas modalidades de respiração podem ser programadas. O respirador artificial pode ser regulado na sua quantidade de oxigênio ofertada ao paciente (de 21% a 100%), na pressão com que o ar é insuflado nos pulmões, no tempo de expiração desse ar, na frequência dos ciclos respiratórios e seu tempo de duração, na pressão final mantida na expiração, e em diversos outros arranjos, dependendo de cada caso.

Os profissionais que regulam o respirador e avaliam a adequação da respiração continuamente (nas 24 horas do dia) são os médicos intensivistas, os fisioterapeutas e os enfermeiros.

Uma série de padrões de qualidade do tratamento com o respirador é checada continuamente. Além da regulagem do aparelho, exames de sangue, radiografias, tomografia, exame físico e monitorização cardíaca são avaliados frequentemente para garantir qualidade do tratamento.

Durante o período de tratamento com o respirador mecânico, o paciente deve estar confortável. Como o tubo traqueal é um fator claro de desconforto, o paciente deve receber algum grau de sedação. O objetivo é manter o paciente sem dor, calmo, sem “brigar” contra o respirador. Vários medicamentos podem ser usados para sedar o paciente. Opta-se, geralmente, por uma associação de 2 ou 3 medicamentos que agem sinergicamente em doses baixas, evitando ao máximo os seus possíveis efeitos colaterais.

Conforme o paciente apresenta melhora da sua doença de base e melhora pulmonar, pode ser candidato a retirada do respirador mecânico. O processo de retirada do respirador mecânico do paciente é chamado de “desmame”. Esse nome é providencial, já que o paciente vai precisando cada vez menos do respirador conforme sua doença melhora. Quando o médico intensivista conclui que há indicação de tentar a retirada do respirador e o retorno à respiração natural (nunca há certeza do resultado, somente critérios para a tentativa) um protocolo de “desmame” é iniciado pela equipe. Se todos os profissionais estiverem de acordo (médicos, fisioterapeutas e enfermeiros), os medicamentos de sedação do paciente são suspensos (mantidos os analgésicos) e se observa o “despertar” desse paciente. Conforme o paciente vai despertando (esse tempo é muito variável) e os parâmetros respiratórios estejam de acordo com o protocolo de desmame, os médicos podem decidir pela retirada do tubo traqueal e observar a respiração espontânea do paciente.

Após a retirada do tubo traqueal e do respirador mecânico, o paciente fica em observação cuidadosa da função respiratória, já que há o risco de “falência de extubação” e necessidade de retorno ao respirador mecânico.

A UTI do Einstein possui aparelhos de ventilação não-invasiva e invasiva (clássica) modernos. A competência da equipe médica e do grupo de suporte respiratório (responsável pela manutenção da alta qualidade do tratamento), aliado a um grupo grande de fisioterapeutas respiratórios especializados e enfermagem treinada, vem mantendo a UTI do Einstein no padrão internacional de excelência em ventilação mecânica.

Fonte: Dr. Gustavo Büchele

Publicado em julho de 2012

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Publicado em 01/08/2012


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