Com a possibilidade das cirurgias para auxiliar no tratamento da obesidade na década de 80 e com o advento da vídeolaparoscopia, o progresso se instaurou e trouxe novas técnicas mais seguras e de rápida recuperação.
A cirurgia bariátrica funciona por meio de mecanismos de restrição (diminuição da quantidade de alimentos ingeridos) e de disabsorção (redução da absorção de nutrientes).
Desta forma, o tratamento cirúrgico pode ser classificado em 3 tipos:
Misto - Predominantemente Restritivo
Técnica cirurgica: Derivação Gástrica em Y de Roux.
A Derivação Gástrica em Y de Roux é a técnica mais empregada no mundo - cerca de 80% das gastroplastias segundo a American Society for Metabolic & Bariatric Surgery (ASMBS). E também é a principal técnica do programa do Centro de Cirurgia da Obesidade Einstein (CCOE), por apresentar ótimos resultados, com boa qualidade de vida.
Primeiramente, por meio de um grampeador, o estômago é dividido em duas partes, limitando a quantidade de alimento que pode ser ingerida. O segmento inicial, do tamanho de uma xícara de café, é ligado diretamente ao intestino, que também foi seccionado em sua porção inicial. O segmento restante, formado pelo estômago, duodeno e início do intestino delgado é unido lateralmente ao próprio intestino, formando o Y. Dessa forma, o alimento passa por pequeno segmento de estômago e então vai diretamente para o intestino sem ter sofrido a fase inicial da digestão.
Essas alterações promovem aumento de hormônios intestinais que produzem a sensação de saciedade, além de auxiliarem no controle do diabetes mellitus tipo 2. Cria-se também um estreitamento na passagem do pequeno estômago ao intestino, para promover um esvaziamento mais lento.
A diminuição da absorção de vitaminas e minerais vai necessitar reposição e monitoramento por toda a vida.
O resultado quanto à perda de peso em médio e longo prazos são bons, às custas de baixo índice de complicações cirúrgicas e nutricionais.
O risco é o mesmo de qualquer outra cirurgia de médio porte, mas existe e deve ser considerado, principalmente porque o obeso, normalmente, já possui alterações respiratórias, circulatórias e cardíacas. Deiscência (abertura) dos grampos ou das anastomoses (emendas) pode ocorrer, mas é pouco comum, podendo levar o paciente a uma nova cirurgia. Embolia pulmonar (sangue coagulado nos pulmões) é rara com a prevenção adequada e a mortalidade é menor que 0,3% em centros especializados.
Misto - Predominantemente Disabsortivo
Técnicas cirurgicas: Derivações Bileopancreáticas (Scopinaro, Duodenal Switch).
A técnica de Scopinaro consiste na retirada dos 2/3 distais do estômago (o estômago é cortado transversalmente), seguida da costura do 1/3 proximal remanescente do estômago com o intestino dividido em forma de “Y”, de maneira que o alimento ingerido só entra em contato com o suco biliar e pancreático, nos 50 a 100 cm finais do intestino delgado.
O Duodenal Switch é uma técnica cirúrgica parecida com a de Scopinaro, apresentando como diferença apenas na maneira de cortar o estômago (o estômago é cortado longitudinalmente) e pelo fato de preservar o piloro (válvula que controla o esvaziamento do estômago).
Estas cirurgias possibilitam uma perda de peso maior que as outras e tem maior impacto sobre as alterações metabólicas da obesidade; entretanto requerem um acompanhamento clínico-nutricional mais rigoroso, pela diminuição da absorção de nutrientes e vitaminas.
Restritivo
Técnicas cirúrgicas: Banda Gástrica Ajustável, Cirurgia de Mason e Gastrectomia Vertical.
A técnica de Mason e banda gástrica não mais utilizadas pelo CCOE, devido aos melhores resultados obtidos com a gastrectomia vertical. Esta técnica foi utilizada inicialmente como primeira etapa das cirurgias disabsortivas e consiste na redução do tamanho do estômago para 1/5 da sua capacidade.
Atualizada em março/2010