O Parto

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Puerpério (pós-parto)

Logo após o parto, o corpo feminino precisa de um tempo para se recuperar. É uma fase delicada emocionalmente para a mulher. O ginecologista do Einstein Dr. Eduardo Vieira da Motta escreve sobre esse momento e como lidar com as mudanças

Puerperio

O período de seis a oito semanas após o parto é conhecido como puerpério. Nesse período o corpo da mulher irá se recuperar das mudanças que ocorreram durante a gestação e o parto, além de desenvolver a capacidade de produzir leite. Trata-se de um momento emocionalmente delicado frente à necessidade de cuidar do bebê, em que o receio do novo pode causar insegurança. Daí a necessidade de compreensão e apoio do companheiro e da família.

Após o parto, o útero vai se contrair para ajudar no controle do sangramento decorrente da saída da placenta. Nos primeiros dias, esse sangramento será pouco mais intenso que uma menstruação e, progressivamente, vai reduzir até ficar algo semelhante a um corrimento por até 40 dias. As contrações do útero serão percebidas como cólicas, de leve intensidade, mais evidentes no momento da amamentação. As mamas aumentam de volume, ficam ingurgitadas, como parte do processo de produção do leite. O maior volume das mamas pode ser desconfortável e haver sensação de febre e calafrios, o que é chamado de “febre do leite”. A adequada orientação da amamentação permite controlar estes sintomas e permitir a alimentação do recém-nascido.

No hospital

Após o parto, tanto cesárea quanto vaginal, há necessidade de observação mais atenta do sangramento e da contração do útero. Um sangramento mais intenso e que se mantenha por período prolongado necessita avaliação médica e de uso de medicamentos. Sempre que possível, recomenda-se alimentação leve e hidratação para auxiliar a mãe a recuperar-se dos esforços do parto. Quando tiver sido utilizada anestesia, a orientação para levantar-se deve ser feita pela equipe médica e com a assistência da enfermagem. Independentemente do tipo de parto, sempre há perda de sangue, o que pode causar quedas de pressão arterial e sensação de tontura nos primeiros dias.

Existem diversos tipos de analgésicos que podem ser utilizados no pós-parto e durante a amamentação. A escolha destes será realizada em função do tipo de parto e das necessidades de cada paciente. É comum que haja aumento do edema (inchaço) das pernas nos primeiros dias que se seguem ao parto, o que pode ser controlado com meias-elásticas e drenagem linfática.

Não apenas pelo esforço relacionado ao parto, mas também pela necessidade de adaptação à nova condição de mãe, é importante que se controle o número de visitas hospitalares para se preservar este momento íntimo e particular.

Alimentação

A mãe deve optar por alimentos leves e de fácil digestão, com ingestão de líquidos para ajudar na produção do leite. A necessidade de reposição da perda de sangue, o processo de cicatrização e a amamentação implicam no consumo de proteínas de boa qualidade e carboidratos complexos. Excesso de gordura e de açúcar não é benéfico, e está relacionado ao desenvolvimento de cólicas no bebê.

A obstipação intestinal, comum durante a gestação, pode se acentuar nos primeiros dias depois do parto graças às modificações físicas, além da dor na região do períneo e pelo receio de que os pontos se abram durante esforço para eliminar as fezes. Hidratação adequada, dieta rica em fibras, vegetais e frutas - como mamão e ameixa - auxiliam no retorno das funções intestinais. A formação de gases pode ser controlada com medicamentos, assim como podem ser utilizados laxativos, como a médico avalie a necessidade.

Também se houver necessidade, a equipe médica orientará a suplementação com complementos vitamínicos.

Cuidados pessoais

Nos partos vaginais, especialmente quando tiver sido realizada a episiotomia - aquele “corte” no períneo -, são importantes os cuidados locais de higiene. Dor e ardência são comuns e podem ser controladas com aplicação de compressas ou bolsas térmicas frias. Também nos partos vaginais, o aparecimento de hemorróidas é possível e deve-se cuidar para que o intestino funcione sem esforço e a higiene anal se realize com cuidado, de preferência por meio do uso de água com ducha higiênica e não apenas papel higiênico. Medicamentos específicos podem ser aplicados sob orientação da equipe médica.

Na cesárea, os cuidados com a cicatriz serão orientados conforme o tipo de curativo indicado. Também é possível aplicar frio local nos casos de dor e edema.

Em decorrência do sangramento pós-parto, haverá necessidade do uso de absorventes higiênicos. Como o tempo de uso poderá ser de algumas semanas, é possível que aconteçam irritações na pele, que podem ser controladas com cremes dermatológicos emolientes.

O banho no chuveiro não apresenta restrição, enquanto os banhos de imersão devem ser evitados nos primeiros dias, especialmente quando houver feridas operatórias, como em cesárea ou episiotomia. Não há restrição para lavar cabelo. Cuidados específicos para curativos serão orientados pela equipe de enfermagem.

Atividade física

Nos primeiros momentos após o parto, a orientação é para movimentação das pernas e pés, no sentido de se evitar trombose, complicação pouco frequente, mas importante. O ideal é a realização de movimentos de flexão e extensão dos pés e pernas. Especialmente após parto vaginal, é importante realizar exercícios com os músculos da bacia. Esta musculatura foi distendida e realizou esforço para a realização do parto. Sua recuperação é importante para prevenir prolapsos genitais, que é a queda ou saída de um órgão de sua posição normal.

Estes exercícios são conhecidos como Kegel e são realizados por meio da contração dos glúteos à maneira como se interromperia o ato de micção. Atividade física geral, com pequenas caminhadas, exercícios aeróbicos e musculação, poderão ser iniciados progressivamente à medida que a mulher se adapte à sua nova realidade de horários e necessidades. O mais importante, no primeiro mês, é manter a amamentação e o descanso pelos intervalos curtos de repouso.

Atividade sexual

Fisicamente, o processo cicatricial demanda cerca de 30 dias e este prazo deve ser respeitado, sem atividade sexual, para se evitar dor e comprometimento das cicatrizes. Além disto, os níveis hormonais mais baixos determinam menor lubrificação vaginal e baixa libido, assim como o cansaço físico das atividades maternas.

Desta forma, o reinício da vida sexual deverá ser realizado com cuidado e no momento em que a mulher acreditar ser apropriado. O uso de lubrificantes íntimos poderá ser necessário. Apesar de o aleitamento materno reduzir a fertilidade é possível engravidar neste período. Assim, é recomendável a utilização de método contraceptivo, conforme a orientação do médico. Dr. Eduardo Vieira da Motta, ginecologista do Einstein

Publicado em outubro/2012

Publicado em 14/08/2012


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