Apoio e Orientação aos Pacientes

Apoio e orientação aos pacientes

Os primeiros passos

O que acontece na primeira consulta com o médico

Pacientes com câncer procuram o médico em um contexto de intensa ansiedade na primeira visita, em geral acompanhados por familiares igualmente ansiosos. O diagnóstico recente de câncer, ou a perspectiva de vir a ter um diagnóstico de câncer, é suficiente para trazer insegurança e sofrimento.

A primeira consulta tem por objetivo permitir ao paciente e sua família estabelecer um vínculo com o médico e, ao mesmo tempo, fornecer a este profissional as informações importantes que são coletadas durante a conversa e exame do doente. Este momento serve também para que o médico possa analisar exames que o paciente porventura já tenha feito. No contexto de ansiedade desta primeira consulta, dificilmente o paciente consegue reter muitas informações sobre a doença e seu tratamento. Assim, cabe ao médico, na parte final da consulta, explicar ao doente, de forma compreensível, quais serão os próximos passos a serem seguidos antes de iniciar o tratamento.

O fundamental neste momento é que sejam eliminados os receios do paciente e de seus familiares. Estes receios e incertezas, alguns deles pertinentes e outros sem fundamento, atormentam muito mais do que o próprio diagnóstico.

No caso do tratamento ser discutido já nesta primeira visita, o paciente deve ter informações sobre os possíveis efeitos colaterais esperados e os métodos para a sua prevenção e tratamento.

Frequentemente ocorre uma segunda consulta, antes mesmo do início de qualquer tratamento, oportunidade na qual o paciente pode esclarecer as dúvidas que tenham surgido após a primeira fase de ansiedade e choque, e depois de conversar com amigos e pesquisar um pouco mais sobre sua doença.

Avaliação do estado funcional do paciente

Além de avaliar a extensão da doença (estadiamento), antes de fazer qualquer decisão sobre o tratamento o médico leva em conta a capacidade física do doente. Algumas tabelas são utilizadas para classificar os diversos níveis possíveis:

  • Capacidade Funcional Normal (capaz de praticar atividade esportiva)
  • Capacidade Adequada (capaz de fazer as atividades diárias de maneira independente)
  • Capacidade Limítrofe (paciente que precisa descansar, mesmo praticando apenas atividades rotineiras)
  • Capacidade Diminuída (não consegue praticar atividades de maneira independente)
  • Capacidade Severamente Comprometida (paciente acamado)

Pacientes sem capacidade física dificilmente toleram tratamentos agressivos. Portanto, pacientes com o mesmo estadiamento, mas níveis funcionais diferentes, podem receber tratamentos diferentes.

Em se tratando de pacientes geriátricos, além do estadiamento e da capacidade funcional, é necessária uma avaliação geriátrica completa, que leva em consideração, entre outros parâmetros, a capacidade mental (presença de Alzheimer, por exemplo), a presença de outras doenças (denominadas de comorbidades) e o contexto de suporte social (tipo de apoio recebido pela família, por exemplo).

Preparando-se para iniciar o tratamento

Enfrentar o diagnóstico de um câncer não é mesmo nada fácil. Antes de iniciar um tratamento (que pode ser uma cirurgia, a quimioterapia ou ainda, a radioterapia) recomendamos que você tenha uma conversa bastante franca e esclarecedora com o seu oncologista. Trata-se de uma nova fase em sua vida e você precisa estar preparado.

Como se trata de um mundo novo, as informações podem parecer complexas e é aos poucos que você vai se acostumar com todos os termos utilizados pelo seu médico e equipe.

Para ajudá-lo neste momento, preparamos algumas dicas:

  • Não vá sozinho à consulta. Leve um acompanhante (marido, esposa e ou filhos, mas um amigo também pode ajudar muito) e deixe-o fazer perguntas também.
  • Alguns pacientes preferem ter uma agenda só para o tratamento e estão sempre com todas as dúvidas e perguntas anotadas. Durante a consulta, aproveite para esclarecê-las.
  • Tente não ir para casa com dúvidas. Se você não entendeu, pergunte novamente.
  • Você pode pedir ao seu médico para lhe indicar algum paciente que esteja enfrentando um câncer como o seu, para vocês conversarem. Pacientes relatam que essa troca de experiências ajuda muito.

Estudos comprovam que pacientes informados reagem melhor durante o tratamento e se sentem mais seguros e preparados para enfrentar todos os altos e baixos que podem ocorrer nesta fase.

Pontos que você deve discutir com seu médico neste momento:

  • Saiba qual o seu tipo de câncer
  • Como será seu tratamento? Periodicidade e duração.
  • Efeitos colaterais: eles existirão? Quais os mais comuns?
  • Sobre sua vida profissional: será possível continuar trabalhando?
  • Qualidade de vida e câncer: alimentação, exercícios físicos, estado emocional, sono.
  • O que é um sintoma urgente: quando ligar?
  • Em caso de necessidade de procurar um Pronto Atendimento, aonde ir?

Outros recursos que podem ajudá-lo neste momento:

  • A enfermagem
    Esse profissional de saúde vai acompanhar você de forma bastante próxima e atenciosa.
  • Grupo preparatório para a quimioterapia
    Alguns hospitais e clínicas possuem grupos informativos focados em orientar os pacientes que estão iniciando um novo tratamento.
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  • Grupos de apoio
    Os grupos de apoio também podem ajudar a entender e se preparar para esse novo momento de sua vida.
  • Acompanhamento psicológico
    A psicologia poderá ajudá-lo a enfrentar todos os altos e baixos deste período.

O tratamento para o câncer costuma ser variado e pode ser que logo após uma quimioterapia, você faça uma radioterapia, ou após uma cirurgia você faça uma quimioterapia. Isso vai variar de acordo com o seu tipo de câncer e com muitos outros detalhes relacionados a ele.

O que importa é que você saiba que cada tratamento vai requerer uma adaptação e preparação diferente. Por isso, não tenha medo da informação e de uma boa conversa com seu médico.

Fonte: www.pacientecomcancer.com