Pesquisador: Dr. Marcel Liberman. Projeto de Auxílio Regular à Pesquisa Fapesp
Você também pode gostar de:
A calcificação das artérias ocasiona enrijecimento dos vasos sanguíneos, levando à hipertensão arterial, aumento da chance de infarto do coração, derrame cerebral, amputação dos membros, impotência sexual, insuficiência cardíaca e piora da função renal com necessidade de diálise. Incide, principalmente, em indivíduos com fatores de risco cardiovasculares como: aumento do colesterol, elevação da pressão arterial, diabetes, tabagismo, idade (evelhecimento), além de osteoporose e naqueles que necessitam de hemodiálise. A calcificação pode também atingir as valvas do coração, ocorrendo sopro cardíaco e piora do desempenho cardiovascular. Nosso objetivo é estudar as causas da calcificação cardiovascular no escopo do diabetes mellitus, uma doença que atinge 8% da população brasileira.
Por muito tempo considerada uma doença degenerativa, a ossificação arterial hoje é entendida como uma doença sob regulação ativa e complexamente controlada por mediadores que podem estimular a mineralização ectópica (inflamação, estresse oxidativo, LDL oxidado, proteína morfogênica de osso (BMP), TGF-β, apoptose, aumento do produto cálcio x fósforo e Vitamina D3) ou inibí-la (MGP, fetuína A, pirofosfato, osteoclastogênese, osteopontina).
Apesar de alguns dos mecanismos relevantes já terem sido estudados, tais conhecimentos foram obtidos em modelos com aumento do produto Ca++ x P e excesso de Vitamina D3, importantes em pacientes urêmicos e em outras situações patológicas que apresentam desequilíbrio do metabolismo do cálcio e fósforo. Recentemente, durante meu pós-doutoramento, desenvolvemos outro modelo de calcificação de células musculares lisas coronarianas in vitro, por meio de estímulo com BMP-2 de maior relevância para doenças cardiovasculares mais prevalentes.
O Diabetes mellitus e a resistência à insulina são condições patológicas de extrema importância por sua alta prevalência e pelas complicações vasculares decorrentes. O risco de calcificação vascular/valvar também é maior nestes pacientes; porém, a coexistência de múltiplos fatores de risco faz com que os mecanismos para mineralização ectópica desencadeados especificamente pelo diabetes mellitus e resistência à insulina ainda sejam pouco conhecidos.
A hipótese geral deste estudo é que a resistência à insulina exerça um papel relevante na regulação da calcificação ectópica e na (des)diferenciação de células musculares lisas vasculares em células com fenótipo osteoblástico (CVC), seja em cultura ou in vivo.
Assim, a principal pergunta deste projeto é: se células musculares lisas vasculares sob resistência à insulina têm calcificação aumentada quando expostas a um estímulo calcificador (BMP2 e/ou excesso de Ca++/P) e se a resistência à insulina promove aumento da calcificação vascular in vivo.
Os objetivos do projeto são: a) explorar um novo modelo de calcificação de células vasculares in vivo e in vitro, desenvolvido durante nosso pós-doutoramento, que apresente vias moleculares relevantes para calcificação ectópica no homem; b) analisar a importância e mecanismos pelos quais a resistência à insulina potencializa a calcificação vascular.
Estes experimentos podem revelar alvos em potencial para futuras terapias moleculares, capazes de interromper, minimizar ou prevenir o início e a perpetuação deste processo.
Compartilhe