Imunologia

Estudo do efeito imunomodulatório de células tronco-mesenquimais

Equipe: Luciana Cavalheiro Marti, Ph.D. (Investigador Principal), Marilia Normanton (Mestranda), Heliene Alvarenga (Mestranda), Suzana Benedito (Mestranda); 

Colaboradores: Anna Carla Goldberg, Ph.D.; Andrea Kondo; Nelson Hamerschlak, MD, Ph.D.; Andreza Ribeiro, MD, Ph.D. ; Luiz Vicente Rizzo, MD,Ph.D.; Lilian Buzzeto, MSc.

Financiamento: PROCESSO FAPESP n° 2011/01027-4

​Há cerca de 40 anos a infusão de células progenitoras hematopoéticas alogeneicas tem sido utilizada no tratamento de diversos tipos de doenças hematológicas e em outras patologias - muitas vezes é o único tratamento que possibilita a cura dos pacientes. O efeito conhecido como enxerto vs. leucemia ou enxerto vs. tumor, que ocorre durante este procedimento, elimina efetivamente muitas doenças hematológicas malignas. Cerca de 25.000 procedimentos são realizados anualmente e, embora o desenvolvimento de novas estratégias relacionadas ao transplante alogeneico de células progenitoras, como a infusão de leucócitos de doadores, condicionamentos não mieloablativos e transplante de sangue de cordão umbilical tenham expandido as indicações de transplante nos últimos anos, cerca de 40% dos receptores HLA-idênticos desenvolvem doença do enxerto vs. hospedeiro (DECH) aguda sistêmica. A morbidade e mortalidade associadas com DECH ainda é um obstáculo significante para a realização de transplante alogeneico com células progenitoras hematopoéticas.

A DECH é um problema de saúde pública uma vez que tem um impacto muito grande no Sistema

Único de Saúde (SUS) por ser uma das causas de prolongadas internações no pós-transplante, bem como uma das principais causas de reinternação dos pacientes transplantados, de acordo com a Portaria nº 1317/GM. Um estudo com camundongos descreveu a participação importante de Th17 nos estágios iniciais da DECH aguda e a injeção de células Th17 diferenciadas a partir de células T virgens foi capaz de desenvolver DECH aguda letal com severas lesões cutâneas e pulmonares em camundongos. O tratamento padrão de DECH aguda é o corticoesteróide, entretanto nem sempre os pacientes respondem ao tratamento e é crescente o interesse em tratamentos alternativos que atuem bloqueando vias de sinalização intracelulares.

Um tratamento que vem sendo utilizado e com bons resultados é a infusão de células-tronco mesenquimais derivadas de medula óssea, entretanto pouco se sabe sobre as vias de atuação destas células na DECH é sugerido um efeito imunomodulatório com capacidade de regular a respostas linfocitárias via CCR2/CCL2. Alguns autores, porém, evidenciam que após estímulo com interferon gama as células podem atuar como células apresentadoras de antígenos podendo desta forma interagir e atuar nos receptor antigênico das células T (TCR), que é um receptor octamérico composto de 2 cadeias αβ ou γδ as quais se ligam de forma específica, por exemplo, aos peptídeos antigênicos apresentados pelo complexo maior de histocompatibilidade (MHC). Essas cadeias são associadas de forma não covalente as subunidades do CD3 γε e δε e o hetrodimero ζ que media a transdução de sinal. A ligação dos receptores antigênicos a outros ligantes induz a fosforilação de tirosinas de várias proteínas quem levam no final a respostas funcionais. Portanto, nossa hipótese é a existência de uma conexão entre a imunotolerância induzida nos linfócitos T e a expressão de fatores de transcrição, vias de sinalização e genes também relacionados com Th17 nos linfócitos, e esse conhecimento pode auxiliar no desenvolvimento e seleção de novos alvos para terapia.

Esquema 1 – Representação da doença do enxerto contra o hospedeiro. Marti L.

Estudo do efeito imunomodulatório de células tronco-mesenquimais  
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Esquema 2 – Potencial modulador das células-tronco mesenquimais. Marti et al. Einstein, 01/2011; 9(2):224.

Potencial modulador das células-tronco mesenquimais  
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Publicado em 16/08/2013


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