Estamos no Haiti num acampamento de refugiados em conseqüência de um terremoto: um desastre natural. No acampamento onde estamos há pacientes de todas as idades: idosos, crianças com várias patologias, em sua grande maioria, ortopédicas, com fraturas, luxações e amputações, muitas amputações.
Hoje vi uma paciente que não faz parte do grupo que a equipe do Einstein cuida, mas confesso que fiquei impressionada: sofreu amputação do braço esquerdo, próximo ao ombro e amputação da mão direita.
Resolvemos montar um grupo de atendimento para amputados de membros inferiores (e num outro horário, de membros superiores) onde todos os pacientes amputados do acampamento podem participar; o objetivo da atividade é orientar o auto-cuidado com seus cotos; foi um sucesso, pois vieram pacientes que não conhecíamos, sentaram e participaram da atividade com enorme entusiasmo. Um dos pacientes que estava com dificuldades para fazer o enfaixamento do coto foi ajudado por outro, sem haver necessidade de pedirmos.
O grupo do Einstein é unido, trabalha muito, com muita disposição, com muita técnica; todos são excepcionais, mas, uma pessoa particularmente me encantou: a enfermeira Maria Roza. Ela faz suas atividades com tanto amor e dedicação que fico emocionada; além de trabalhar em média onze, doze horas por dia, cuida do grupo como se todos fossem seus filhos!!!!
Acredito que para os haitianos nós estamos sendo de grande ajuda, o nosso trabalho, a nossa alegria, pois a nossa equipe trabalha com alegria: em meio a tanta dificuldade, vemos cenas incríveis: o Dr Willian – cirurgião da equipe – ajudando a carregar uma maca fazendo a “sirene de uma ambulância”. Foi um sucesso, a criançada toda correndo atrás, uma festa.
Ontem, ao olhar o acampamento todo, fiquei angustiada: como ficará este povo, como seguirão suas vidas? Um dia suas feridas cicatrizarão, suas fraturas consolidarão, suas mazelas físicas terminarão, restando grandes incapacidades. Para onde irão?
Hoje vislumbramos alguma possibilidade de futuro para este povo: o Ministério da Saúde do Haiti e a Organização Pan-americana da Saúde estão visitando todos os acampamentos para criar um imenso programa de reabilitação e reintegração para o povo haitiano.
E eu, que sempre me preocupei com o futuro, após conhecer esta pequena parte do Haiti, da força, da crença dos haitianos, vi que não é necessário nada além de fé, de acreditar, pois certamente há algo muito além daquilo que nosso conhecimento pode alcançar, que nos protege, guia e ilumina. Estamos aprendendo isto todos os dias com os haitianos.
Apenas isto é importante.
Rosana Ravagnani Campedelli
04/03/2010 21:16
Felipe (bilu)
Mãe ( roza) Estamos ansiosos por sua volta e para saber como foi os acontecidos ai... mãe a Laura só fica chorando aqui que está com muitas saudades de você... espero que esteja dando tudo certo e que todos estejam adorando cuidar e ser cuidado de um certo modo... te amamos muito ... beijos Bilu... a laura disee que te ama mais rs
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