Blog Einstein no Haiti

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08/03/2010 - Missão Haiti: rompendo barreiras

Neste momento que vos escrevo são exatamente 20h aqui em Fond Parisien. Ao fundo podemos ouvir o culto de final de tarde do povo haitiano, sem dúvida pessoas de muita fé. Ao meu lado está Fernandinho, um garoto haitiano de 9 anos que rabisca qualquer coisa parecida com um desenho, sorri o tempo todo exibindo com certa vaidade seus invejáveis e reluzentes dentes.

No total existem algo em torno de 250 pacientes, a impressão é de muito mais. Os doentes são divididos por ala que, por sua vez, estão sendo tratados em barracas de camping. Estão sob a responsabilidade dos profissionais do Einstein cerca de 43 pacientes, a grande maioria é de adultos, no grupo existe apenas uma criança provinda de uma comunidade próxima, vítima de uma extensa infecção que acomete seu órgão genital, impressiona! As imagens radiográficas mostram fraturas que impressionam até o mais experiente ortopedista, muitas delas ainda em fase prematura de consolidação.

Particularmente sinto-me seguro no acampamento. Conversando com outros colegas eles demonstram tranqüilidade, queixam-se de maneira mais freqüente somente da falta de seus familiares. A estrutura montada no acampamento nos propicia certos privilégios como, por exemplo, internet sem fio e telefonia celular. Sendo assim, conseguimos de certa forma mais aproximação com nossos parentes, esposas e amigos. Temos até o privilégio de um freezer em nosso acampamento, com isso, podemos nos hidratar com água mais fresca. Tudo isso só é possível em virtude da competência dos profissionais da manutenção, que realizaram um trabalho maravilhoso levando energia e luz para quase todo o acampamento.

Os brasileiros têm grande credibilidade diante da comunidade, estão desenvolvendo um trabalho magnífico e muito eficaz, o reconhecimento também vem por parte dos profissionais de outras nações, principalmente os americanos, que se rendem a uma medicina diferente e criativa que prima pelo carinho, aproximação e atenção.

A saudade é grande e estou ansioso para retomar minha vida no Brasil, entretanto, está sendo muito enriquecedor o trabalho aqui desenvolvido.

Infelizmente há dias o equipamento de RX portátil quebrou, com isso, me disponibilizaram um equipamento odontológico "brincadeira", bem, tive que me virar e fazer alguns ajustes na estação, idealizar um cone, criar uma tabela de combinações de energia e, felizmente, as imagens concebidas estão respaldando os médicos.

Acordamos por volta das 6h30, tomamos café da manhã e após nos organizarmos iniciamos nosso trabalho, antes das 8h. Paramos para almoçar às 12h30 (refeição preparada pelas haitianas em uma tenda improvisada). Hoje comemos arroz e feijão. Elas preparam tudo junto, parece mais " baião de dois". De guarnição serviram banana frita e molho de sardinha. Devido à quebra do portátil, muitos exames acabaram acumulando e hoje foi um dia exaustivo. Alguns pacientes nós mesmos temos que buscar, felizmente tenho um ajudante local. Encerramos as tarefas por volta das 18h, voltamos para o acampamento e nos hidratamos um pouco antes do banho noturno. Detalhe: banho tomado de balde e caneca feita de fundo de garrafa de água. Jantamos no nosso acampamento e nos recolhemos por das 22h e tudo começa novamente no dia seguinte. (obs.: por aqui não temos final de semana, o trabalho vai de domingo a domingo).

Vou me despedindo saudoso de todos.

Grande abraço e fiquem com Deus,

Marcelo Anhe.

     

 

 

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