Blog Einstein

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14
Dez

A frouxidão ligamentar e seus efeitos no corpo

Autor: Mario Lenza, ortopedista

Quem já não se surpreendeu com as imagens de ginastas olímpicas se dobrando ao meio em suas piruetas acrobáticas, com os contorcionistas circenses que parecem não ter coluna cervical ao colocar os pés lado a lado das bochechas, ou mesmo com aquele tio engraçadinho que se dizia mágico por contorcer pernas, braços e dedos como se fossem feitos de borracha? Todos nós já suspiramos de aflição ao vê-los em ação, mas saiba que, na verdade, não há truque algum envolvido, nem dor. Isso porque, além do sorriso no rosto enquanto executam suas manobras, na maioria das vezes, o que eles têm em comum é uma condição clínica chamada de frouxidão ligamentar.

Na literatura médica, a frouxidão está relacionada à chamada de Síndrome de Ehlers-Danlos e descrita como uma doença genética relacionada à síntese de colágeno, que causa hipermobilidade das articulações e algumas outras alterações corporais. Pelo menos 13 tipos desta síndrome foram identificados e os tipos são relacionados a distúrbios hereditários mais comuns do tecido conjuntivo, podendo acometer diferentes articulações e se manifestar em diferentes graus de severidade.

Entre os indicativos mais claros da síndrome estão:

  • Hipermobilidade articular, como dobrar o punho e o polegar até ao antebraço;
  • Sinal de Gorlin, que é o ato de conseguir tocar no nariz com a língua;
  • Resistência à dor, o que explica os sorrisos diante das supostamente dolorosas manobras;
  • Hiperelasticidade da pele.

Diferentemente do que se pode pensar, essa grande amplitude de movimentos não é um alongamento natural, ou algo positivo. Alterações oculares, que comprometem a visão podem acometer quem sofre da síndrome e a chance de gestantes terem partos prematuros também são aumentadas. Os portadores da síndrome são mais propensos a sofrer lesões, como entorses e rompimentos ligamentares, bem como desenvolver tendinites e bursites.

Com raras exceções, o tempo de vida das pessoas com síndrome de Ehlers-Danlos é normal. Ela não tem cura, mas ter o diagnóstico da doença é importante para prevenir e tratar precocemente suas complicações. Estabelecer um plano de atividades físicas, com foco no fortalecimento das musculaturas que envolvem as articulações afetadas, bem como evitar exercícios de alto impacto, pode ajudar a reduzir o risco de lesões.

Assim, uma vez desenvolvida a propriocepção e o senso de limites do corpo, quem tem frouxidão ligamentar pode ter uma vida normal. Se seu objetivo não for se unir à trupe do Cirque du Soleil, ou algo parecido, o portador da frouxidão vai acabar como todos nós, na corda bamba da vida, encarando os desafios contemporâneos com as mesmas manobras e acrobacias que precisamos fazer cotidianamente.

Autor: Mario Lenza, ortopedista do Einstein

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7/9/2013 12:44:14

Vera - BIa

Acho melhor colocar a Bia no Cirque du Soleil. Acho que o Balé seria ideal para ela agora. Beijos

10/5/2013 13:03:25

Priscila

É MUITO importante diferenciar a dor de um portador de SED da dor que um não sediano sente. Por exemplo, o fato de podermos movimentar articulações em um grau maior que uma pessoa normal não significa que temos intolerância a dor. O simples andar, levantar ou sustentar alguma coisa nas mãos nos acarreta sim, muita dor em alguns casos. Importante também salientar que em 97 foi reclassificada e simplificada pelo critério Villefranche em apenas 6 subtipos para facilitar a precisão do diagnóstico.

17/12/2012 14:35:14

Yara Mourao

Por meio deste texto pude entender melhor porque minhas filhas têm tantas queixas de entorces, tendinites e esse deslocamento de omoplata, tão estranho. Mas creio que haja uma certa dorzinha sim. Entretanto, nas academias, elas tem um bom recurso para melhorar isso. Porque, como diz o D

Resposta:

Oi Yara, que bom que o texto do Mario Lenza ajudou você com suas dúvidas. Sua mensagem não está completa, mas estamos à disposição caso você queira nos enviar alguma dúvida. Continue acompanhando nosso blog.

     

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