Em Dia com a Saúde

Reposição hormonal: fazer ou não fazer?

Melhorar sintomas como ondas de calor, dor de cabeça, irregularidade menstrual, pele seca, diminuição do desejo sexual e alteração do humor é o objetivo dos diferentes tipos de terapia hormonal (TH) na menopausa. O uso de hormônios pode trazer benefícios surpreendentes, mas a aplicação em cada paciente deve ser estudada para que não haja riscos.

A pesquisa WHI, denominada “Iniciativa para a Saúde das Mulheres”, realizada em 2002 com o apoio do National Institutes of Health, nos Estados Unidos, trouxe questões em relação à segurança da terapia. O objetivo foi avaliar a frequência de infarto, câncer de mama e de cólon, acidente vascular cerebral (AVC), embolia pulmonar e fratura de bacia entre usuárias e não usuárias de TH.

Para realizar a pesquisa, 27 mil mulheres que já tinham passado pela menopausa – entre 50 e 79 anos – foram divididas em dois grupos. O primeiro era formado por pacientes que haviam retirado o útero e usavam um tipo de TH, apenas com estrógenos. Nessas, o estudo não foi conclusivo quanto a riscos relacionados aos hormônios. No segundo grupo, constituído de mulheres com útero intacto e que usavam outro tipo de TH, com estrógenos e progestógenos, verificou-se que o tratamento prolongado com hormônios, por mais de cinco anos, aumentou o aparecimento de câncer de mama e doenças cardiovasculares.

Mas a questão é: fazer ou não fazer reposição hormonal? Os benefícios podem superar os riscos? Para o Dr. Mariano Tamura, ginecologista do Einstein, não existe resposta única para isso. “Tudo depende do caso. Com monitoramento adequado e para mulheres sem fatores de risco relacionados ao uso de hormônios, os ganhos podem prevalecer”, afirma.

A TH não precisa ser realizada apenas quando a mulher já entrou na menopausa. É possível fazer a terapia durante o climatério, ou seja, quando os sintomas começam a aparecer. Esse período de transição pode durar até cinco anos.

Quando dizer sim

Para começar, a mulher deve ir a uma consulta com o ginecologista, expor os sintomas e analisar seu histórico. Somando isso ao estado de saúde atual da paciente, o médico tem condições de avaliar a indicação da terapia. Quando os sintomas da menopausa são fortes e não há fator de risco, como histórico familiar ou pessoal de câncer de mama, a TH pode ser uma boa opção. Além disso, com a menopausa, a produção de estrógeno diminui radicalmente e, como resultado, há perda óssea. “A terapia ajuda a fortalecer os ossos, prevenindo a osteoporose”, diz o Dr. Eduardo Zlotnik, ginecologista do Einstein.

Caso haja contraindicações, o recomendado é evitar a TH, apesar de não ser possível afirmar que a paciente desenvolverá problemas cardíacos ou câncer. Em todos os casos, o assunto é discutido com a paciente e ela decide se está disposta a passar por esse tratamento. “Essa opção só pode ser feita quando os riscos e os benefícios são bem calculados, pois há situações em que a mulher deve ser monitorada com maior frequência durante a terapia”, diz o Dr. Tamura.

“Esse acompanhamento é feito por meio de check-up periódico”, aconselha o médico. A TH pode ser realizada de diversas maneiras: com medicamentos injetáveis, orais ou transdérmicos (adesivos ou géis aplicados à pele).

Outra dúvida frequente é sobre a possibilidade de gravidez no período em que se realiza a terapia. “A capacidade reprodutiva da mulher não volta”, explica o Dr. Tamura. Mas ele avisa: “a terapia hormonal não é método anticoncepcional. Se a mulher ainda não chegou à menopausa, a chance de gravidez, embora pequena, ainda existe”.

Publicada em Dezembro / 2008

Atualizada em Março / 2012

Publicado em 05/03/2012


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