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Saiba quais cuidados você deve ter com a diarreia

A diarreia é o aumento da frequência das evacuações, com diminuição da consistência das fezes. Pode ser aguda ou crônica, e neste último caso, em geral, é apenas um dos sintomas que acompanha a doença que a originou.

Tipos de diarreia

A diarreia em si pode ser considerada um sintoma. Outros que a acompanham variam de acordo com o quadro que levou à sua ocorrência. No caso de infecção, por exemplo, pode haver queda do estado geral, desidratação, febre, dores musculares, vômitos, dor abdominal. Já no caso de uma diarreia osmótica, o que prepondera é mesmo o quadro intestinal, com várias idas ao banheiro com fezes líquidas, às vezes acompanhadas de assadura anal e gases em grande intensidade.

A maior causa de diarreia aguda é a infecciosa que, na maioria das vezes, é de origem bacteriana ou viral, e muito mais raramente de origem fúngica. Há, porém, grande número de pessoas que sofrem de diarreia por algum problema digestivo, decorrente da falta de enzimas, como a intolerância à lactose, ou por alergias.

Além disto, existem os quadros de diarreia crônica, que podem ser funcionais – quando não há lesão detectável no intestino, como, por exemplo, a síndrome do intestino irritável – ou de quadro orgânico – quando há lesão presente, como colite ulcerativa, doença de Crohn, doença celíaca, dentre outras. Da mesma forma, quadros de pancreatite crônica, hipertireoidismo, e outras doenças extra-intestinais podem provocar diarréia crônica.

A principal consequência da diarreia aguda é a desidratação, que pode ocorrer se não houver uma reposição hídrica adequada. Outras consequências são decorrentes do processo que iniciou o quadro da diarreia como, por exemplo, uma infecção que se tornou sistêmica.

Diagnóstico

Nos casos de diarreia aguda (de início súbito e de curto prazo), o diagnóstico quase sempre é feito em pronto atendimento, por meio de simples exames de sangue e de fezes, que detectam o tipo de diarreia e, na maioria dos casos, o agente causador. A grande dificuldade está no diagnóstico das diarreias crônicas. Nestes casos, os exames vão variar com o tipo de sintomas e a suspeita para cada caso.

Tratamento

A diarreia aguda infecciosa, na maioria das vezes, é autolimitada e não requer qualquer tratamento específico, apenas medidas para manter a hidratação adequada e medicamentos sintomáticos. Nos casos mais intensos, deve-se inicialmente coletar fezes para a avaliação de leucócitos e presença de rotavírus, e realizar a coprocultura (exame bacteriológico das fezes).

Em locais epidêmicos, deve-se lembrar da cólera, e ter em mente que casos específicos devem ser tratados de acordo com o diagnóstico do problema que acarretou o sintoma.

Diarreia em crianças

Existem várias diferenças entre os casos de diarreia em crianças e adultos, mas a mais importante é que, na criança, ela pode ser muito grave e levar a quadros dramáticos. A intervenção, nestes casos, deve ser imediata para evitar consequências mais sérias.

Alguns tipos de infecção ocorrem com maior frequência em crianças, mas os princípios básicos do tratamento são muito parecidos. É preciso estar alerta: crianças e idosos desidratam muito depressa.

As diarreias mais frequentes são as osmóticas e as infecciosas. Estas últimas são as que preocupam mais os médicos, pois podem desencadear quadros muito mais graves, principalmente em crianças, por vezes levando ao óbito – o que ocorre com maior frequência em países menos desenvolvidos.

Prevenção

Quando a diarreia é de origem infecciosa, a prevenção pode ser feita por meio de medidas higieno-dietéticas, tais como: lavar bem as mãos, higienizar bem os alimentos de fácil contaminação e, em casos de diarreia do viajante, usar medicação profilática, como a rifaximina, antes de ir para países com potencial de contaminação.

De forma geral, as recomendações são: hidratar-se bem e aguardar a evolução por 24 horas, fazendo uma dieta leve. Indivíduos com diarreia devem evitar alimentos que possam estimular as funções do trato gastrointestinal. Portanto, devem evitar fibras, alimentos muito concentrados em sal ou açúcar, e também todos aqueles que contenham condimentos ou elementos artificiais irritantes.

A hidratação adequada é fundamental e pode ser feita por meio da ingestão de água ou hidratantes orais. O leite e seus derivados também podem ser evitados, já que pode haver intolerância à lactose e prejudicar a recuperação. Caso a diarreia persista, piore, ou acompanhe outros sintomas, é necessário procurar o serviço médico de urgência.

Fonte: Dr. Flavio Steinwurz, gastroenterologista do Einstein

Publicado em abril de 2012

Publicado em 08/05/2012


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