Em Dia com a Saúde

Transtorno bipolar: a vida na montanha russa

Primeiro a angústia, o desânimo, a falta de vontade de se levantar da cama. Depois, vêm a animação, extrema autoconfiança, sensação de poder, vontade de fazer mil coisas ao mesmo tempo. A primeira impressão é que essas sensações são de duas pessoas, uma depressiva, outra eufórica.

Transtorno bipolar - A vida na montanha-russaMas, na verdade, trata-se do mesmo homem ou mulher – alguém que sofre de transtorno bipolar de humor, doença psiquiátrica que atinge cerca de 3% da população mundial, caracterizada por oscilações abruptas de humor, com episódios de depressão e de mania (o oposto da depressão).

A doença mental está entre as dez que mais afastam os brasileiros do trabalho. Ocupa o terceiro lugar na lista, depois da depressão e da esquizofrenia, conforme levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em novembro de 2007.

“O humor é o pano de fundo da nossa vida emocional. Normalmente, se acontecem coisas boas, as pessoas ficam alegres, se acontecer algo ruim, ficam tristes. Para quem tem transtorno bipolar, a lógica não é sempre essa. O humor pode oscilar muito e de forma muitas vezes independente do que ocorre ao redor. Os acontecimentos influenciam de forma nem sempre previsível. Se morre alguém, imagina-se que a pessoa fique triste, mas o bipolar pode entrar numa crise de euforia, ficar ‘elétrico’, ou mesmo irritável e não porque não gostava da pessoa, mas porque o estresse desencadeou uma instabilidade da doença. Por isso, o transtorno é imprevisível”, explica Sérgio Nicastri, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Normalmente, se acontecem coisas boas, as pessoas ficam alegres, se acontecer algo ruim, ficam tristes. Para quem tem transtorno bipolar, a lógica não é sempre essa

Uma das principais evidências de que a doença está relacionada às reações químicas do cérebro é que os remédios dão resultado. Entretanto, o mecanismo de funcionamento da doença é um processo extremamente complexo. Ainda não há certezas sobre neurotransmissores ou reações químicas que estejam envolvidas no desencadeamento da doença. O que se sabe é que alterações da serotonina e da noradrenalina cerebrais estão relacionadas à depressão e a dopamina é o neurotransmissor mais relacionado aos episódios de mania.

Gangorra de sentimentos

Não tinha idéia do que estava acontecendo comigo. Ia trabalhar todos os dias, mas, quando o ponteiro marcava três horas, era como se fosse um relógio biológico, eu precisava largar tudo

“Não tinha idéia do que estava acontecendo comigo. Ia trabalhar todos os dias, mas, quando o ponteiro marcava três horas, era como se fosse um relógio biológico, eu precisava largar tudo o que estivesse fazendo e sair correndo para casa. Porque era insuportável continuar. Eu me jogava na cama e apertava o edredom contra meu peito, a sensação era que ele estava completamente aberto, sem nenhum tipo de proteção e coisas poderiam escapulir dali. Doía muito e o cobertor me dava segurança. Pouco depois, soube que isso se chamava angústia.”

Esse é um trecho do livro Não Sou Uma Só: Diário de Uma Bipolar, de Marina W. (editora Nova Fronteira). Trata-se de uma autobiografia que traz as alegrias e as angústias dessa jornalista, que só descobriu ser bipolar depois de casada e mãe de dois filhos, segredo guardado por ela durante mais de 20 anos. O diagnóstico tardio, inclusive, é um dos principais problemas no tratamento. Ainda é muito comum o paciente ser visto apenas como depressivo quando, na verdade, vai de um extremo a outro.

A transição abrupta entre as fases depressivas e maníacas é chamada pelos médicos de virada de humor. Os episódios de mania e depressão podem variar em dias, semanas ou até meses. “Os bipolares também têm fases de normalidade”, afirma o dr. Nicastri.

Durante a depressão, as sensações são de diminuição da energia, redução ou até incapacidade de sentir prazer, melancolia, desesperança e pensamentos pessimistas ou negativos, que podem incluir a idéia de suicídio. Os episódios de mania geralmente envolvem sensação aumentada de energia e poder, aceleração da velocidade do pensamento, diminuição da necessidade de sono, idéias de grandiosidade e comportamentos desinibidos e pouco críticos, que podem resultar em gastos excessivos, por exemplo. Muito do que se faz nessa fase, os bipolares nem sequer sonhariam em fazer no estado normal de humor.

Para desencadear uma crise não há motivos ou situações específicas. O estopim pode estar relacionado ao estresse, tanto positivo quanto negativo. Perder o emprego, separar-se ou mesmo casar-se e receber uma promoção no trabalho podem ser fatores com potencial para provocar uma crise de mania ou depressão. “Nos pacientes em tratamento, o uso irregular ou mesmo a interrupção da medicação são um fator importante para que novos episódios da doença voltem a se manifestar”, enfatiza o dr. Nicastri.

Diagnóstico na balança

Existe uma tendência de que, em uma mesma família, haja várias pessoas com diagnóstico da doença, o que sugere uma grande participação genética nesse transtorno. Entretanto, ainda não há comprovações científicas. Os fatores ambientais também interferem na manifestação do problema.

O estresse e a rotina agitada podem colaborar para que os efeitos da doença sejam maiores ou menores

“O estresse e a rotina agitada podem colaborar para que os efeitos da doença sejam maiores ou menores”, explica o psiquiatra. Hoje, o ritmo de vida é mais acelerado, o acesso e o consumo de substâncias lícitas e ilícitas que interferem no humor são mais fáceis, por exemplo.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor para o paciente, sua família e amigos. O fato é que alguém que tenha depressão vai procurar ajuda porque se sente mal. Porém, a pessoa que passa por crises de euforia sente-se muito bem – até demais – para achar que esse estado inspire cuidados médicos. Isso pode atrasar a procura por ajuda e, conseqüentemente, o tratamento.

É uma barreira explicar e convencer alguém de que aquele estado de energia intensa, por mais agradável que pareça, é uma doença, por conta dos riscos a que a pessoa se expõe, como a impulsividade que leva a comportamento sexual desinibido, entre outros atos impensados.

Familiares e amigos podem ajudar o psiquiatra nesses casos, sinalizando comportamentos não habituais. Nos casos de gradação leve da doença, a chamada hipomania – quando o paciente é tímido e se torna extrovertido, por exemplo –, quem convive com a pessoa deve sinalizar ao médico que normalmente ela não se comporta daquela maneira. Entretanto, para o paciente é difícil perceber que essas mudanças no comportamento são manifestações do transtorno, mesmo que em grau leve.

Embora a doença apareça mais frequentemente no fim da adolescência ou início da vida adulta, crianças e adolescentes também podem sofrer com esse transtorno. Nos EUA, o número de diagnósticos de bipolaridade entre crianças e adolescentes cresceu 40 vezes na última década. A hipótese para esse aumento é a maior conscientização de médicos sobre o transtorno ou ainda um possível excesso de diagnóstico, em que uma criança mal-humorada pode ser tratada como doente.

Medicamentos e terapia: o caminho para uma vida normal

Assim como uma série de outras doenças, o transtorno bipolar não tem cura, mas controle. É como ter hipertensão ou diabetes: a doença continua ali, mas o paciente aprende a reconhecer sinais, controlar e conviver com ela, enquanto leva uma vida normal. “Queremos que o paciente seja o gerente de sua saúde para reconhecer uma estabilidade ou piora da doença, além de tomar os remédios corretamente”, esclarece o dr. Nicastri.

Os medicamentos mais utilizados atualmente são o lítio e alguns anticonvulsivantes, pois mostram bons efeitos na estabilização do humor. Algumas vezes, podem ser indicados também antidepressivos, mas com ressalvas porque podem, em vez de trazer o paciente para um estado de normalidade de humor, induzir à crise de euforia. Medicamentos conhecidos como antipsicóticos, sobretudo alguns desenvolvidos mais recentemente, têm sido empregados como estratégia para obter a estabilização de humor.

O lítio, primeiro estabilizador de humor, descoberto na década de 1970, ainda é largamente utilizado. Essa substância foi consagrada porque – além de tratar o transtorno bipolar – é capaz de prevenir novas crises. O problema é que se trata de uma substância potencialmente tóxica, o que torna a monitoração da sua quantidade no sangue fundamental para a segurança do tratamento.

Além dos medicamentos, a terapia pode ajudar a pessoa a entender que tem uma doença e a aceitar o tratamento. É dar-se conta de como funciona o transtorno e saber diferenciar o que é normal do que foge do controle.

Publicada em março/2008

Atualizada em novembro/2009

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27/04/2013 08:35:45

Luiz carlos de menez

acho que minha esposa tem este problema,esta mudança ocorre durante uns 12 dias no mes e esta ficando pior a cada mes,não tenho muitas condições de pagar uma consulta como posso ser ajudado,por favor, me ajudem com minha familia

Resposta:

Luiz, você pode procurar atendimentos em grupo em instituições como na ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar) e na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) que mantém grupo PRODAF.

12/04/2013 13:53:18

Julio

Ola! Qual o melhor medico para consultar no caso de bipolaridade? Obrigado.

Resposta:

Olá Julio, agradecemos seu interesse. Temos um serviço de Indicação Médica que irá lhe orientar qual especialista seria o mais indicado para atender. Entre em contato com o Fone Saúde, 11 2151-1233, opção 3, ou acesse o link do Indicador Médico http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx. Boa sorte, o Einstein terá enorme prazer em atendê-los.

11/04/2013 00:39:36

magalud

Depois tentivas de tomar lítio muita alergia e rejeiçao, mais o médico garantiu seria o melhor estabilizador de humor da minha vida kkkk meus cabelos caem, meu rins ta ruim, to intoxicada de tanto remédio mais eu tomo direitinho. ai começou a tal de taquicardia violenta aff to no dialtizem e proponolol pra isso quem aguenta mais remédios aff continuo e tomo tbem kkkk e convulsões desgraçadas kkk me pegaram tbem tegretol p/ combater tomo tbem. kkk rivotril ficou tem 7 anos é o melhor do mercado

Resposta:

Magalud, obrigado por compartilhar sua experiência conosco. Continue nos acompanhando.

11/04/2013 00:28:13

magalud

sou bipolar aos 9 anos uma taquicardia do cão a pediatra disse ela tem problema no coraçao kkk todos meu exames sao normais até hj e era medo do meu pai alcoolatra nojento. as crises mai fortes vheram aos 23 anos nao saia dos hospitais dores fisicas , e exames tudo normal kkk crise psicotica ao 34 anos dai o começei a ir no neurologista, e piorei muito surtei de novo aos 36 anos keria beber e morrer. começei trata de verdade tomei de td um pouco. prozac, rivotril, pondera, sertralina, diazepam.

Resposta:

Magalud, obrigado por compartilhar sua experiência conosco. Continue nos acompanhando.

08/04/2013 00:46:11

Hingrid

Descobri que sou bipolar há 5 meses. Faço terapia semanal, e ainda estou me adequando com a medicação (Litio). Estou aqui pois pesquiso sobre o assunto, quero saber sobre minha doença e ver depoimentos de outras pessoas com o mesmo problema.

Resposta:

Olá Hingrid, agradecemos seu comentário, fique à vontade também para nos mandar sugestões de temas do seu interesse. E convidamos você a continuar acompanhando o Einstein tanto pelo portal, quanto pelos nossos canais oficiais do Facebook, do Twitter e do YouTube .

10/03/2013 11:23:34

joao carlos

olá,desde de 2004 sofria de bipolar e ñ sabia o q se tratava quando em 2011 procurei ajuda de um psiquiatra ele disse q era transtorno bipolar do humor e foi causado pelo álcool ñ consumo mais mas fiquei na dúvida se foi isso mesmo ...é muito triste sofre de TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR!!!

Resposta:

João, obrigado por compartilhar sua história aqui conosco. Desejamos muita saúde a você e sucesso no tratamento.

10/02/2013 12:10:17

luiz

Eu gostaria de saber se o hospital tem serviço de apoio e orientação aos familiares.

Resposta:

Olá Luiz, atualmente temos serviço de apoio e orientação a familiares com transtorno bipolar. Sugerimos que você procure atendimentos em grupo em instituições como na ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar) e na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) que mantém grupo PRODAF.

07/02/2013 00:05:05

Marilia Cavati

Convivo com a bipolaridade há 15 anos, já passei pela fase de manias e depressões. Sinto que tenho dificuldade de relacionamento. Seria possível indicar um grupo de bate-papo entre bipolares? Aguardo resposta.

Resposta:

Olá Marilia, você pode procurar atendimentos em grupo em instituições como na ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar) e na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) que mantém grupo PRODAF.

04/02/2013 14:56:46

Carlos

Sou Bipolar diagnosticado há cerca de 2 anos e desde então tive inúmeras formatações no quadro medicamentoso que me custaram muita preocupação e sofrimento até que hoje em dia tenho um quadro de medicações que me controla relativamente, mas, ainda tenho muitas tristezas devido aos meus quadros de euforia e de melancolia que são muito variantes e até de certos pensamentos intrusivos que me deixam muito angustiado e temeroso pelo bem estar meu e de meus familiares, só peço força a Deus!

Resposta:

Oi Carlos, obrigado por compartilhar sua experiência aqui conosco. Recomendamos que você relate ao seu médico os sintomas que você está sentindo e as percepções em relação ao tratamento. Desejamos muita saúde a você!

10/12/2012 20:50:15

Anna

ola voces atendem pela unimed?quanto cuta a consulta?te-pi

Resposta:

Olá Anna, para informações sobre consultas ligue para o Indicador Médico, (11) 2151-1233, opção 3. Você também pode conferir a lista de convênios credenciados para atendimento aqui em nosso site, no link: http://www.einstein.br/Hospital/convenios-e-planos-de-saude/Paginas/convenios-e-planos-de-saude.aspx . Estamos à disposição.

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