Gravidez e Bebê

Teste do Pezinho

A triagem neonatal - popularmente conhecida como "teste do pezinho" - é uma ação preventiva que permite fazer o diagnóstico de diversas doenças congênitas ou infecciosas, assintomáticas no período neonatal, a tempo de se interferir no curso da doença, permitindo, desta forma, a instituição do tratamento precoce específico e a diminuição ou eliminação das sequelas associadas a cada uma dessas doenças.

Toda criança nascida em território nacional tem o direito à triagem neonatal. Os exames realizados detectam se o bebê tem possibilidade de apresentar algum distúrbio que possa interferir no desenvolvimento normal.

Na Maternidade Albert Einstein esse exame abrange vários tipos de testes, o que se chama de Triagem Neonatal Ampliada -, que poderão indicar uma série de moléstias a serem tratadas precocemente. O teste do pezinho é realizado em todos os bebês. O resultado estará disponível na internet, mediante senha de acesso, quinze dias após a alta. Um contato poderá ser feito antes desse prazo, para confirmação, caso haja alguma alteração.

Na Maternidade Albert Einstein, o teste do pezinho detecta as seguintes doenças:

FENILCETONÚRIA

Doença causada pela falta de uma enzima que transforma a fenilalanina - um aminoácido presente em todas as proteínas - em tirosina. Ocorre o acúmulo de fenilalanina - que poderá afetar o cérebro e levar à deficiência mental.

O nome da doença deve-se ao fato de haver eliminação excessiva de fenilalanina na urina, que fica com um odor semelhante ao do mofo. As crianças nascem normais mas à medida que recebem alimentos ricos em fenilalanina, passam a acumulá-la no corpo sem conseguir metabolizá-la. A frequência dessa doença é de 1 caso em cada 10.000 recém-nascidos.

A fenilalanina está está presente principalmente em feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, carnes, aves, peixes e frutos do mar, ovos, leite e derivados, leite materno ou fórmula infantil. Também em alguns alimentos como citados a seguir: arroz, beterraba, cenoura, tomate, cebola, batata, batata baroa, brócolis, repolho, abóbora, abobrinha, berinjela, couve-flor, chuchu, almeirão, couve, maçã, mamão, abacaxi, banana, figo, laranja, maçã, manga, melancia, melão, pera e pêssego, entre outros.

Como se transmite?

Através dos genes dos pais. Se os pais forem portadores, existirá 25% de chances de terem um filho com o problema.

Qual a importância desse exame?

A suspeita diagnóstica se faz quando o nível de fenilalanina no sangue estiver acima de 20 mg/dL e o nível de tirosina no plasma for normal ou reduzido. A causa mais comum de aumento de fenilalanina no sangue do recém-nascido (RN) é uma circunstância transitória chamada 'tirosinemia transitória'. Nesta condição ocorre aumento tanto de tirosina como de fenilalanina, por atividade inadequada da enzima que age sobre a tirosina e é dependente de vitamina C. Isto ocorre principalmente em RN prematuros (embora também possa ocorrer em RN normais) porque as vias metabólicas da fenilalanina só se desenvolvem a partir dos últimos meses da gravidez. A tirosinemia transitória geralmente regride, não implicando nos mesmos riscos da fenilcetonúria.

Qual é o tratamento da fenilcetonúria?

Exclusão de fenilalanina da dieta. Tem bom prognóstico para o desenvolvimento nervoso, principalmente se iniciada antes de 3 semanas de vida.


GALACTOSEMIA

O que é?

É uma deficiência de uma enzima (galactose-1-fosfato uridil transferase) responsável pelo processamento do açúcar contido no leite (chamado galactose). Quando as crianças com deficiência desta enzima ingerem leite, ocorre acúmulo de galactose nas células do fígado, dos rins, do cérebro e dos olhos, acarretando prejuízo para esses órgãos.

Os sintomas incluem problemas de coagulação, icterícia (pele amarelada), hipoglicemia (baixa da taxa de glicose no sangue), glicosúria (excesso de glicose na urina), excesso de acidez no sangue e catarata.

Como se transmite?

Através dos genes dos pais e de forma recessiva. Ocorre numa frequência de 1 criança doente em cada 60.000 nascimentos.

Qual a importância desse exame?

O diagnóstico precoce pode evitar um agravamento das consequências do excesso de galactose no corpo. Nestes casos, a criança não deve tomar leite ou substâncias que contenham lactose e galactose.


DEFICIÊNCIA DE BIOTIONIDASE

O que é?

A deficiência de uma enzima que reaproveita uma vitamina chamada biotina e que resulta na falta desta vitamina. As crianças com esta deficiência podem ter convulsões, fraqueza muscular, erupções na pele, queda de cabelo, acidez no sangue e deficiência imunológica.

Como se transmite?

Através dos genes dos pais.

Qual a importância desse exame?

A detecção precoce da falta da enzima possibilita o tratamento precoce.

Qual é o tratamento da deficiência da biotinidase?

Altas doses de biotina.


ANEMIA FALCIFORME

O que é?

É uma alteração na composição da hemoglobina que leva à formação de uma hemoglobina anormal chamada de S.

Como se transmite?

As hemoglobinopatias (doença da hemoglobina) são herdadas geneticamente dos pais. A presença de doença (anemia) e outros sintomas depende da intensidade e também do tipo de alterações da hemoglobina.

Quais são as consequências para o recém-nascido?

  • Doente: isto é, se ele for homozigoto, por ter herdado um gene da anemia da mãe e um gene do pai. É uma condição rara e atinge aproximadamente 8 indivíduos em cada 100.000 nascimentos. O recém-nascido não apresenta sinais da doença porque nasce com uma quantidade de hemoglobina fetal aumentada e esta proporciona proteção contra os efeitos da hemoglobina S (anemia, icterícia, dores ósseas, articulares e abdominais, infecções de repetição) até os seis meses de idade. Nessa ocasião já se pode confirmar o diagnóstico da anemia falciforme pelo predomínio de mais de 50% de hemoglobina S nos glóbulos vermelhos.
  • Portador: isto é, se ele for heterozigoto, por ter herdado o gene da anemia de apenas um dos pais. É mais frequente e atinge 500 indivíduos em cada 100.000 nascimentos. A criança portadora não apresenta sinais de doença até os seis meses de vida. Nestes casos, podem aparecer sintomas similares à anemia falciforme, com intensidade acentuadamente menor, e também sempre relacionada a situações desencadeantes como, por exemplo, infecções pulmonares graves, anestesia com baixa oxigenação, trabalho em condições de baixa oxigenação, avião despressurizado, grandes altitudes e raramente após exercício físico muito intenso. Em geral, este tipo de portador permanece assintomático durante toda a vida e o diagnóstico só virá a ser feito com exames de laboratório.

Qual é a importância desse exame?

Se tornar-se positivo, indicam-se novos exames após 6 meses de vida. Os pais também deverão realizar a investigação de hemoglobinopatia.

Qual é o tratamento para a anemia falciforme?

O recém-nascido está protegido contra as manifestações clínicas da anemia falciforme até os 6 meses, pela presença de hemoglobina fetal. Existe necessidade de acompanhamento médico para todo o doente de anemia falciforme. O traço falciforme NÃO é doença.


GLICOSE 6-FOSFATO DESIDROGENASE (G-6 PD)

O que é?

A deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) é o distúrbio metabólico mais comum dos glóbulos vermelhos. É causado por alterações de enzimas fundamentais para a estabilidade da membrana celular dos glóbulos vermelhos. Pacientes com a deficiência de G6PD podem apresentar destruição de glóbulos vermelhos (anemia hemolítica) e icterícia.

Como se adquire a doença?

É uma doença herdada geneticamente ligada ao cromossomo X, acometendo principalmente pacientes do sexo masculino. No Brasil, mais de 1% da população é portadora da doença.

Quais as consequências para o recém-nascido?

A grande maioria dos indivíduos deficientes de G6PD é assintomática. Alguns pacientes têm crises agudas de anemia por destruição dos glóbulos vermelhos quando entram em contato com certos alimentos - como a fava -, com substâncias químicas que podem ou não ser medicamentos (com Aspirina, sulfa etc) e diversas infecções virais. As crises de anemia hemolítica aguda se produzem pela destruição dos glóbulos vermelhos dentro do vaso sanguíneo e clinicamente se apresentam com anemia, icterícia e aumento do baço.

Qual a importância desse exame?

É importante para triagem, devendo ser realizados exames específicos para o diagnóstico.

O que fazer se o resultado estiver alterado?

Não é necessário tratamento se o bebê não apresentar manifestações clínicas. Deve-se, todavia, evitar uma série de medicamentos com ácido acetil salicílico, sulfas e outros com potencial para desencadear a destruição de glóbulos vermelhos.


HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO

O que é?

A Triiodotironina (T3) e a Tiroxina (T4) são os hormônios produzidos pela glândula tireoide. São fundamentais para a regulação da produção e do consumo de energia pelo organismo humano. Além disso, os hormônios tireoidianos atuam, desde a fase intra-uterina, estimulando o processo de crescimento e desenvolvimento e influenciando decisivamente a maturação do sistema nervoso central. A deficiência desses hormônios leva a um quadro clínico bem definido denominado hipotireoidismo.

Como se adquire a doença?

O hipotireoidismo pode ser adquirido em vida, por meio de alterações auto-imunes, inflamatórias ou infecciosas, e também antes do nascimento, quer por alterações genéticas, quer por alterações ambientais e do organismo materno.

Quais as consequências para o recém-nascido?

Considerando-se a forte influência dos hormônios tireoidianos sobre o crescimento e o desenvolvimento neuropsicomotor, fica fácil compreender que a falta deles pode levar ao prejuízo no crescimento da criança e a um retardo mental, que será tanto maior, quanto mais tempo esta falta persistir.

Qual a importância desse exame?

Os sinais e sintomas do hipotireoidismo são escassos nas primeiras semanas de vida. Sabe-se que ocorre um caso de hipotireoidismo congênito a cada 4.000 recém-nascidos vivos, proporção que aumenta para 1 em 2.000 crianças em regiões carentes de iodo.

A solução adotada por um grande número de países foi determinar a obrigatoriedade da avaliação da função tireoidiana em todos os recém-nascidos. Esta avaliação é feita de rotina pelo teste do pezinho, por meio da dosagem de T4 e TSH.

O que fazer se o resultado estiver alterado?

Uma vez detectada alteração nos testes de triagem, repete-se a dosagem, no soro do sangue, uma semana depois. A alta sensibilidade do primeiro exame é extremamente importante para evitar que qualquer caso passe despercebido.

Muitas crianças apresentam resultados normais, o que descarta o diagnóstico de hipotireoidismo na maioria das vezes. Aquelas crianças em que os exames persistem alterados devem ser encaminhadas rapidamente a um especialista para determinação da possível causa do hipotireoidismo e da estratégia do tratamento. Quando diagnosticado no momento certo o hipotireoidismo é facilmente tratado e controlado, sem nenhum prejuízo para o crescimento e desenvolvimento da criança.


HIPERPLASIA CONGÊNITA DA SUPRARRENAL

O que é?

É um defeito na produção de hormônios pelas glândulas suprarrenais ou adrenais. Na tentativa de compensação dessa deficiência, a hipófise produz um excesso do hormônio que estimula a suprarrenal, causando um aumento do tamanho dessas glândulas e, muitas vezes, o aumento na produção dos hormônios que controlam a masculinização do corpo, sem compensar a falta dos hormônios que controlam o metabolismo da água e do sal do organismo. A alteração mais comum é a deficiência da enzima 21-hidroxilase progesterona.

Como se adquire a doença?

O funcionamento de cada uma das enzimas que regulam a produção dos hormônios da glândula suprarrenal é feito por genes. Qualquer alteração ou mutação destes genes pode acarretar um defeito, resultando na falta de um hormônio ou acúmulo de outro. A doença ocorre em 1 de cada 12.000 crianças nascidas vivas. Entre 1 e 2% da população é constituída de heterozigotos, isto é, de portadores do gene e não da doença.

Quais as consequências para o recém-nascido?

A deficiência da enzima 21-hidroxilase pode levar a um quadro de masculinização (virilização) da criança e eventualmente a vômitos e desidratação, com perda de sal e água.

Qual a importância desse exame?

Diagnosticar precocemente a criança doente para receber reposição do hormônio e evitar as consequências da doença.

O que fazer se o resultado estiver alterado?

Esta dosagem é extremamente sensível, isto é, detecta mínimas alterações. RN prematuros e alguns RN de termo podem ter níveis acima do esperado por influência dos hormônios maternos. Desta forma os casos em que a mesma se encontra alterada devem ser considerados apenas “suspeitos”. O diagnóstico definitivo somente poderá ser feito após observação clínica e a efetivação de novos exames, solicitados pelo próprio Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) ou por endocrinologista que é o especialista nesta doença.


TOXOPLASMOSE

O que é?

Toxoplasmose é uma doença causada por um parasita, o Toxoplasma gondii. Ele é um parasita do intestino de gatos, onde se multiplica. Em outros animais o toxoplasma não completa seu ciclo: invade, forma cistos nos músculos, cérebro, retina e outros órgãos, mas não se multiplica no intestino.

Como se adquire a doença?

O grande transmissor é o gato, mas qualquer animal pode ter cistos na sua musculatura, e se o homem consumir essa carne crua, pode adquirir a toxoplasmose. A toxoplasmose parece não ser transmissível de homem a homem, exceto durante a gravidez. Na gravidez a imensa maioria dos casos de transmissão ocorre apenas se a mãe se contaminou e teve doença exatamente durante a gravidez, em qualquer fase desta. Casos de toxoplasmose congênita ligada a antigas infecções na mãe são raras, embora existam.

Quais as consequências para o recém-nascido?

Podem ser sérias, com calcificações cerebrais, malformações, doença sistêmica grave, ou podem se expressar, no futuro, como doenças da retina. Muitos casos não apresentam alterações clínicas ou sintomas, mas há alguma evidência que a toxoplasmose, se não tratada nestes casos, leva à diminuição do potencial intelectual destas crianças, sem que isto esteja claramente mensurado.

Qual a importância desse exame?

Avalia se existem anticorpos contra o toxoplasma feitos pela criança, não pela mãe. Esta diferenciação é crítica, pois a imensa maioria das pessoas (90 % ou mais, em São Paulo) tem anticorpos contra o toxoplasma, por conta de infecções anteriores. A presença de anticorpos tipo IgG de origem materna na criança não tem o menor significado patológico.

O que fazer se o resultado estiver alterado?

Primeiro é necessária a confirmação diagnóstica. Se confirmado, é fundamental informar imediatamente ao pediatra o fato pois a toxoplasmose tem tratamento efetivo que deve ser iniciado mesmo que não haja nenhuma alteração clínica.

Publicada em fevereiro/2010

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