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Câncer de ovário: um inimigo silencioso

Tão complexos quanto o próprio órgão que atingem, os tumores de ovário são variados e podem surgir em diferentes etapas da vida.

Hoje, já se conhece o perfil genético de mais de 15 tipos de câncer de ovário – e outros devem ser identificados nos próximos anos. São dados que ajudam o médico a fazer uma abordagem específica e mais eficiente para tratar a doença, envolvendo cirurgia, quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia, conforme a necessidade. Alguns testes genéticos podem apontar, inclusive, se a mulher tem mais chances de desenvolver certos tumores. Quanto mais se estuda a doença, mais aumentam as chances de cura.

A grande dificuldade desse tipo de câncer sempre foi o diagnóstico precoce, determinante para a cura ou sobrevida da paciente. Exames isolados nem sempre são capazes de mostrar a doença em sua fase inicial, mas tentativas de desenvolver um processo que seja eficaz nessa descoberta estão em andamento. O mais recente avanço do gênero, revelado em maio pela American Society of Clinical Oncology (ASCO), é o ROCA (Risk of Ovarian Cancer Algorithm), modelo matemático que integra os resultados do exame clínico, do CA125 (marcador tumoral detectado em exame de sangue) e da ultrassonografia. Futuramente, a aplicação do ROCA em um grupo de escolha de maior risco, como as mulheres que já passaram pela menopausa, poderá detectar o câncer de ovário em estágio inicial.

A descoberta tardia da doença está relacionada com sua alta letalidade: quando a paciente é tratada desse câncer desde o seu estágio inicial, as chances de sobrevida em cinco anos são de 83%; nos estágios 3 e 4, essa expectativa cai para 29% e 4%, respectivamente, de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia. O mais grave é que mais de três quartos dos casos chegam ao consultório já nos estágios 3 e 4. Isso explica porque o câncer de ovário, com apenas 4% de incidência – bem menos comum do que os de mama, útero e endométrio –, apresenta uma alta taxa de mortalidade.

O câncer de ovário, com apenas 4% de incidência – bem menos comum do que os de mama, útero e endométrio –, apresenta uma alta taxa de mortalidade.

O ovário é um órgão que produz múltiplas replicações celulares, e isso pode propiciar o surgimento de uma célula anômala que leve ao câncer. Apesar disso, não há uma causa diretamente relacionada ao surgimento do câncer de ovário, mas sabe-se que mulheres que têm filhos ou tomam pílula têm menos probabilidade de desenvolver a doença. Isso ocorre possivelmente porque ambas as situações dão um descanso temporário aos ovários, fazendo com que não produzam óvulos por um determinado período.

Uma coisa é certa: esse câncer não tem relação com o aparecimento de cistos benignos no ovário (ou cistos funcionais) ou com a Síndrome dos Ovários Policísticos. Essa síndrome, de origem hormonal, atinge 15% das mulheres em idade reprodutiva e tem sintomas bem claros: irregularidade menstrual, aumento dos pelos no corpo, da oleosidade na pele e da concentração de gordura corporal. O tratamento envolve hormônios e um possível ajuste para um estilo de vida mais saudável. Independentemente dos avanços em pesquisas e medicamentos, ainda não se descobriu um método preventivo mais eficaz do que a rotina anual de consulta com o ginecologista.

Publicado em 13/08/2010


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