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Hipertensão arterial: combate ao inimigo silencioso

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Novos métodos auxiliam o controle da pressão alta, reduzindo os riscos de doenças cardiovasculares

A hipertensão arterial é mais comum do que se costuma imaginar. No Brasil, cerca de 30% dos adultos têm pressão alta, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Na população acima dos 50 anos, a prevalência é ainda maior: chega a 50% das pessoas nessa faixa. Nem mesmo crianças e adolescentes estão livres do problema. Cerca de 5% deles convivem com os riscos associados a essa doença. Ela é extremamente grave, mas nem sempre recebe a atenção necessária.

A pressão alta pode provocar infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), lesões renais e outros danos irreversíveis ao organismo. “É a principal causa de infarto e AVC, responsáveis por 30% das mortes registradas no país”, afirma o Dr. Décio Mion, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, responsável pelo serviço de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e chefe da Unidade de Hipertensão do Hospital das Clínicas.

O que caracteriza a hipertensão é a elevação da pressão do sangue nas paredes das artérias, nos dois movimentos da circulação: a sístole (quando o músculo do coração se contrai para bombear o sangue para ser oxigenado pelos pulmões) e a diástole (quando o músculo cardíaco relaxa e o sangue oxigenado irriga todas as células do organismo). É considerada normal a pressão sistólica na faixa de 120 milímetros de mercúrio e a diastólica, em 80. Simplificadamente, fala-se em 12x8 como parâmetro para a pressão máxima e mínima.

A pressão costuma subir durante a prática de atividades físicas ou em situações estressantes. Mas, quando isso acontece de modo persistente, provoca lesões nas artérias e órgãos vitais, como cérebro, coração e rins. Estima-se que 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal sejam provocados pela hipertensão arterial.

A boa notícia é que, com os avanços na medicina, surgem novas descobertas sobre os mecanismos da doença, contribuindo para o desenvolvimento de técnicas mais eficazes para controlá-la.

Uma nova abordagem

O primeiro passo é confirmar o diagnóstico. Nem sempre a medição feita em consultório mostra o quadro real do paciente, que pode estar alterado pelo simples fato de estar frente a frente com o médico. O Mapa (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é o exame mais eficiente para isso. Ele é realizado com um aparelho que é acoplado ao corpo do paciente e faz medições automáticas a cada 20 minutos, dia e noite, durante 24 horas, fornecendo detalhes sobre as alterações na pressão. Já existem até mesmo sistemas de teletransmissão, que enviam os dados on-line ao médico.

Há um grande arsenal de remédios para o controle da doença. Mas a maneira como eles são prescritos faz toda a diferença. “Pesquisas mostram que tomar ao menos um dos medicamentos na hora de dormir reduz significativamente as chances de infarto e AVC”, informa o Dr. Fernando Costa Nary, cardiologista da Unidade de Medicina Preventiva da Unidade Jardins do Einstein. Isso acontece porque o medicamento noturno impede a elevação abrupta da pressão arterial ao acordar, um efeito comum em quem tem pressão alta.

Um estudo publicado em outubro de 2011 no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia relata a experiência de pesquisadores espanhóis que, durante mais de cinco anos, acompanharam cerca de 600 pacientes com doença renal medicados para pressão arterial. Metade deles ingeria ao menos um medicamento antes de dormir e a outra metade não. O primeiro grupo apresentou melhor controle da pressão, com uma diminuição de 67% no risco de acidentes cardiovasculares.

Esperança em novas técnicas

Mesmo quem recebe o tratamento adequado pode não obter bons resultados. Aproximadamente 10% dos pacientes sofrem de hipertensão resistente, que não cede com o uso de medicamentos. Para esses casos, estão sendo testadas técnicas inovadoras, ainda não disponíveis comercialmente. Um exemplo é o Rheos System, um pequeno aparelho instalado sob a pele, na área da clavícula. Ele estimula a atividade de receptores da carótida cuja função é enviar ao cérebro sinais de que a pressão está elevada, fazendo com que o organismo regule os batimentos do coração, desacelerando a pressão.

Outro procedimento em estudo é a eliminação de nervos renais responsáveis pelos processos de retenção de sódio e água que, em geral, estão relacionados à hipertensão. A técnica envolve a introdução de um cateter pela artéria femural, da virilha até os rins, e a aplicação de ondas de alta frequência que destroem esses nervos.

Pré-hipertensão

Um importante enfoque adotado pelos médicos atualmente é a identificação de quadros de pré-hipertensão. “O objetivo é cada vez mais identificar pessoas que estão no limite do saudável e têm risco de ter pressão alta”, afirma o Dr. Antonio Gabriele Laurinavicius, cardiologista do Centro de Check-up da unidade Jardins do Einstein. “A doença oferece riscos sérios, portanto, é preciso tratar o quanto antes”, reforça. No entanto, ainda é pequena a quantidade de pessoas que fazem isso. “Apenas 10% dos pacientes hipertensos no Brasil têm a pressão sob controle”, diz o Dr. Laurinavicius.

Ele lembra que a hipertensão desgasta precocemente o sistema vascular que nutre todos os órgãos, representando um risco para o desenvolvimento de várias doenças, além do infarto e do AVC. Cita como exemplo a retinopatia, alteração nos vasos dos olhos que pode provocar hemorragias e levar à perda da visão.

De acordo com o Dr. Décio Mion, o principal desafio ainda é a adesão ao tratamento. Como a doença evolui lentamente, muitas vezes sem apresentar sintomas, pacientes e até mesmo médicos acabam não dando a devida importância a ela. “As pessoas devem ser bem orientadas e acompanhadas de perto por profissionais que fazem parte da equipe médica, inclusive enfermeiros e farmacêuticos”, explica.

Estilo de vida saudável

Sabe-se que a pressão alta é causada por uma conjunção de fatores hereditários e de estilo de vida. Contudo, mesmo quem tem histórico familiar pode prevenir que a doença se manifeste adotando hábitos saudáveis. As principais recomendações são manter o peso ideal, praticar atividade física regularmente, ingerir pouca bebida alcoólica e consumir menos sal, um problema sério no Brasil. Aqui, o consumo médio diário varia de 10 a 14 gramas, quando o ideal é não passar das 5 gramas. “Está comprovada a relação entre o sódio, presente no sal, e a hipertensão. É fundamental reduzir esse fator de risco da alimentação”, recomenda o Dr. Fernando Costa Nary.

Outra prática não medicamentosa que tem se mostrado eficiente no controle da pressão arterial é respirar mais lentamente. Esse efeito já foi demonstrado por especialistas durante a prática de ioga e meditação. Médicos israelenses descobriram uma maneira de fazer com que esse benefício se prolongasse por mais tempo. Eles criaram um aparelho, batizado de Resperate, que consegue influenciar a redução do ritmo da respiração.

O sistema foi aprovado em 2002 pelo Food and Drug Administration (FDA), agência que regula a venda de medicamentos nos Estados Unidos. São duas peças: uma cinta que mede o ritmo respiratório e um fone de ouvido que transmite um pulso mais lento, induzindo a mudança de ritmo. A alteração interfere no sistema nervoso simpático, que regula os mecanismos de alerta do organismo, inclusive a circulação. Um estudo conduzido pelo Dr. Décio Mion, com o acompanhamento de 27 pessoas com grau leve de hipertensão, comprovou tais resultados. “Alguns pacientes apresentaram redução idêntica à obtida com o uso de medicamentos”, informa.

Todos esses são caminhos que se somam, ampliando o leque de alternativas para controle e tratamento da hipertensão. As novidades, sem dúvida, são bem-vindas. Mas o mais importante é ficar atento. Esse continua sendo um excelente ‘remédio’ para não se deixar enganar pela doença – discreta nos sintomas e lenta na evolução, mas que pode ser muito grave nos problemas que gera.

Publicado em 03/01/2012


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