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Tomossíntese, mais um aliado contra o câncer de mama

Até recentemente, as mulheres contavam principalmente com a mamografia para o rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de mama. Ela continua sendo o aliado mais importante. Mas um novo trunfo veio se juntar a ela: a tomossíntese.

Segundo a Dra. Ana Claudia Silveira Racy, radiologista do Einstein, a tomossíntese é uma evolução da mamografia digital lançada nos anos 2000. “A mamografia digital trouxe ganhos em relação à tecnologia analógica, permitindo o pós-processamento da imagem, com recursos para correções, ajustes e ampliações, além de facilitar o registro do histórico da paciente por meio do arquivamento eletrônico dos resultados. A tomossíntese é mais um avanço, uma vez que possibilita a reconstrução das mamas em vários cortes de alta resolução com espessura de 1 mm cada”, afirma.

Em três dimensões

Enquanto a mamografia digital permite a visualização bidimensional (2D), capturando a imagem de um ponto fixo, a tomossíntese é um exame em 3D. Ela realiza uma varredura da mama captando imagens em vários ângulos seqüenciais e um software processa essas imagens para a reconstrução tridimensional. De acordo com a médica, o sistema oferece detalhes que permitem identificar tumores mais facilmente, principalmente em mamas mais densas, diferenciando-os, por exemplo, de uma simples sobreposição de estruturas glandulares, algo comum nas mamografias de pacientes mais jovens.

Os dois exames são realizados de maneira similar, num equipamento que faz tanto a mamografia digital como a tomossíntese. O tempo de compressão da mama no aparelho é um pouco maior na tomossíntese, porém praticamente imperceptível pela paciente. A radiação emitida também é ligeiramente superior. Mas isso acaba sendo compensado pelo fato de a mamografia exigir, com frequência, imagens complementares (e, portanto, maior exposição à radiação) a fim de extinguir dúvidas de diagnóstico.

A tomossíntese foi aprovada em 2011 pelo Food and Drug Administration (FDA), o órgão que regulamenta o setor de saúde e alimentos nos Estados Unidos; e um pouco antes disso pelo órgão brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Quando devo fazer uma mamografia

Como é feito o diagnóstico do câncer de mama?

É possível prevenir o câncer de mama?

Com qual frequência devo fazer o autoexame?

Casos específicos

O avanço tecnológico, porém, não faz da tomossíntese um recurso a ser aplicado indiscriminadamente. “Trata-se de um método novo, indicado para determinados casos. Não é para todas as mulheres e não é ainda para rastreamento”, destaca o Dr. Antonio Frasson, mastologista do HIAE. “Esse exame pode acrescentar informações em casos específicos, como os de pacientes com mamas densas, e que geram dúvidas de diagnóstico”, completa. Além disso, a tomossíntese é um exame mais caro que a mamografia. Mas a diferença de custo pode acabar sendo compensada pela redução de reconvocações da paciente – 74% menor, segundo um estudo realizado em Trento, na Itália.

De qualquer forma, a chegada da tomossíntese é especialmente bem-vinda para mulheres mais jovens. Embora o câncer de mama seja menos frequente antes dos 35 anos, algumas pacientes precisam começar cedo a fazer exames preventivos em função de fatores de risco específicos. Como é principalmente nas pacientes mais jovens que a mamografia tem menor sensibilidade, pois um tumor de mama pode estar “escondido” no meio da densidade da glândula, a tomossíntese pode ser valiosa nessas pacientes, pois reduz a sobreposição das estruturas. Nessas mulheres, a tomossíntese pode ajudar na identificação de tumores iniciais, diminuindo a necessidade de exames complementares para eliminar dúvidas de diagnóstico.

Depois dos 40 (faixa etária a partir da qual cresce a incidência de câncer de mama), a mamografia deve ser realizada anualmente, e a associação com a tomossíntese pode aumentar sua eficácia. Esse aumento de sensibilidade é proporcionalmente maior quanto mais denso for o tecido mamário.

Apesar da substituição gordurosa das mamas começar perto dos 40 anos, este é um processo de evolução lenta e que depende de vários fatores (genéticos, gestação e amamentação, constitucional, etc.). Portanto, não é raro termos pacientes mais velhas com mamas densas.

A mamografia continua sendo o exame recomendado para o rastreamento do câncer de mama e o principal responsável por diminuir a mortalidade graças ao diagnóstico precoce. Vale lembrar que o câncer de mama é o segundo mais frequente no mundo (responde por 22% dos novos casos da doença a cada ano) e é o mais comum na população feminina. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que só em 2012 serão diagnosticados 52.680 novos casos no Brasil.

O aspecto positivo é que, quando o tumor é identificado logo no início, as chances de cura são superiores a 90%, podendo passar de 95% quando o nódulo tem menos de 1 centímetro. Um estudo realizado na Suécia, revisado em 2011, que acompanhou pacientes de 40 a 70 anos nos últimos 20 anos, concluiu que o índice de mortalidade é 40% menor entre as que realizam mamografia anualmente em relação àquelas que não fazem esse acompanhamento.

Portanto, realizar os exames regularmente faz toda a diferença – com a mamografia de maneira geral ou adicionando-se a tomossíntese. Afinal, novas ou tradicionais, as tecnologias médicas existem para ajudar a salvar vidas e a preservar a saúde.

Publicado em 29/03/2012


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