Tecnologia e Inovação

Cirurgia reduz risco de câncer de mama

O câncer de mama é a quinta causa de morte por câncer no mundo e o segundo tipo mais frequente, pois aproximadamente 7% das mulheres devem desenvolver a doença durante a vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de novos casos da doença são diagnosticados anualmente e a incidência está aumentando em países europeus, afetando uma a cada 16 mulheres.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimaram que, em 2008, o número de novos casos no Brasil atingiriam 49.400. Desse total, entre 10% e 15% são hereditários.

“Quando a mãe ou a irmã tiveram câncer de mama ou de ovário antes dos 40 anos, as chances dessa mulher aumentam significativamente”, explica o dr. Silvio Bromberg, mastologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Essas pacientes são consideradas de alto risco e devem passar por controle maior, com exames a cada seis meses, que incluem: exames clínicos e ultrassonografia (semestrais), mamografia e ressonância magnética (anuais), a partir dos 25 anos, dependendo do histórico familiar.

Apesar de a incidência do câncer de mama ser pequena nos homens – aproximadamente 1%, nos casos de histórico familiar e na presença de ginecomastia (desenvolvimento de mama no homem) –, eles também devem fazer exames a cada seis meses. Existem ainda medicações preventivas que em alguns casos também podem ser indicadas, pois diminuem o risco de desenvolver o câncer de mama em até 49%.

Tudo isso porque o diagnóstico precoce permite obter a cura em mais de 90% dos casos. Mesmo assim, conviver com essa bateria de exames periódicos e com a possibilidade de enfrentar um câncer não é simples; por isso, algumas mulheres com alto risco de ter a doença optam por uma cirurgia profilática, conhecida como cirurgia redutora de risco.

Como identificar o alto risco

Para ser considerado paciente com altas chances de desenvolver a doença, é preciso ter comprovado histórico familiar de câncer de mama ou de ovário e, ainda, passar por exames criteriosos. Entende-se por alto risco:

  • um caso de câncer de mama bilateral ou um caso de câncer de mama e de ovário;
  • um caso de câncer de mama em familiar de primeiro grau (mulher) com idade abaixo de 40 anos ou familiar de primeiro grau (homem) em qualquer idade;
  • dois casos de câncer de mama em familiares de primeiro ou de segundo graus com idade inferior a 60 anos ou dois casos de câncer de ovário em qualquer idade;
  • três casos de câncer de mama em familiares de primeiro ou de segundo graus ou três casos de câncer de ovário em familiares de qualquer idade;
  • quatro casos de câncer de mama ou de ovário em três gerações, em qualquer idade.

“Além de ter familiares próximos com casos de câncer de mama, para ser considerada paciente de alto risco são necessários alguns procedimentos. Passar por um estudo clínico aprofundado e até mesmo por teste genético para identificar alguns marcadores, como os genes BRCA1 e BRCA2 - responsáveis por grande parte dos cânceres de mama hereditários -, para ter a indicação da cirurgia de redução de risco”, pondera o dr. Auro Del Giglio, oncologista, Gerente Médico do Programa Integrado de Oncologia do HIAE e professor titular de oncologia da Faculdade de Medicina do ABC.

Esse tipo de exame genético é realizado em laboratórios de alta complexidade e foi introduzido no Brasil pelo HIAE. “O Conselho Regional de Medicina orienta que os critérios de indicação para esse tipo de procedimento sejam extremamente rígidos e comprovados, pois é uma cirurgia de porte. Além disso, é preventiva, ou seja, estamos operando um paciente saudável como profilaxia à doença”, afirma o dr. Silvio Bromberg. “Mas só quem já viveu vários casos de câncer na família sabe que esse tipo de cirurgia surge como um alívio e como a possibilidade de viver sem o medo de passar pelo mesmo problema”, completa o mastologista.

Vida reconstruída

A técnica da cirurgia de redução de risco teve início há mais de 20 anos, mas foi na década de 1990 que começou a ganhar popularidade e a ser encarada com mais naturalidade, tanto pela comunidade médica como pelas pacientes. O procedimento consiste na retirada parcial ou total das glândulas mamárias, por uma incisão na aréola, e na reconstrução da mama com o auxílio de próteses de silicone. Há alguns casos, dependendo do histórico familiar e do resultado da análise genética, em que também é necessária a retirada dos ovários. “Atualmente, contamos com critérios claros para a identificação dos casos de alto risco e tivemos uma grande evolução das técnicas cirúrgicas para a reconstrução mamária, que permitem uma exata seleção de casos e um excelente resultado estético”, afirma o professor e dr. João Carlos Sampaio Góes, mastologista e cirurgião do HIAE e diretor do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer.

Mas só quem já viveu vários casos de câncer na família sabe que esse tipo de cirurgia surge como um alívio e como a possibilidade de viver sem o medo de passar pelo mesmo problema

Mestre no assunto, o dr. Sampaio Góes realiza a cirurgia de redução de risco há mais de duas décadas, já apresentou dezenas de trabalhos sobre o assunto e inovou as técnicas do procedimento. Em 1995 desenvolveu, em parceria com o também cirurgião gastroenterologista dr. Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo, no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), uma técnica de reconstrução de mama que utiliza, além da prótese de silicone, gordura intra-abdominal, chamada de epíploo que, retirada por videolaparoscopia, recobrirá a prótese e preencherá, de forma adequada, o vazio deixado pela adenectomia mamária.

“Tínhamos o desafio de preencher a mama da maneira mais natural possível. Depois da retirada do tecido mamário, permanece apenas uma fina camada de pele, e a colocação da prótese nem sempre era suficiente para obter um bom resultado estético. Com essa nova técnica, os resultados estéticos são extremamente naturais, como também garantimos segurança no procedimento cirúrgico”, explica o dr. Sampaio Góes. O procedimento cirúrgico criado pelos médicos brasileiros já é utilizado por mais de dez equipes cirúrgicas no mundo.

Atualmente, contamos com critérios claros para a identificação dos casos de alto risco e tivemos uma grande evolução das técnicas cirúrgicas para a reconstrução mamária, que permitem uma exata seleção de casos e um excelente resultado estético

Apesar dos ótimos resultados cirúrgicos e da redução do risco de câncer de mama em mais de 95% das pacientes, os três especialistas do Einstein são categóricos em afirmar que é importante que a paciente com alto risco da doença procure mais do que uma equipe médica experiente nesse tipo de procedimento. E ainda deve refletir muito sobre seus benefícios e suas consequências, pois essa é uma cirurgia de grande porte e que, como qualquer outro procedimento, tem seus riscos.

Em busca de novos marcadores

Uma parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) e o Hospital A. C. Camargo, realizada em 2007, propiciou o início de uma pesquisa com mulheres que tiveram câncer de mama com menos de 35 anos.

O objetivo é delinear características familiares e perfis genéticos dessas pacientes. Foram analisados até o momento cerca de 60 casos que se enquadram nessa situação. “Além dos genes conhecidos BRCA1 e BRCA2, estamos observando a existência de perfil genético familiar para maior risco de câncer de mama. Esperamos em breve, com esses estudos, encontrar um caminho para a melhor identificação das mulheres com alto risco de câncer. Queremos tratar os problemas do futuro no presente”, diz dr. Sampaio Góes.

Publicada em novembro/2008

Atualizada em setembro/2009

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