Tecnologia e Inovação

Guaraná melhora cansaço provocado pela quimioterapia

Pesquisa do Einstein descobre que planta amazônica é mais efetiva que outros estimulantes.

Guaraná melhora cansaço provocado pela quimioterapia

Uma pesquisa inédita, realizada por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein e da Faculdade de Medicina do ABC, descobriu que o guaraná – planta nativa da Amazônia e utilizada geralmente como estimulante - pode ser usado para tratar o cansaço de mulheres com câncer de mama em tratamento com quimioterapia.

Ainda não existem tratamentos comprovados para reduzir a fadiga em pacientes com câncer. Outros estimulantes foram avaliados, como o metilfenidato (Ritalina) - medicamento usado no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade - mas nenhum atingiu os resultados positivos apresentados pelo guaraná.

"O efeito do guaraná sobre a fadiga dessas mulheres é curioso. Ainda não sabemos como ele age, mas sabemos que é capaz de diminuir o problema", explica o oncologista do Einstein, Dr. Auro Del Giglio, coordenador da pesquisa.

"Existe alguma substância no guaraná que produz esse efeito. Apesar de conter cerca de 5% de cafeína, não acreditamos que seja essa a razão, já que o café não apresenta os mesmo resultados", afirma.

A utilização do guaraná para tratar o cansaço de mulheres em tratamento de câncer de mama é tema de uma tese de mestrado apresentada por uma aluna do Dr. Auro Del Giglio.

"Iniciamos a pesquisa com pacientes de câncer de mama, mas a ideia agora é estudar a aplicação do guaraná no tratamento de outros tumores. Também iniciaremos um estudo mecanístico, ou seja, para entender o mecanismo que faz com que essa planta apresente esses resultados", explica o médico.

O estudo

A pesquisa envolveu 75 mulheres em tratamento de câncer de mama na Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, em Santo André, São Paulo. Elas foram divididas em dois grupos: um deles recebeu 50mg de extrato de guaraná, duas vezes ao dia, e o outro recebeu apenas placebo (sem nenhuma substância).

Além do acompanhamento clínico por médicos e pesquisadores, as mulheres preencheram questionário para avaliar o seu nível de fadiga diário. Ao final de 21 dias, o estudo mostrou que 66% das pacientes do primeiro grupo relataram melhora, o que aconteceu com somente 13% do outro grupo.

"Além de efetivo, o guaraná é barato e não tóxico, por isso queremos ampliar o estudo e saber de que outras formas ele pode ser utilizado", conclui o oncologista.

Publicado em setembro/2010

Precisa agendar? Clique aqui para encontrar um médico

Publicado em  


Compartilhe

Deixe um comentário

* *
* Caracteres restantes: 500
* Campos Obrigatórios

Aviso: todo e qualquer comentário publicado na internet por meio deste sistema não reflete, obrigatoriamente, a opinião deste portal ou da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein. Os textos publicados são de exclusiva, integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. O Hospital Israelita Albert Einstein reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou, de alguma forma, prejudiciais a terceiros. Informamos ainda que poderá haver moderação dos comentários que apresentarem dados clínicos ou pessoais dos autores, visando garantir a privacidade destas informações. Textos de caráter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação (nome e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.