Bem-estar e Qualidade de Vida

O medo: amigo útil, mas antipático

O medo é a inteligente e a indispensável resposta do organismo à percepção de um perigo. Quando a percepção é inadequada, o medo vai ser também indequado e desproporcional. O que se deve fazer não é evitá-lo simplesmente, mas melhorar o realismo das avaliações.

O homem primitivo tinha medo realista de morrer de fome, de frio, de pisada em espinho, de mordidas de tiranossauro etc. Mais tarde, as doenças como a peste, a tuberculose, as imprevisíveis mudanças climáticas, as invasões de exércitos inimigos, o risco temido por Obelix e seus amigos gauleses (de que o céu caísse sobre as suas cabeças) - tudo sendo interpretado como manifestações da ira divina - não faziam com que os medos fossem menores.

Creio que a vida de hoje, com sua violência e suas violações, não me parece mais assustadora do que as épocas anteriores. Hoje temos a vantagem de podermos nos livrar dos medos irracionais por meio de tratamentos psicoterapêuticos verbais e medicamentosos, quando antes isso era deixado para bençãos, exorcismos e poções mágicas.

Exemplos de medos comuns:

Medo de viajar de avião: eu não conheço ninguém que tenha medo de avião, claro, mas conheço muitos que têm medo de estar voando no avião, porque este pode cair a qualquer momento. A possibilidade é de 50%, (ou cai, ou não cai), mas a probabilidade é de uma para dezenas ou centenas de milhões. Se a avaliação do risco é competente e realista, o medo decorrente é pequeno; mas quando o chefe da avaliação é ingênuo e pessimista, apega-se à possibilidade e aí o medo decorrente é muito alto.


Medo de falar em público: se a pessoa se considera despreparada e antipática e, ainda, acha que o auditório vai ser hostil, o medo tem que ser grande, até paralisante. Se a pessoa está livre para reconhecer o seu preparo e, ainda, sabe que os auditórios são feitos de gente como nós, então o medo é moderado e estimulante, para que a pessoa se prepare bem e para que faça uma boa apresentação.

A famosa síndrome do pânico: aqui os sintomas são altamente desconfortáveis. Se durante a avaliação o indivíduo, ingenuamente, acha que aquilo é o começo da morte, o medo é avassalador; se a avaliação entende que aquilo é apenas um momento bastante desagradável, o medo é pequeno e dá lugar à paciente espera de que aquela onda passe.

É comum que as pessoas tenham erros de avaliação por erro no projeto original. Na verdade, uma das principais qualidades do ser humano é a sua incrível capacidade de aprender. Aprendemos muito depressa, mas infelizmente padronizamos depressa demais o que foi aprendido.

A maior e mais importante parte da definição do nosso estilo de ser, do padrão de avaliar a si próprio e aos outros, é feita na infância e no começo da adolescência. É realmente preocupante constatar que repetimos hoje os padrões de avaliação e o estilo de ser que nos foi possível elaborar lá pelos nossos nove, 10 e 11 anos.

Sabemos todos, por experiência própria, que livrar-se de um estilo inadequado é tão difícil quanto, para um estrangeiro, livrar-se do sotaque original. Quando houver um recall, esta deverá ser uma das primeiras características a serem modificadas pelo projetista-chefe.

E o pessimismo nas avaliações é pior que o otimismo? O melhor, claro, é o equilibrado realismo.

Mas um pequeno pessimismo é muito útil: para evitar um mau resultado, o pessimista suave revê o que fez, capricha mais e o resultado fica melhor. O otimista pode achar que já está bom e não progride mais.

No começo, havia dois tipos de seres humanos: os ligeiramente otimistas e os ligeiramente pessimistas. Parece que aqueles morreram antes e estes duraram mais, embora tenham se divertido menos.


Dr. Mauro Moore Madureira é psiquiatra do Einstein

Publicado em agosto/2011


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09/03/2012 10:06:24

Ana Paula Alves

Fui diagnosticada com depressão, síndrome do Pânico e TAg, então o médico prescreveu: lexapro 20mg 12 gts, ansitec 10mg 2 comp(1 dia, 1 noite), Lamitor 50mg 1 comp. noite. É possível ter isso tudo ao mesmo tempo? Será que algum dia algum dia vou mestar curada?

Resposta:

Olá Ana Paula, Para uma avaliação mais detalhada e precisa, você deve procurar o médico que acompanha seu caso. Só ele pode esclarecer todas as suas dúvidas. Caso queira, disponibilizamos duas formas de indicação médica. Por meio da nossa Central Médica, pelo telefone 11 2151-1233, ou pelo nosso site http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx.

10/01/2012 10:40:31

Sueli

Meus Parabens DR.Mauro, interessante o texto vejo o medo como uma visão de alerta em nosso dia a dia. Sabendo, administrar nos tornamos equilibrados.

Resposta:

Agradecemos o seu comentário, fique à vontade também para nos mandar sugestões de temas do seu interesse. E convidamos você a continuar acompanhando o Einstein tanto pelo site, quanto pelos nossos canais oficiais do Facebook: https://www.facebook.com/HospitalAlbertEinstein, do Twitter http://twitter.com/#!/hosp_einstein e do YouTube http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein.

14/12/2011 16:33:47

Viviane Alckmin

Doutor, sugiro ler o livro "Medo - O controle em suas mãos" (Ed. Saraiva), de Rodrigo Batalha. O autor é a maior autoridade em medo do país. Foi o que me fez enxergar o medo de uma maneira realista e menos ilusória, e aprender a domina-lo com perfeição. Vale a pena ler e aprender um pouco mais, e pelo que ele ensina, o medo vai muito, mas muito além.

08/12/2011 11:01:56

alessandra

bom dia!!vejo sempre todas as matérias,mas tinha medo de comentá-las!!criei coragem com essa..sou muito ansiosa querendo sempe ser perfeita tenho crise d pânico por isso agora q já sei o que me deixa e quais seus sintomas respiro fundo e espero passar(10minu.)aff!!obrigada pelas matérias!!parabéns!

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Olá Alessandra, obrigado por nos enviar seu comentário e participar da nossa matéria contando a sua experiência. Fique à vontade também para nos mandar sugestões de temas do seu interesse. E convidamos você a continuar acompanhando o Einstein tanto pelo portal, quanto pelos nossos canais oficiais do Facebook (https://www.facebook.com/HospitalAlbertEinstein), do Twitter (http://twitter.com/#!/hosp_einstein) e do YouTube (http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein).

25/11/2011 22:51:59

Winnie Gottheiner

Texto excellente, muito esclarecedor e traquilizador. Hoje em dia felizmente estamos também descobrindo o maravilhoso amor incondicional de Deus, que cuida de nós. Eu era muito medrosa, mas quando experimentei a imensidão do amor de Deus por mim o mêdo se foi e comecei realmente a viver em liberdade. pois como diz a Palavra "O Amor lança fora o temor". Claro que quando me deparo com situações desconhecidas e assustadoras, às vezes volto aos meus 11 anos, mas a fé sai vencedora trazendo a Paz.

13/11/2011 03:40:05

Jorge Nunes

OK .Só um detalhe:O homem primitivo não tinha medo de ser mordido por um Tiranossauro porque eles foram extintos antes do homem aparecer na Terra....é o que a ciência diz....

23/10/2011 13:08:57

PAULO ROBERTO DA SIL

Parabéns Dr. Mauro pelo artigo, muito coerente sua definição de medo, o medo é uma dos primeiros comportamentos que aprendemos a desenvolver, o papel de nossos pais é fundamental nesse processo, pois, consequencias importantes podem ocorrer como a insegurança, medo de falar em público ou de se expressar em determinados grupos sociais entre outros, não nascemos com medo, mas, aprendemos a desenvove-lo e com muito esforço, a controlar. Um grande abraço! Paulo Roberto da Silva - Psicólogo Clínico

11/10/2011 16:15:17

tatiana

O texto foi muito tocante, tendo em vista que todos nós temos medo de algo,mais pode ser vencido. abraços a todos

Resposta:

Olá Tatiana, ficamos felizes por gostar do nosso conteúdo. Trabalhamos cada dia mais para trazer assuntos de grande interesse em saúde e bem-estar. Além do site, temos outros canais que você poderá gostar. Nos acompanhe no Facebook (https://www.facebook.com/HospitalAlbertEinstein), Twitter (http://twitter.com/#!/hosp_einstein) e YouTube (http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein).

02/09/2011 14:22:21

Vicktor henrique

Doutora gostei muito de sua publicaçao, procuro me informar de tudo que a de novo na área médica, seja lendo revistas como a veja ,que publica semanalmente a pagina eisten e foi o que me levou até aqui e lendo coleçoes de saúde, terapia, bem estar, doenças entre outros.O motivo dessa dedicação toda e a inspiração em minha irmã, que é médica anestesista e também quero ser médico cardiologista pois acho fantastica e surpreendente a rede de vasos sanguineos do ser humano. Prestigio muito o hospital Israelita Albert eisten pela sua competencia o que o levou a ser um dos hospitais mais prestigiados do brasil.

Resposta:

Olá Vicktor, obrigado por nos enviar seu comentário. Sucesso em sua carreira e não deixe de acompanhar nosso portal. Esperamos sempre ajudá-lo com o melhor conteúdo e as melhores informações em saúde.

13/08/2011 10:54:28

Lilian Davies Sobral

Dr. Mauro, acho suas definições incrivelmente assertivas. Adorei o texto e o tema da reflexão! Repito uma frase sua que vou procurar sempre levar comigo "O que se deve fazer não é evitá-lo (serve para qualquer sentimento) simplesmente, mas melhorar o realismo das avaliações" Parabéns pelo texto! Abraços

10/08/2011 12:30:44

Fábio Batistuta

Escrevi um texto muito parecido no meu blog há cerca de um ano e fico feliz que um especialista de um hospital tão renomado tenha se espressado de maneira tão clara e para minha vaidade, dentro daquilo que comungo plenamente. Parabéns. No entanto gostaria de fazer uma pequena correção, desprezível para o contexto, mas que aos olhos de outro chato como eu possa parecer uma aberração: -É que um ser humano nunca se deparou com um dinossauro pelos mesmos terem sido extintos há 65 milhões de anos!

     
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