Bem-estar e Qualidade de Vida

Timidez sob controle

Quando a professora começava a separar os alunos que teriam os papéis principais na peça de fim de ano, você queria sair correndo e se trancar no banheiro? Para apresentar um seminário você sempre tinha uma desculpa para não ter de falar? Nas reuniões da empresa você procura um lugar discreto e só faz comentários ou expõe suas opiniões – muito a contragosto – se o seu chefe questionar?

Calma, você, assim como a maioria das pessoas, passa por situações em que a timidez se sobressai.

Timidez sob controleEssa sensação faz parte da personalidade e está presente em todos, bem como o otimismo ou o pessimismo. Entretanto, o limite entre a timidez considerada normal e a que pode trazer problemas é tênue. Não há nada de mais em se sentir envergonhado ao ter de expor o ponto de vista diante de diversas pessoas. O problema é querer fugir de uma situação como essa por não suportar a pressão ou se ver diante de uma reação negativa.

Não há nada de mais em se sentir envergonhado ao ter de expor o ponto de vista diante de diversas pessoas

“A partir do momento em que a timidez faz com que se evitem determinadas situações ou ainda apresente sintomas como sudorese intensa, taquicardia, náusea e dores abdominais diante de tal desafio, é sinal de que esse comportamento pode estar em excesso”, alerta Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Fobia social

Quando o mal-estar diante da exposição foge do controle, passa a não ser mais apenas um traço da personalidade, mas uma síndrome chamada fobia social. Situações como aparecer em público, expor opiniões e manter contato com alguém do sexo oposto ou com autoridades, paralisam e causam fortes sintomas em quem sofre de fobia social. Uma pessoa tímida ficaria ruborizada, mas enfrentaria a situação.

Os casos de fobia social dividem-se em três grupos:

  • os que não temem a interação social e sentem maior comodidade em ficar sozinhos em companhia das próprias idéias;
  • aqueles que apresentam baixa confiança e por isso não querem se expor;
  • os que sentem medo de não corresponder à expectativa social e cultural que possam ter em relação a ele.

Para diagnosticar um caso de fobia social é preciso avaliar sintomas como sudorese intensa e taquicardia em conjunto com os da timidez considerada normal, como ansiedade antes da situação, medo e sofrimento.

Não há faixa etária ou sexo em que a fobia social se manifeste com mais freqüência, embora o problema tenha relação com a infância. “Percebe-se que adultos tímidos foram crianças ou adolescentes envergonhados. Os gatilhos do problema são múltiplos; por exemplo, pais agressivos que fazem com que os filhos tenham uma percepção hostil do mundo; fazer parte de uma família afetivamente fria; durante a infância ter passado por experiências silenciosas ou públicas de humilhação; ou ainda problemas familiares que causem humilhação”, explica Ana Merzel.

Tem tratamento

A máxima “Uma vez tímido, sempre tímido” não é totalmente verdade. Conviver com esse traço de personalidade, tudo bem. Deixar que isso atrapalhe a vida, não. É possível tratar o problema com terapia. Ao perceber os sintomas, é recomendável procurar um psicólogo para orientação.

“Questões como insegurança por desconhecimento de si, receio do que os outros possam pensar e medo de ‘dar vexame’ em público podem ser abordadas com auxílio de psicoterapia, que tem como objetivo ampliar as condições do indivíduo, dando-lhe recursos para enfrentar situações adversas e, assim, diminuir a necessidade de aceitação plena e total de todos”, explica a dra. Daniela Werebe, psiquiatra do Einstein.

Já a fobia social é considerada um transtorno mental e requer atendimento psiquiátrico, com utilização de medicamentos aliados à psicoterapia. “Esses casos impõem uma condição limitante, que em situação de exposição passa a ter sintomas de ansiedade importantes que precisam ser controlados”, salienta a dra. Daniela.

Dezembro / 2008


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11/01/2010 16:31

Fabiana C. Rocha

Dra. Daniela Werebe, ouvi a entrevista sobre TOC na CBN e gostei muito de você. Tenho 36 anos e sofri muito, durante aproximad/te 13 anos da minha vida, até ir pro fundo do poço e começar o tratamento do TOC. Me trato a 1 ano e meio com um psiquiatra. Fiquei outra, uma nova pessoa Graças a Deus. Iniciei o trat. c/ 80 mg de paroxetina p/dia, depois introduziu o Rivotril, no início 6 ou 5 gotinhas/3 ou 4 x p/dia, e hoje tomo 40 mg e rivotril, não faço psicoterapia. Não estou 100% o que vc acha?

     
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