2,5% da população têm a doença e a maioria só descobre na fase avançada, com alto risco de câncer de fígado.
A hepatite C é a principal causa de transplantes de fígado em todo o mundo e, de acordo com estimativas oficiais do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde, o Brasil sofre hoje de uma endemia intermediária da doença.
Estima-se que, no mínimo, 2,5% da população brasileira esteja infectada. E o pior é que a maior parte destes indivíduos, presentes nos centros urbanos das regiões sul e sudeste, não sabe que portam o vírus. Este cenário aumenta imensamente o risco de transmissão e potencializa a situação endêmica.
Doença silenciosa
A hepatite C inicia-se como uma doença discreta, com poucos ou nenhum sintoma na maioria dos casos.
É muito comum que indivíduos descubram ser portadores da doença somente em fases avançadas, quando já há cirrose instalada ou mesmo o câncer primário do fígado – chamado também de hepatocarcinoma.
No Brasil, por exemplo, 56% dos indivíduos com este tipo de câncer são portadores de hepatite C. Pelo diagnóstico tardio, muitos deles são privados de tratamentos com chance de cura.
Se descoberto precocemente, este tipo de câncer possui diversas modalidades de tratamento com potencial curativo. Já se o tumor estiver em estágio avançado, com o fígado bastante prejudicado, as chances de cura são muito menores.
Grupos de risco
Entre os principias grupos de risco para hepatite C estão:
- Indivíduos que receberam transfusões de sangue e derivados antes de 1993
- Usuários de drogas injetáveis ou inalatórias
- Pacientes em hemodiálise
- Pessoas submetidas a implantes de piercing ou a tatuagens
- Frequentadores de manicures em que não há adequada esterilização de materiais
Diagnóstico
O diagnóstico da hepatite C é bastante simples e depende somente de exames de sangue comuns.
Quando confirmado o diagnóstico, é necessário determinar a gravidade da doença e as reais necessidades de tratamento para cada indivíduo, conforme exames adicionais: como a biópsia hepática (procedimento invasivo que retira um pedaço do fígado para análise) e a elastografia (não invasivo, que analisa o estágio cirrótico do órgão por meio de uma espécie de ultrassom).
Tratamento
A decisão pelo tratamento da hepatite C depende de médicos especializados em conjunto com seus pacientes. No processo, os medicamentos utilizados apresentam efeitos colaterais diversos e, muitas vezes, difíceis de serem tolerados. Indivíduos que possuem a doença em fase muito avançada podem apresentar riscos consideráveis se forem tratados.
O horizonte, no entanto, traz novidades. Duas novas drogas foram aprovadas nos EUA para serem usadas tanto em indivíduos que nunca foram tratados, como naqueles que não obtiveram sucesso com o tratamento convencional.
Estes medicamentos ainda não estão disponíveis para uso corriqueiro no Brasil, mas trazem nova esperança a médicos e pacientes.
Como o tratamento da hepatite C é bastante caro, ele impõe um pesado ônus aos sistemas de saúde em todo mundo.
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Fonte: Dr. Guilherme Felga – hepatologista clínico do Einstein
Publicado em julho/2011