Em Dia com a Saúde

Crianças e adolescentes também têm estresse

O estresse não mais atinge apenas adultos. Crianças e adolescentes - com agendas tão lotadas quanto a de seus pais - também sofrem desse mal da sociedade contemporânea.


Crianças e adolescentes também têm estresse
No livro Crianças Estressadas, a psicóloga Marilda Emanuel Novaes Lipp, explica que essa é uma reação do organismo a situações muito difíceis ou muito excitantes e que pode manifestar-se em qualquer pessoa, idade, raça, sexo ou situação socioeconômica.


A resposta de estresse dada pelo organismo tem quatro fases:


  1. Alerta: a pessoa utiliza a fonte do estresse como revigoramento para enfrentar a situação;

  2. Resistência: o indivíduo tem vontade de abandonar tudo e desistir de viver;

  3. Quase exaustão: nível em que começam a aparecer doenças como gastrite, pressão arterial alta, elevação do colesterol, quedas abruptas de pressão;

  4. Exaustão: o quadro piora e, mesmo que seja raro, pode levar à morte.

Há várias maneiras de combater o estresse, incluindo boa nutrição, prática regular de exercícios físicos e relaxamento. De acordo com Marilda, os três são coadjuvantes e atuam da seguinte maneira:

  • alimentação: a ingestão de legumes, verduras e frutas repõe o que o estresse destitui, a saber: o complexo B, principalmente B6 e B12, magnésio e vitamina C;
  • exercícios e relaxamento: produz endorfinas, responsáveis pela sensação de bem-estar.

Os remédios combatem apenas os sintomas das doenças causadas pelo estressor (aquilo que causa o estresse). Assim, o auxílio maior vem mesmo da psicoterapia. “Existem diferentes graus de estresse. Alguns podem ser amenizados, mudando-se pequenas rotinas em casa; outros, pedem a ajuda de uma psicoterapia e outros ainda precisam de terapia medicamentosa”, explica Fábio Pinato Sato, psiquiatra infantil do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Adolescentes: o drama do vestibular

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) apontou que 41% de 295 pré-vestibulandos são estressados.

Os pais acabam alimentando o estresse do adolescente porque fazem pressão sobre eles, com preocupações do tipo: ‘se você não passar na faculdade não será nada na vida'. “Todo mundo acha que se o jovem pára um pouco para se distrair, está perdendo tempo que poderia aproveitar estudando. Mas é preciso dosar trabalho intelectual e lazer. Ninguém deve só estudar. É importante que o adolescente assista a uma televisão, leia um livro, saia”, orienta a especialista. Sua recomendação para quem vai prestar vestibular: estudar sempre no mesmo horário e com o material organizado e manter horários determinados também para se exercitar e descansar.

Crianças: fazer menos, brincar mais

No caso das crianças, são fatores estressores: mudanças significativas e constantes; excesso de responsabilidades e atividades; brigas e separação dos pais; morte; sensação de rejeição; doença; nascimento de um irmão; medo; troca de professora ou de escola; estresse de pais e professores; ambiente competitivo de algumas escolas; e até mesmo a obrigação de frequentar uma colônia de férias.

Meninos e meninas precisam construir sua identidade. Mas, hoje, nossas crianças não têm mais tempo para ser crianças.

“Meninos e meninas precisam construir sua identidade. Mas, hoje, nossas crianças não têm mais tempo para ser crianças. Estão tão ocupadas com trabalhos, estudos e treinos, que não podem mais brincar, criar e descansar”, explica Soraya Gomiero Fonseca Azzi, psicóloga da Pediatria do HIAE.

Os sintomas do estresse infantil costumam ser mudanças súbitas de comportamento (como ficar mais nervoso ou mais retraído), agitação, ansiedade e incidência de pesadelos. O diagnóstico deve ser buscado rapidamente para que o tratamento adequado seja iniciado.

Uma criança estressada pode sofrer consequências:

  • físicas: como a queda do sistema imunológico, tornando o pequeno mais vulnerável às infecções e doenças contagiosas;
  • emocionais e sociais: como gagueira, tique nervoso e baixo rendimento escolar.
  • na vida adulta: tornando-se uma pessoa sem resistência para suportar problemas.

A maneira mais fácil de prevenir o estresse é ter uma relação saudável com seu filho. De acordo com Soraya, os pais devem ajudar meninos e meninas a organizar suas atividades e eleger prioridades. “A grande lição é mostrar que a construção de qualquer coisa na vida é um processo”, enfatiza a psicóloga.

Para Eduardo Juan Troster , coordenador médico do Centro de Terapia Intensiva Pediátrica do HIAE, as crianças devem fazer menos atividades extracurriculares, praticar esportes diariamente e receber - da escola e da família - valores sólidos, menos consumistas. “Como diria Ghandi: simplificar as necessidades”, ensina.

Publicada em novembro/2006

Atualizada em novembro/2009

10/08/2011 17:37:52

Adriana

Gostei muito da matéria e gostaria de ter mais informações sobre tic nervoso.

Resposta:

Adriana, agradecemos seu comentário e vamos colocar sua sugestão em nossas reuniões de pauta para abordarmos posteriormente. Fique à vontade também para nos mandar mais sugestões de temas do seu interesse. E convidamos você a continuar acompanhando o Einstein tanto pelo portal, quanto pelos nossos canais oficiais do Facebook (https://www.facebook.com/HospitalAlbertEinstein), do Twitter (http://twitter.com/#!/hosp_einstein) e do YouTube (http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein).

04/11/2010 20:00:20

veruska vasconcelos

Parabéns pela matéria =)Sou estudante de psicologia e tenho muito interesse sobre esse assunto....

25/10/2010 21:04:56

isabella

minha irma e muito chata eu nao to aglantando

10/01/2010 11:45

soraya do nascimento

Gostei muito em saber sobre isso tenho 2 filhos na idade de 7 e 8 anos e gostaria de saber algo sobre esse assunto. minha filha de 7 tem muito ciumes da mais nova de 1 ano,gostaria de saber como lidar com esse problema,se der me mande resposta no meu email.muito obrigada soraya silva nascimento.

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Resposta

Quando nasce um novo bebê, os membros da família se reorganizam tanto nas rotinas de vida, como emocionalmente, para que todos os possam enfrentar este nova fase. Os filhos mais velhos podem participam de forma mais ou menos intensa deste processo. A intensidade do envolvimento dependerá da idade da criança mais velha e da dinâmica familiar. Com relação ao ciúme do irmão mais novo, esta reação é pertinente no processo de adaptação ao novo membro da família.

A questão é que nem sempre as expectativas da criança são preenchidas pela realidade. O irmão mais velho pode achar que pouco vai mudar na rotina da casa, o que de fato não é verdade. Também podem surgir sentimentos de não ser mais tão querido pelos pais, avós e familiares próximos, pelo fato de que, muitas vezes, a atenção esteja voltada para o novo membro.

O que você pode fazer para reverter esta situação é chamá-la para atividades somente com você. Reserve algumas horas na semana e deixe isto claro para ela: que ambas terão um horário particular, além dos momentos com toda a família junta. Elogiar as aquisições da sua filha mais velha, o que ela é capaz de fazer e reforçar as competências dela também pode ajudar.

É importante lembrar que ela tem sete anos e necessita de outro tipo de atenção. Muitas vezes, quando o bebê chega, o tratamento e a exigência com o filho mais velho aumenta, pois se espera que ele compreenda o que está se passando.

O papel do pai também é fundamental para amenizar o ciúme. Quando chegar do trabalho procurar dar atenção aos mais velhos: saber como foi o dia deles, realizar alguma atividade em conjunto (brincadeira, jogo etc.). Estas atitudes fazem com que elas sintam que também são importantes para os pais.

Esta fase é passageira e vai depender da maneira que vocês vão lidar com esta questão.

07/01/2010 18:35

Lauriane

Muito interessante a matéria, também gostei muito, sou Técnica em Enfermagem, gostaria de saber sobre esta matéria(por via e-mail)..porém sobre nós da área de saúde como podemos lidar com estresse no dia a dia de trabalho que é inevitável....Obrigada....Lauriane Vieira

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Resposta:

A matéria colocou que existem diferentes graus de estresse. Alguns podem ser amenizados, mudando-se pequenas rotinas no ambiente.

Já os estressores que são resultado de características de personalidade, como perfeccionismo, querer fazer tudo ao mesmo tempo, requerem um trabalho maior. É difícil mudar com pequenas dicas, e psicoterapia pode ser necessária..

Se o estresse é identificado como crônico e evoluir para um estado depressivo ou ansioso, é necessário encaminhamento para avaliação psiquiátrica que poderá indicar terapia medicamentosa e psicoterapia.

Com relação específica ao trabalho é importante identificar se o um sintoma é pessoal e, diante deste fator, valem as sugestões acima. Se for parte do coletivo, é necessária uma ação abrangente para ajudar a equipe envolvida.

Não esquecer que estressores do ambiente como mudanças em geral, até mesmo as positivas, desencadeiam estresse porque exigem uma adaptação.

08/12/2009 22:18

ANA CAROLINA

Gostei muito da matéria, muito interesasnte mesmo. Sou estudante de psicologia e acho muito importante, estudar assuntos desse tipo. Gostaria que me enviassem mais coisas sobre, via e-mail... Grata, Ana Carolina Spinello Consul

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