Em Dia com a Saúde

Síndrome de Down: o preconceito é a maior barreira

A gravidez traz muitas expectativas e surpresas para os pais. A ultrassonografia que mostra o pequeno coração batendo, os movimentos dentro da barriga da mamãe, a interação entre os pais e o filho.

Síndrome de DownTudo parece perfeito, até que o resultado de um exame traz a notícia de que o bebê tem Síndrome de Down. Os pais já ouviram falar muito sobre o assunto, mas nunca imaginaram que aconteceria com eles. Estima-se que, para cada 700 nascimentos, 1 bebê tenha Down.

Há mais de um século foram escritos os primeiros textos sobre o tema. O médico inglês John Langdon Down descreveu, em 1866, as características de uma síndrome, a qual chamara, na época, de mongolismo, em razão da semelhança dos traços físicos com o povo mongol – termo atualmente considerado extremamente pejorativo. Só no fim da década de 1950 é que o assunto foi um pouco mais detalhado. O médico francês Jerome Lejéune desmistificou o porquê de os bebês nascerem com os mesmos traços: ele identificou uma alteração num dos cromossomos e a nomeou de Síndrome de Down, em homenagem ao especialista que iniciou o tema no meio científico.

Nos últimos anos, o cenário mudou. Os portadores da síndrome participam ativamente da vida familiar, escolar e do lazer. Com mais acesso, tornam-se mais independentes e a auto-estima cresce

A diferença encontrada foi no cromossomo 21. Quando os 23 cromossomos da mãe encontram os 23 vindos do pai, numa das divisões ocorre uma ação ainda não identificada, que faz com que, em vez dos 46 cromossomos esperados, o feto tenha 47. Trata-se da trissomia do cromossomo 21, que ocasiona um trio, no lugar de um par de cromossomos. Essa é a alteração genética mais comum, a trissomia livre.

Há também a translocação cromossômica, que é mais rara e consiste no fato de o cromossomo 21 (extra) estar conectado a outro cromossomo. Nesse caso, na maioria das vezes, o pai ou a mãe já carregam essa alteração. Por fim, há o mosaicismo, que também é raro e caracterizado pelo fato de algumas células terem 46 cromossomos e outras, 47.

Ainda há estudos para levantar quais são os fatores que desencadeiam a síndrome e que pretendem desvendar o que ocorre durante a divisão de células para resultar no problema. Sabe-se apenas que a idade avançada da futura mãe pode facilitar sua ocorrência. A estimativa é de que a partir dos 35 anos haja a probabilidade de 1 entre 275 bebês nascer com essa anomalia genética, enquanto aos 20 anos, é de 1 em 1.600 crianças. Com mais de 40 anos, a previsão chega a ser de 1 bebê em 100.

Esses primeiros passos de Lejéune e Down conduziram a história de luta contra o preconceito da sociedade. Afinal, a informação é a grande aliada contra a discriminação. Os ganhos foram enormes, sobretudo ao pensar que, décadas atrás, as pessoas com Síndrome de Down eram internadas em manicômios, isoladas e subestimadas quanto à sua capacidade. É claro que ainda há muito que fazer em prol dessa causa. Tanto que, em pleno século XXI, ainda há discussões acerca de sua inclusão social.

"Nos últimos anos, o cenário mudou. Os portadores da síndrome participam ativamente da vida familiar, escolar e do lazer. Com mais acesso, tornam-se mais independentes e a auto-estima cresce", garante a dra. Ana Cláudia Brandão, pediatra e coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente com Síndrome de Down do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Traços comuns

Os olhos amendoados, a face achatada, o pescoço curto, os dedos das mãos menores, menor força muscular são características comuns por conta da trissomia do cromossomo 21. A possibilidade de ter doenças associadas – como problemas cardíacos e respiratórios, alterações auditivas, de visão e ortopédicas – também está presente. Mas, como para qualquer outra criança, isso pode ser tratado e deve ser acompanhado por especialistas.

Outra característica comum entre as pessoas com Síndrome de Down é o ritmo particular para aprender. "Apresentam déficit intelectual de nível leve a moderado, dificuldade de aprendizagem de tarefas da vida diária, acadêmica e de raciocínio. Mesmo assim, a maioria das crianças consegue entrar na escola comum, basta ter um currículo adaptado, levando em consideração seu potencial", explica a dra. Ana Cláudia.

Elas merecem ser olhadas pelo potencial que podem desenvolver, pois são capazes. Esse olhar muda a vida da criança

Entretanto, se desde pequenino o bebê receber estímulos motores e cognitivos (de intelecto), conseguirá usar todas as ferramentas a seu favor. As crianças engatinham, andam, correm, sentam. Esse trabalho de terapias estimula o desenvolvimento do equilíbrio, da postura, dos movimentos e do raciocínio. "As práticas garantem o futuro da criança. Assim, quando adulta, terá possibilidade de vida mais independente, de trabalhar, de usar transporte público. Elas merecem ser olhadas pelo potencial que podem desenvolver, pois são capazes. Esse olhar muda a vida da criança", enfatiza a pediatra.

Notícia antecipada

Se antes os pais sabiam que o filho apresentava alguma alteração genética somente após seu nascimento, agora a mamãe pode se submeter ao One Stop Clinic for Assessment of Risk, o O.S.C.A.R., exame que rastreia essas diferenças nos genes ainda no primeiro trimestre da gestação, entre a 11ª e a 14ª semanas. O diagnóstico mais comum é a trissomia cromossômica.

O exame é simples e rápido. A partir da análise do sangue da mãe, que traça o perfil bioquímico, e da ultrassonografia morfológica, que demonstra a formação do osso nasal e a translucência nucal (acúmulo de líquido na região da nuca, que desaparece após a 14ª semana de gestação), é possível fazer o mapeamento de um possível diagnóstico. Caso o resultado seja positivo, outros exames mais invasivos são recomendados. Com assertividade de 99,9%, a coleta do líquido amniótico e da placenta confirma ou descarta o diagnóstico.

Espaço para os especiais

Desde março de 2008, o Hospital Israelita Albert Einstein se vale de mais um aliado para atender as pessoas com Síndrome de Down. É o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente com Síndrome de Down, integrado à Clínica de Especialidades Pediátricas e ao Centro de Reabilitação. Além do acompanhamento pediátrico especializado, cardiologistas, endocrinologistas, ortopedistas, oftalmologistas, entre outros, acompanham os pacientes para avaliar se apresentam as doenças mais comuns.

Fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos também fazem parte dessa abordagem multidisciplinar. Os profissionais cuidam da estimulação precoce, desenvolvendo a fala, a parte cognitiva e motora. Esse acompanhamento é realizado desde os primeiros meses de vida, e a frequência no atendimento depende das necessidades de cada criança. A partir das avaliações é feito um relatório para o pediatra, com sugestões de procedimentos em busca do progresso dos pequenos e adolescentes.

Publicada em junho/2008

Atualizada em novembro/2009

01/02/2012 00:08:15

Katia

Tenho um filho com síndrome de down descobre assim que nasceu foi muito difícil para mim mas hoje vejo como foi abençoada por Deus,ele tem 2 anos e uma criança adorável por toda a família.E um garoto esperto , inteligente e carioso agradeceu a Deus por me permitir ter essa benção na minha vida

16/01/2012 12:21:04

Osmarli Vidal

Olá! Tenho uma visão muito carinhosa por todos que apresentam alguma deficiência, e ao mesmo tempo acredito que todos nós temos deficiências, visíveis ou não, ninguém é perfeito. Tenho uma história linda de uma menina com síndrome de Down que salvou o irmão que sofria de Leucemia e doou a medula para a cura do irmão. Realmente um anjo que vive entre nós. Como todos nós precisam de carinho e atenção.

22/12/2011 11:06:07

Dea

Oi! Soube que pessoas com Sindrome de Down são capacitadas para serem profissionais, como cuidadores de idosos, em alguns paises desenvolvidos, como Israel. É verdade? Gostaria de saber mais informações sobre este assunto. Obrigada! Ob Obrigada.

Resposta:

Olá Dea, Felizmente, hoje em dia, o mercado de trabalho para as pessoas com Síndrome de Down está cada vez mais amplo. Como qualquer outra pessoa, podem desenvolver atividades profissionais de acordo com seus interesses e habilidades, desde que sejam dadas as oportunidades e treinamentos adequados. Atualmente, a recomendação é que as pessoas com deficiência intelectual estudem em escolas regulares, e de acordo com o desempenho pessoal, terminem o ensino médio, façam cursos técnicos e até faculdades. No Brasil, temos conhecimento de jovens e adultos com Síndrome de Down trabalhando nas mais diversas áreas, como auxiliar de ensino na educação infantil, atendentes em restaurantes, escritórios, bibliotecas, auxiliares de ensino em educação física e aulas de natação, músicos, massagistas, etc. Aqui em São Paulo, temos a Associação Carpe Diem (www.carpediem.org.br), em que um de seus objetivos é a inserção do jovem com deficiência intelectual no mercado de trabalho, por meio de um projeto de emprego apoiado com empresas parceiras. Portanto, é uma questão de oportunidade e reconhecimento da sociedade no verdadeiro potencial destas pessoas. Seguem alguns links com matérias relacionadas a pessoas com síndrome de Down e trabalho: http://www.inclusive.org.br/?p=171 // http://www.rtve.es/alacarta/videos/television/profesor-sindrome-down/454111/ Dra. Ana Claudia Brandão, pediatra e coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente com Síndrome de Down do Einstein

16/11/2011 14:40:26

Vanízia Sales

Sou avó de Beatriz a dwon mais linda do mundo. Sempre refiro a ela : Anjo que veio para ablrlhantar mais ainda nossas vidas! Como as nossas vidas , atos e atitudes mudam quando recebemos um presente destes de Deus! Tenho muito orgulho de minha filha Suellen por ser a escolhida por Deus para ser a mãe de Beatriz. Mãe zelosa , amorosa e consiente que a filha precisa tanto dela quanto de ajuda profissional! Pensa em um pedacinho de gente que com mnos de 1 ano ja sabe nos amar de uma forma incondicional! Quando pensamos que a estamos ajudando ,é ela que esta nos dando uma lição de vida!

Resposta:

Olá Vanízia, obrigado por compartilhar conosco a história da Beatriz. Toda a equipe do Einstein deseja sucesso a você e toda sua família.

22/08/2011 09:23:53

Eva Marins

Tenho um filho com sindrome de down hoje ele tem 2 anos 5 meses eu meu marido amamos muito desdo momento que ficamos sabendo da noticia isso nao teve a minima importancia na nossa vida por que o que importa mesmo que ele e tudo para nos dois mais o que e mais duro nessa vida e preconceito por que meu filho nao foi aceito na escola devido isso.

Resposta:

Olá Eva, obrigado por compartilhar conosco sua experiência. Desejamos sucesso a seu filho, você e toda sua família. Continue acompanhando nosso portal e nos enviando seus comentários.

16/08/2011 13:39:41

RITA

boa tarde !!! tenho uma sobrinha com 8 anos com Dowm ela é tão intelignete andou com um ano e pouquinho, ela fala muito bem, o desenvolvimento realmente em um pouco menou que de outra criança normal, mas ela corre faz tudo já lê e escreve tudo, ela dá nó ate no vento se deixar.Lógico que precisa de um adulto pra auxiliar.Mas ela é demais canta adora brincar acompanha direitinho as matérias,não consegue escrever com rapidez mais ela é linda adorável é só dar amor e compreender , insentivar bjo

Resposta:

Olá Rita, obrigada por compartilhar conosco a história de sua sobrinha, ficamos muito felizes em saber que ela tem um bom desenvolvimento. Continue acompanhando nosso portal e sinta-se à vontade sempre que desejar nos enviar seus comentários.

19/07/2011 14:21:09

Mariana Mattos

Obrigado, eu que te agradeço pela ajuda sua Einstein.br, se tiver alguma dúvida sobre meu namorado Felipe Moreira Saúde me avisa no meu e-mail maridance2011@hotmail.com

Resposta:

Olá Mariana, obrigado pelo seu comentário e por visitar o nosso site. Continue colaborando com a gente, navegando em nosso portal e dando sugestões de temas e opinião sobre matérias. Acompanhe o Einstein também pelas redes sociais, no Facebook, Twitter, Youtube.

18/07/2011 11:05:16

cleide

para familias e profissionais q. lidam com as dificuldades...PARABENS.força e lembrar q. antes de gostar, querer,permitir, ter, ser, escolher. Tudo isso é a magia da vida e tudo isso porq. Deus existe e permite cada um com a sua experiencia. Até amar as situações mais inesperadas.

04/07/2011 10:23:03

Mariana Mattos

Einstein.com Esse Felipe Moreira Saúde estuda comigo na Universidade Estácio de Sá Campus Tom Jobim, ele é da mesma sala e da mesma turma a gente sempre fica juntos durante aula todas as Terça e Quintas, você precisa conhecer ele em pessoalmente à partir desses dois dias pode ser Terça ou na Quinta, eu faço Dança Cigana e Felipe também faz todas Sextas eu encontro com ele, se dá tempo vai no Clube Arouca daqui da Barra da Tijuca 2 300 A quando você chegar já avisa ponteiro pra dar seu nome

25/05/2011 10:01:39

Mariana Mattos

e tem casal de namorados é Down, que tem capaz de fazer tudo e a gente direito viver juntos, o casal Down tem direito de casar pela nossa vontade, eu e Felipe Moreira Saúde somos Down e podemos casar e com nossos filhos

Resposta:

Olá Mariana, agradecemos seu depoimento. Continue acompanhando o nosso portal e fique à vontade para sugerir temas a serem abordados.

01/02/2011 20:02:02

Edina Pereira

tenho 37 anos e perdi meu bebê com 15 semanas ,fiz o morfologico e o feto nao tinha movimentos e caracteristicas de trissomias 21,fiquei muito triste e tenho medo de engravidar de novo ,tenho uma filha de 15 anos ,que queria muito um irmao já li muito ha respeito, essa materia é muito clara gostei muito ......bjsss.

Resposta:

Edina, agradecemos seu depoimento.

24/01/2011 05:41:33

Patricia Martins

Gostaria somente de ressaltar que o exame morfológico de transnuscência nucal não é tão eficaz. Realizei o exame e deu negativo, entretanto quando meu filhinho nasceu, tive a notícia que ele, pelas suas características, teria sindrome de down. Isso mudou muito minha vida, pois aprendi que o amor de mãe pode ser muito maior do que eu esperava.

Resposta:

Patrícia, agradecemos seu comentário e desejamos felicidades à sua família.

28/08/2010 23:12:43

Sandra Morato

Sou autora do livro "Sara, a Luz!" onde descrevo a minha FANTÁSTICA experiência de ser mãe de uma menina (Sara Morato) com Sindrome de Down / Trissomia 21. É da Primebooks. - www.primebooks.pt . Pretendo que esta partilha possa ser mais uma ferramenta na construção de um caminho rumo ao futuro onde Inclusão, Integração e RESPEITO sejam realidades consolidadas para estas crianças. E tento que chegue ao maior número possível de pais, profissionais de saúde, profissionais de educação

21/07/2010 17:34:36

Dagmar Rosa

Por mais que nós pais façamos, não conseguimos muito pois escolas especiais são caras e só a escola normal não adianta.Principalmente se for escola pública, pois elas não têem nenhum preparo para receber nem educar essas crianças. Minha filha tem 7 anos e é dowm, está em escola particular desde os 2 anos, sofro para pagar e ela precisa de outros tratamentos á nivel intelectual mas além de serem caros, não há nada próximo, apenas nos bairros mais abastados, o que faz o $ dificultando tudo.

Resposta:

Resposta:

Dagmar, agradecemos seu comentário.

09/02/2010 23:58

Israel Ramos

Eu acho desumano os niveis de preconceito da nossa sociedade, não é possivel que mesmo com toda a divulgação das midias ainda exista gente tão preconceituosa a ponto de negar parentes simplismente por serem diferentes, afinal existe alguem que não tenha suas diferenças e peculiaridasdes?

18/12/2009 20:34

josilene noleto

estou quase me formando para assistente social e os meus trabalhos soa do sidrome de down gosto muito de estuda este tema. gostaria de lhe das os parabens pela dedicaçao pelo trabalho com essas pessoas que sofre muito ao receber uma notecia que seu filho tem sidrome de down,tenho um primo que tem sidrome de down ele e uma amor de pessoa muito carinhoso

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