Em Dia com a Saúde

Tratando o Alzheimeir dentro de casa

Dicas, cuidados e as melhores formas de lidar com o idoso que sofre com a doença e aliviar o estresse do cuidador

Tratando o Alzheimeir dentro de casa

O Alzheimer é uma doença degenerativa que envolve a perda gradativa de diversas capacidades importantes para o ser humano, como linguagem, memória, cálculos e julgamento, planejamento e organização e, posteriormente, funções motoras.

Os indivíduos com a doença precisam intensamente do auxílio de cuidadores, sejam eles da família ou profissionais contratados. Em ambos casos, o cotidiano destas pessoas é envolvido pelas necessidades integrais do idoso e, não raro, vivem em um dia a dia extremamente cansativo, que pode culminar em estados de puro estresse físico e emocional.

Para auxiliar familiares e cuidadores, identificamos com os profissionais do Residencial Israelita Albert Einstein (RIAE) – que atendem idosos com a doença – dicas práticas de como estimular a autonomia dos pacientes por mais tempo e de como facilitar a vida de quem acompanha esses indivíduos.

Antes da relação de dicas, leia um resumo das três principais fases da doença (que geralmente atinge os últimos 10 ou 15 anos de vida):

  • 1ª fase/Diagnóstico:
    O indivíduo passa a ter lapsos de memória e perda da noção de quantidade (uma nota de R$100 pode ser usada no lugar da de R$10, por exemplo).
  • 2ª fase/Moderada:
    A pessoa necessita de supervisão para tarefas rotineiras e, geralmente, um acompanhante para passeios fora de casa. Nesta fase ele pode desaprender o significado do farol vermelho, por exemplo, por isso é recomendado que não dirija mais.
  • 3ª fase/Grave:
    Está é a fase da dependência total para atividades como vestir, comer e usar o banheiro, e o paciente pode apresentar perda de linguagem e alucinações.

Vamos às dicas:

Planejamento

A primeira indicação, para a fase do diagnóstico, é procurar entender a doença e o seu desenvolvimento com o passar do tempo. Como é um processo praticamente irreversível, esse conhecimento pode auxiliar a família a criar um plano de ação. Por exemplo: vamos contratar um profissional em algum momento? Quando assumir as finanças do paciente?

Relação idoso x cuidador

O cuidador deve tentar deixar o paciente ativo, pelo tempo que for possível, em qualquer atividade. Tentar ajudá-lo apenas com o que ele não consegue realizar sozinho, e fazer apenas uma coisa de cada vez. Quando falar com o idoso, esteja presente, olhando nos olhos – isso facilitará a compreensão.

Para cuidadores profissionais, cuja fisionomia o idoso tem ainda mais dificuldade de memorizar, a indicação é sempre se apresentar todos os dias, dizendo o próprio nome e explicando que o seu papel é estar ali para auxiliá-lo.

Outra dica é não infantilizar o idoso com frases e modos de falar utilizados com crianças. Eles podem ficar constrangidos e irritados.

Comportamento

Geralmente, a doença acentua características de comportamento comuns ao indivíduo ao longo da vida. Espere de indivíduos que são agressivos, que ajam com maior agressividade – principalmente na fase em que percebem estar perdendo o controle das ações. Já as pessoas mais caladas, por exemplo, tendem a ficar ainda mais introvertidas.

Rotina

Introduzir novas tarefas a um paciente com Alzheimer é mais difícil. O ideal é realizar atividades semelhantes às que ele já fazia. Uma rotina que o paciente goste consegue deixá-lo ativo e engajado, com independência e autonomia por mais tempo.

Alimentação

Dê preferência a locais tranquilos e iluminados e use cores contrastantes entre o prato e a toalha de mesa – isso irá ajudá-lo na visualização dos alimentos.

Tome cuidado com os talheres. Prefira facas sem serra e, caso o idoso tenha tendência à agressividade e queira espetar a si ou aos outros, utilize colher ao invés de garfo.

Disposição de objetos

Manter os objetos da casa sempre no mesmo lugar ajuda o paciente a localizá-los. Lembre-se de que toda nova informação será mais difícil para ele reter.

Por medida de segurança, peças decorativas que simulem outros objetos não são uma boa ideia. Frutas de cera, por exemplo, podem confundir o idoso, que tentará comê-las.

Sinalização em casa

Na fase em que o idoso começa a perder a noção espacial (mas ainda assim consegue ler), utilize sinalizadores nas paredes, como setas indicando onde fica o banheiro ou a cozinha, isso ajuda a localização dentro da casa.

Noção de dias e meses

Pacientes com Alzheimer vão perdendo gradativamente a noção de tempo. Deixar um calendário próximo e ir marcando a passagem dos dias junto com ele ajuda no entendimento da passagem de dias e meses.

Memória

Álbuns de fotos são ótimos para o paciente lembrar sua própria história e das pessoas que já passaram por sua vida.

Ouvir músicas "da sua época", também traz memórias e emoções importantes. É uma ótima maneira de ativar a mente.

Planejar o dia

Na primeira fase, quando o idoso ainda é independente, escreva as atividades que serão realizadas no dia e leia junto com ele. É uma maneira de oferecer um senso de organização e de estimulá-lo a permanecer atento às suas atividades.

No fogão

Para a fase em que o idoso estiver perdendo a noção de tempo, mas quiser cozinhar, ensine-o a criar o hábito de colocar um despertador para avisá-lo quando a comida estiver pronta. A repetição (usar sempre o despertador) pode criar esse hábito.

Estimular o raciocínio

Jogos de caça-palavras, leitura de jornais, livros e revistas, por exemplo, são bons estímulos, mas sempre deve ser considerado o nível intelectual que o paciente já possuía. Qualquer esforço desnecessário tende a dificultar a ação.

O banho

Adapte o banheiro às necessidades do idoso. Se utilizar uma cadeira, atente-se à segurança e ao risco de escorregamento. Existem cadeiras específicas para o banheiro (chuveiro ou vaso). Barras de apoio também são uma boa opção.

Se o idoso for muito agitado, uma boa dica é começar o banho pelo pé. É menos agressivo do que jogar água diretamente em seu rosto.

Alucinações

Nas fases mais avançadas da doença, alucinações visuais ou auditivas podem ser comuns. Não confronte ou tente convencê-lo do contrário – o paciente realmente está vendo ou ouvindo o que relata. O importante é acolhê-lo, escutar e tentar mudar de assunto.

Objetividade

Seja objetivo ao falar. Frases curtas são mais fáceis de serem compreendidas.

Dê opções simples. Ao invés de deixá-lo optar por várias peças no guarda-roupa, diga algo como: "você quer vestir a blusa amarela ou a vermelha?" Quanto mais opções de escolha, mais facilmente o idoso irá se confundir.

Avisar sempre o que vai ser feito em seguida desperta o idoso para a ação: "agora vamos comer, agora vamos tomar banho" etc.

Organização

Armários e guarda-roupas bem organizados ajudam o idoso a entender o lugar de cada coisa e a encontrar objetos sem auxílio.

Sono tranquilo

Na hora de ir pra cama, estabeleça uma rotina. Dormir e acordar sempre no mesmo horário ajuda o indivíduo com Alzheimer a ter mais noção do tempo e da passagem dos dias.

Escovar os dentes

A escovação de dentes deve ser supervisionada para que o idoso não se engane e coma o creme dental ou, por exemplo, escove sem o creme. Deixe que ele faça sozinho até o momento em que precisar de ajuda.

Tudo por ele

Não passar da fase de supervisionar diretamente para a fase de fazer tudo pelo paciente. Nesse meio tempo, o ideal é sempre "fazer junto", para que ele mantenha sua autonomia por mais tempo.

O descanso do cuidador

O cuidador precisa, e merece, um tempo para cuidar de si e para realizar atividades de lazer que aliviem sua tensão. É importante criar uma rotina pessoal – para não deixar que a do idoso tome conta de todo o seu dia – e procurar algo que dê prazer e relaxamento, o que, aliás, trará de volta o ânimo e a calma necessários para prosseguir com os cuidados ao paciente.

"Se for o caso, na hora de contratar um cuidador profissional, o importante não é que ele seja obrigatoriamente um enfermeiro ou que tenha vasta experiência, mas simplesmente alguém que consiga ajudar a família a cuidar do idoso, liberando um pouco os familiares para olharem mais para si", indica o neurologista do Einstein, Dr. Ivan Okamoto.

"Dividir as tarefas com outras pessoas da família, se for possível, também é uma boa opção", afirma o médico.

Fonte: Sabrina Marcondes Teixeira, supervisora dos cuidadores do Residencial Israelita Albert Einstein.


Publicada em março/2011


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29/10/2011 20:23:02

Lourdes

Também acho primordial o amor e carinho de toda a família. Moro com minha mãe que apresentou alzheimer há 5 anos,foi muito difícil para mim entender e aceitar,já que minha mãe sempre foi muito ativa,trabalhava na feirinha do Alto Teresópolis ,lia muito, fazia ginástica, doia muito em mim vê-la assim minha mãe tem 82 anos somos em 4 irmãos dividimos as despesas, mas sempre acho que poderiamos fazer mais.Nossa mãe sempre fez tudo por nós. Obrigada

Resposta:

Olá Lourdes, obrigado por compartilhar conosco sua experiência com o caso de sua mãe. Toda a equipe do Einstein está torcendo por ela.

18/10/2011 13:14:31

Diana Limberger

Oi, meu nome é Diana tenho 13 anos. Minha bisavó tinha Mal de Alzheimere faleceu. Gostei muitíssimo do artigo acima, pois me ajudou a olhar com outros olhos para doença, e também me ajudou com os trabalhos da escola sobre o Sistema Nervoso. Obrigada!

Resposta:

Diana, obrigado pelo seu comentário. Trabalhamos cada dia mais para trazer assuntos de grande interesse em saúde e bem-estar. Por isso, fique à vontade para nos sugerir temas de seu interesse. Continue acompanhando nosso site e fique à vontade para dar sugestões de pautas e fazer comentários sobre qualquer matéria. Siga-nos também em nossos canais oficiais Facebook (https://www.facebook.com/HospitalAlbertEinstein), do Twitter (http://twitter.com/#!/hosp_einstein) e do YouTube (http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein) e fique por dentro das novidades que nós do Einstein estamos preparando.

25/09/2011 15:35:18

Ana Lucia

Fui ao Neurologista e ele me encaminhou a uma neuropsicóloga,para q esta me aplicasse alguns testes... Me falaram q Alzheimer começa com pessoas apartir dos 55 anos e como conhecí pessoa de 58 com a doença,q morreu aos 60, fiquei com receio devido algumas atitudes q percebí em mim,pensar uma coisa e falo outra q não tem sentido nenhum; ou estacionar o carro e não lembrar em qual rua eu o deixei;ou esquecer nomes de objetos simples como escova de dente,pente... Ando exausta emocionalmente.

Resposta:

Ana Lucia, agradecemos por você compartilhar sua história conosco. Somente um especialista poderá lhe ajudar com o diagnóstico do que você está sentindo e a esclarecer suas dúvidas. Caso queira uma segunda opinião, você pode marcar uma consulta com profissionais do Einstein, nossa equipe está à disposição. O telefone para contato é 11 2151-1233 | Opção de número 3. Boa sorte.

22/09/2011 16:21:35

sueli fernandes

tenho minha mae de 82 anos e há 3 anos tem alzeimeir, ela ta na fase de alucinação vê ,gente adultos, crianças, mulheres, ela fala eles falaram eles estão ali, vc não tá vendo, há momentos de agressividade, bate belisca,esta com difuculdades para jantar , o que faço dr.

Resposta:

Olá Sueli, agradecemos seu contato. Mas para esclarecer sua dúvida e te orientar sobre o melhor tratamento para o caso de sua mãe é necessária uma consulta médica presencial. Recomendamos que converse com o médico que acompanha o caso dela. Se desejar uma indicação médica entre em contato com a nossa Central de Atendimento, no telefone 11 2151-1233, ou pelo e-mail fonesaude@einstein.br. Boa sorte.

16/09/2011 09:20:08

Palmira

O artigo foi muito útil para eu entender as fases da doença e o procedimento apropriado , diante do doente, para cada uma delas . Minha mãe tem 73 anos e sempre foi intelectualmente ativa. Ultimamente, tem tido pequeno lapsos de memória recente e isso tem me preocupado muito. Sei que um diagnóstico rápido é o mais adequado para começar um tratamento, porém, preciso de indicações como proceder. Levo-a a um neurologista? Ele fará testes, enfim, como ter um diagnóstico eficiente?

Resposta:

Olá Palmira, o especialista mais indicado para diagnosticar o Alzheimer é o neurologista. Ele irá fazer uma avaliação completa, pedindo todos os exames neurológicos necessários. Caso queira consultar um dos nossos especialistas, fique à vontade para pedir uma indicação médica pela nossa Central de Atendimento, no telefone 11 2151-1233, opção 3. Você também pode dispor deste serviço pelo nosso site, acessando a página do Indicador Médico http://www.einstein.br/hospital/Paginas/indicador-medico.aspx. Desejamos boa sorte.

11/09/2011 01:05:52

ana lucia

gostei muito das informaçoes que aqui encontrei tenho a jureminha de 85 anos tem alzeimer ha 3 anos esta na fase de nao andar masi ainda interage conosco eta doença triste!

Resposta:

Olá Ana Lucia, que bom que nosso conteúdo lhe foi útil e obrigado por compartilhar conosco sua experiência. Esperamos sempre ajudá-la com o melhor conteúdo e as melhores informações em saúde. Continue acompanhando nosso portal e nos enviando sua opinião.

07/09/2011 13:46:16

regina carvalho

foi muto util para mim minha mãe ta na fase de alucinações o tratamento é muito caro e tbem é estressante conviver com isto o medico passou ...reminy pra ela o remedio é de auto custo ta dificil dificil mais valeu a pena as dicas obrigada

Resposta:

Regina, agradecemos você por compartilhar sua história com a gente, e ficamos contente com o seu comentário. Continue colaborando com a gente, navegando em nosso portal e dando sugestões de temas e opinião sobre matérias. Acompanhe o Einstein também pelas redes sociais, do Facebook (https://www.facebook.com/HospitalAlbertEinstein), do Twitter (http://twitter.com/#!/hosp_einstein) e do YouTube (http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein). A família Einstein deseja sucesso nesta caminhada com sua mãe.

18/06/2011 08:56:36

Maria

Gostei muito de tudo que lí e vejo por este lado exatamente como fala esta matéria, cuido do meu pai vai completar 3 anos e me falta dinheiro pra q eu faça a minha parte de necessidade vejo a hora não suportar tanta responsabilidade e tarefas mas continuo caminhando ate onde for necessário e eu possa suportar. Obrigada.

Resposta:

Olá Maria, obrigado por compartilhar conosco sua experiência. Desejamos que você e seu pai fiquem bem. Boa sorte e continue acompanhando nosso portal.

08/05/2011 00:42:27

Ghislaine Adnet

Parabéns. O artigo toca em todos os pontos necessários para inteirarnos da doença e da melhor forma de conviver e cuidar do paciente, ñ esquecendo do cuidador. Muito carinho e compreensão, é tudo o que o doente precisa. Obrigada.Suas informações foram de grande valia.

03/05/2011 20:15:30

heloisa perrone

sempre fica mais facil entender esa doenca com orientacoes medicas assim.Obrigada;;;

Resposta:

Olá Heloisa, agradecemos seu depoimento. Lembramos que as informações contidas em nossas matérias não substituem, em hipótese alguma, a consulta a um profissional de saúde.

26/04/2011 00:54:29

Rita de cássia

Este artigo ajudará muito minha tia que está com seu esposo nessa condição. Obrigada.

22/04/2011 00:54:25

Rita de Cássia

Parabéns, muito útil e de fácil compreensão e aplicação obrigada

Resposta:

Olá Rita, agradecemos seu comentário. Trabalhamos cada dia mais para trazer assuntos de grande interesse em sáude em bem-estar.

17/04/2011 18:43:04

Marizete

É muito importante a participação de todos da familia no cuidar de um idoso de Alzheimer,sou filha de uma idosa e convivo com amesma. Ha cinco anos apresentou essa doença é muito dificil de lidar sem apoio de politicas sociais que nos ajudem nas necessidades básicas infelizmente o idoso de alzheimer tem poucas opções no espaço familiar tudo depende de sua condição financeira para ter um bom acompanhamento. paraben pelo artigo as informaçoes são muito importante irão me ajudar bastante.

Resposta:

Olá Marizete, obrigado por compartilhar conosco sua experiência.

     
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