Comprimido azul é combinado com estimulantes e calmantes; conheça os riscos
Como se apenas uma droga já não fosse um problema, é cada vez mais comum a combinação de substâncias diferentes para esquentar o clima da balada.
A nova mistura da moda entre jovens é um trio tão inesperado quanto perigoso: primeiro, estimulantes, depois o famoso comprimido azul para disfunção erétil e, para finalizar a noite, ansiolíticos (calmantes).
O objetivo é ficar cheio de energia durante a festa – na pista de dança, por exemplo – e ter bastante disposição durante a prática sexual. Ao fim da diversão, na hora de dormir, a responsabilidade fica por conta dos ansiolíticos.
"Há cerca de dez anos, misturava-se ecstasy, fluoxetina e remédio para disfunção erétil. A ideia era se manter ativo, aumentar a duração da relação sexual e retardar o orgasmo. Hoje eles tomam calmantes ao final da noite para tentar diminuir o efeito dos estimulantes", explica o psiquiatra do Einstein, Dr. Sérgio Nicastri.
Combinações como essas, além de apresentarem isoladamente o risco de cada droga, podem ser ainda mais arriscadas – pelos efeitos contrários que cada substância oferece e por novos efeitos combinados.
Muitas pessoas misturam cocaína e álcool, por exemplo, acreditando que a bebida diminuirá a ansiedade. O que elas não sabem é que esta combinação cria uma terceira substância, chamada cocaetileno, que é mais tóxica do que a cocaína e demora mais tempo para ser eliminada pelo corpo. "No caso de anfetaminas como o ecstasy, o efeito é mais duradouro e pode continuar mesmo depois do fim da festa. Por isso, decidem tomar os calmantes", afirma o médico.
O efeito de cada uma
Estimulantes
Características: as que são do tipo anfetaminas, como o ecstasy, liberam um neurotransmissor que dá sensação de alerta, diminui o cansaço e a sonolência. Remédios para regime e para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH também são utilizados na balada.
Riscos: são substâncias vasoconstritoras e podem acelerar o batimento cardíaco, aumentar a pressão arterial e provocar arritmia cardíaca.
Medicamento para disfunção erétil
Características: é vaso dilatador e, por isso, favorece a ereção do pênis.
Risco: pode aumentar os batimentos cardíacos e também provocar arritmias, além de dor de cabeça.
Ansiolítico
Características: são calmantes, reduzem a ansiedade e têm efeitos potencializados pela combinação com álcool.
Riscos: sonolência excessiva, perigo de engasgue em caso de vômito, risco de dependência, além de interferir na coordenação motora de quem dirige sob seu efeito.
"O objetivo dessa combinação é curtir uma festa mais intensamente, só que os jovens deixam de considerar seus riscos e efeitos. Esses remédios necessitam de prescrição e acompanhamento profissional para uma análise individualizada dos prós e dos contras. Além disso, ao comprar drogas de origem ilícita, o indivíduo não tem como saber exatamente o tipo e a dose que irá consumir. A pureza não tem garantia de procedência", explica o psiquiatra.
"Portanto, além dos riscos de efeitos colaterais dos remédios originais, ainda existe o risco de consumir substâncias desconhecidas, que podem ser adulteradas", alerta o médico.
Situações comuns
Outro alerta em relação ao consumo de drogas é quanto ao comportamento arriscado dos usuários. Algumas das situações mais comuns são:
- dirigir sob efeito de drogas.
- comportamento de risco, abrindo portas para uma gravidez indesejada ou para alguma DST.
- comportamento violento (brigas, enfrentamentos).
- diminuição do autocontrole.
Atenção
Esta combinação deve ser descartada principalmente por indivíduos com problemas cardíacos, como arritmia e angina, e histórico de convulsões, que podem ser provocadas pelos estimulantes.
Os jovens e o exagero
Os remédios para disfunção erétil foram inventados para dificuldades de ereção que normalmente acontecem na meia idade.
"Nos jovens, o efeito é mais psicológico do que químico. É para uma disfunção que, teoricamente, eles não têm. Na nossa sociedade atual, eles querem exagerar, o normal não basta. É uma fase de questionamento, de testar limites. E como o acesso a drogas está mais fácil, é preciso que entendam os riscos", alerta o médico.
Publicado em junho/2011