A chave para o tratamento adequado é a detecção precoce.
A melhor forma de detectar precocemente o câncer de colo útero é pelo rastreamento com a colpocitologia oncótica, conhecida popularmente como “Papanicolau”. Quando realizado periodicamente, pode detectar lesões iniciais que são curáveis em até 100% dos casos.
O ultrassom transvaginal é feito anualmente e serve para a avaliação da pelve feminina, com especial atenção ao útero e ovários.
Quem deve submeter-se ao exame?
Mulheres que têm vida sexual ativa e nunca fizeram o “Papanicolau” ou que não o fazem há muitos anos, pois apresentam maior risco de desenvolver o câncer de colo de útero.
Os fatores de risco estão relacionados, principalmente, ao estilo de vida e aos cuidados com a saúde.
- Início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade;
- Infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV);
- Hábito de fumar;
- Uso prolongado de anticoncepcionais orais.
Apesar de o Brasil ter sido um dos primeiros países a utilizar esse exame na detecção precoce do câncer de colo de útero, somente 30% das mulheres submete-se a ele pelo menos três vezes na vida, aumentando o número de diagnósticos da doença já em fase avançada.
O “Papanicolau” é extremamente eficaz para detectar a doença nos estágios iniciais e, quando associado ao tratamento adequado, é possível reduzir sua ocorrência em até 90%.
Toda mulher com vida sexual ativa, qualquer que seja a idade, deve fazer o “Papanicolau” periodicamente.
Como é feito o exame?
O “Papanicolau” é indolor, rápido e muito simples. Pode ser feito no consultório do ginecologista, em unidades de check-up, laboratórios ou postos de saúde. A coleta do material, isso é, de amostras de células do colo uterino, é feita pelo médico durante o exame ginecológico ou por profissional de saúde especialmente treinado para isso.
As amostras são obtidas por meio de esfoliação da parte interna e externa do colo do útero e da vagina. Nesse exame, são utilizados alguns instrumentos: espéculo vaginal, espátula de madeira e uma escovinha. Depois de coletadas, as amostras de células são enviadas ao laboratório para análise.
Mulheres grávidas também devem fazer o exame sem receio, pois o médico ou o profissional de saúde terão o cuidado de não retirar material da parte interna do colo uterino.
Quais cuidados devem ser tomados antes de se fazer o “Papanicolau”?
- Não manter relações sexuais dois dias antes do exame
- Não usar duchas íntimas, cremes ou medicações vaginais dois dias antes do exame
- Não estar menstruada (o exame deve ser feito, preferencialmente, dez dias após a menstruação)
E após o exame?
É necessário agendar consulta de retorno com o médico para saber o resultado e receber as orientações necessárias. Isso é muito importante, pois, além do câncer de colo de útero, outras doenças podem ser diagnosticadas durante o exame, inclusive as sexualmente transmissíveis.
O que é HPV?
É um grupo diversificado de vírus, transmitidos principalmente por meio de contato sexual. Alguns dos subtipos do HPV estão presentes em até 94% dos casos de câncer de colo de útero. A infecção por esse vírus é muito comum – no Brasil, aproximadamente 25% das mulheres, especialmente as mais jovens, estão infectadas por um ou mais tipos de HPV.
Manter relações sexuais com muitos parceiros, sem o uso da camisinha, favorece a contaminação pelo HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis.
É importante salientar que a maioria dessas infecções é transitória e somente uma pequena parcela das mulheres afetadas desenvolverá o câncer de colo de útero.
Quando repetir o “Papanicolau”?
O seu médico irá informá-la sobre quando repetir o exame. Em geral, após submeter-se ao “Papanicolau” por dois anos seguidos, com resultado negativo, é possível fazê-lo a cada três anos com a mesma segurança.
Lembre-se: o câncer de colo de útero pode ser tratado e até curado!
É simples e fácil: só depende de você!
Recomendações
Quando realizar exames para detecção precoce do câncer de colo de útero:
- Primeira vez: três anos após o início da atividade sexual ou aos 21 anos. O que ocorrer primeiro
- Mulheres até 30 anos: Anual
- Mulheres com 30 anos ou mais: Três opções de rastreamento:
- Mulheres que tiveram três ou mais resultados bons (negativos) no exame de “Papanicolau” (colpocitologia oncótica) anual podem ser rastreadas a cada dois ou três anos
- Anual
- Citologia com teste para HPV-DNA. Se ambos estiverem negativos, podem ser rastreadas a cada três anos
Fonte: “The American College of Obstetricians and Gynecologists” (www.acog.com), traduzida pelo Dr. Eduardo Zlotinik.
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