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Morte súbita: uma herança genética

Os genes dos pais e avós dizem muito sobre o futuro de seus descendentes. A chance de morte súbita pode fazer parte dessa herança, mas é possível diminuir os riscos.

Você já pensou na sua herança? Não a dos bens familiares, mas a relacionada às suas características genéticas. Essa sim merece atenção especial desde cedo. A partir dos genes herdados de pais, avós e bisavós pode-se determinar uma série de problemas que devem ser evitados ao longo da vida, dentre os quais a morte cardíaca súbita, que mata de 300 a 350 mil pessoas por ano. O mais preocupante desse mal é que boa parte dessas pessoas nunca teve qualquer sinal que indicasse uma doença no coração.

Em geral, só se toma consciência da existência da morte súbita quando os jornais publicam a morte repentina de alguém conhecido, como ocorreu com alguns jogadores de futebol no Brasil e na Europa. Por conta desses casos, está em discussão a importância de disponibilizar desfibriladores em locais por onde circula um grande número de pessoas, como escolas, fábricas, estádios, aeroportos e rodoviárias.

A maioria dos casos está relacionada a arritmias cardíacas, ou seja, distúrbios do ritmo cardíaco. O problema pode estar nos canais em que circulam as substâncias que promovem a atividade elétrica, responsável por fazer o coração bater. Mesmo com todos os exames cardiológicos normais, a pessoa pode ter uma alteração nesses canais – chamados de canais iônicos – e isso pode causar a morte súbita.

Uma alternativa para prevenir a morte cardíaca súbita é o implante de um cardioversor desfibrilador, aparelho que restaura o ritmo normal do coração caso ocorra uma arritmia grave.

O trunfo da medicina para esses casos é analisar o histórico familiar, em conjunto com os sintomas e os testes genéticos. Por isso, se uma pessoa tem na família a história de algum parente morreu subitamente – em especial ainda jovem – sem ter recebido nenhum diagnóstico de problema no coração, há um bom motivo para procurar um cardiologista e fazer um check-up. É fundamental verificar o risco de ter herdado genes relacionados à doença. Hoje já é possível diagnosticar vários tipos de mutações genéticas que propiciam a ocorrência de arritmias que podem levar à morte repentina.

É preciso também ficar atento aos sintomas. O mais comum é a síncope, popularmente conhecida como desmaio. Há também pessoas que têm palpitação, tontura ou mal-estar repentino. A partir de uma ampla avaliação, o médico pode chegar a um diagnóstico e definir tratamentos para prevenir a morte súbita. Uma alternativa é o implante de um cardioversor desfibrilador, um aparelho que restaura o ritmo normal do coração caso ocorra uma arritmia grave. O cardioversor detecta e dispara um choque quando o coração começa a bater em um ritmo perigoso e pode salvar vidas. Afinal, mais de 50% dos casos de parada cardíaca súbita ocorrem fora do ambiente hospitalar. Quem recebe essa herança genética precisa, desde muito cedo, informar-se, ser diagnosticado e, principalmente, prevenir-se.

Publicado em 03/09/2010


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10/09/2010 14:48:52

Renata

Há 4 meses atrás meu filho de 13 anos sofreu um epsidio de morte subita recuperada e temos um Tio que morreu antes dos 30 anos. Há 3 anos sinto tonteiras, coração disparado, sensação de desmaio, braços dormentes, boca seca, tudo isso repentinamente e fui diagnostica com sindrome do pânico. Há 2 meses comecei a ter palpitações que os medicos justificam pelo estresse passado com o meu filho. Por ser portadora de algum tipo de arritmia mesmo não tendo sofrido nenhum desmaio na vida, tenho 35 anos.

Resposta:

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Cara Renata, a apresentação clínica das arritmias cardíacas é muito variada, desde casos totalmente assintomáticos até casos onde a manifestação é síncope ou morte súbita. A adequada investigação cardiológica, pelo especialista, é que definirá o diagnóstico. Dra. Fátima D. Cintra - cardiologista

09/09/2010 13:17:23

Conegundes Modolo

Minha esposa ( 47 anos) , na hora do café da manhã ao chegar a mesa, de repente desmaiou, ela estava em perfeita saúde e nunca aconteceu algo parecido. Ela ficou com aparência de "falecida", e com as mãos e boca travada, tentei de todas as formas possiveis reanima-la, mas não consegui, corri para o hospital e la chegou a pressão 8 X 0 (+/- 15 min),e conseguiram reanima-la novamente, fizemos varios exames e nada foi detectado até agora. Gostaria de receber informações a respeito Grato

Resposta:

Resposta:

Caro senhor Conegundes, os quadros de desmaio podem acontecer por várias causas e a investigação diagnóstica nem sempre é conclusiva. O mais importante é afastar a gravidade por meio de uma avaliação cardiológica criteriosa. Dr. Fátima D. Cintra - cardiologista

07/09/2010 12:36:51

Frederico

O cardioversor desfibrilador é indicado para paciente do sexo feminino, 40 anos, com extrassistoles ventriculares, à princípio benignas, com aproximadamente 12 mil extrassístoles em 24h e com resposta parcial a 25mg de atenolol? Há história de morte súbita na família (pai e avô materno)

06/09/2010 09:31:29

ruy carvalho

Penso que seria mais didático caracterizar arritmia grave como fibrilação ventricular, até para diferenciá-la da fibrilação atrial que não é tão grave e tão mortal quanto a ventricular. Sou portador de fibrilação atrial e nunca senti firmeza por parte dos especialistas quanto à substituição do tratamento tratamento clínico pela ablação por cateter, conforme nos fez crer a matéria publicada em veja semana passada. Ruy Carvalho- prof. titular-Ufla-Lavras-MG

05/09/2010 21:31:29

elba

Minha mãe faleceu de morte súbita (arritmia cardíaca) com 83 anos de idade. Estou com 53 anos e fiz check-up no ano passado (incluindo exames cardíacos) e tudo deu bem comigo. Ainda assim, é possível eu desenvolver uma arritmia daqui a alguns anos? Grata pela resposta.

     
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