A tecnologia que lida com a manipulação da matéria em nível molecular está na base de novos recursos diagnósticos e tratamentos. Entre realidade e promessas, é uma nova era que se inicia.
Robôs microscópicos que navegam pela corrente sanguínea e mandam informações do corpo humano para equipamentos. Medicamentos inteligentes que agem exclusivamente nas células doentes. Nanopartículas injetáveis que possibilitam, em casos de câncer, localizar metástases até então não visualizadas nos exames de imagem... Parece ficção científica? Essas possibilidades já são realidade nos laboratórios de pesquisa, acenando com promessas de utilização médica no futuro. O fato é que a nanobiotecnologia vem transpondo as fronteiras da imaginação para ganhar terreno em aplicações reais, fazendo emergir um admirável mundo novo na medicina.
Lidando com a manipulação de materiais em escala nanométrica – um nanômetro equivale à bilionésima parte do metro, algo 50 mil vezes menor que um fio de cabelo –, a nanobiotecnologia está presente em novas formas de exames diagnósticos, tratamentos e medicamentos.
O tratamento de melanoma, um agressivo tipo de câncer de pele, por exemplo, ganhou eficácia e precisão graças à nanobiotecnologia – e é realidade inclusive no Brasil. Antes da fototerapia (terapia com luz) é aplicado um creme com nanopartículas sobre a pele. Esse produto é absorvido pelo tumor e faz com que o aquecimento produzido pela luz se concentre apenas nas células doentes, eliminando-as. A fototerapia já era um tratamento usual. O que a nanobiotecnologia fez foi potencializar seu efeito. Em vez das cinco sessões convencionais, o tratamento é feito com uma única aplicação. O mesmo princípio pode ser adotado em outros tipos de tumores, com as drogas-alvo dirigidas, assim chamadas porque têm a capacidade de agir apenas sobre as células doentes, livrando as saudáveis de doses desnecessárias de quimioterapia.
Destaque: Robôs microscópicos que navegam pela corrente sanguínea e medicamentos que agem exclusivamente nas células doentes. Apesar de parecer ficção científica, essas possibilidades já são realidade nos laboratórios.
No âmbito do diagnóstico, a tecnologia está contribuindo para aprimorar técnicas de imagem. Um exemplo é o uso de contrastes com nanopartículas de óxido de ferro em ressonância magnética para mapeamento de células cancerígenas. A técnica apresenta vantagens, permitindo identificar áreas com metástase antes impossíveis de serem visualizadas, além de evitar exposição à radiação da medicina nuclear. Mas ainda se estuda a minimização de efeitos colaterais indesejáveis.
Já se demonstrou, também, por meio de testes que o tratamento com injeção de nanorrobôs no sangue é capaz de eliminar alguns tipos de tumor. Assim como os nanorrobôs, muitas outras aplicações permanecem no âmbito da pesquisa, outras requerem aprimoramentos e há as que ainda se mantêm apenas no território da imaginação. Mas, o fato é que essa tecnologia minimalista é uma realidade que vai, cada vez mais, aportar recursos inovadores para a área da saúde.
07/08/2010 11:05:09
carla
A nanobiotecnologia já está sendo usada em carcinoma da hipófise?
einstein.br
Resposta
Cara Carla, não há nada aprovado para o uso disseminado deste tipo de aplicação em seres humanos. Em estudos ainda muito precoces, pesquisadores já tentaram investigar se aplicações da nanobiotecnologia, em alguns tipos de câncer, são eficazes, mas ainda não há dados suficientes. Dr. Edson Amaro Jr. - Instituto do Cérebro - IIEP.
04/08/2010 21:07:36
Inês
A Nanobiotecnologia já está sendo usada como tratamento de câncer de ovário e pelve>>
einstein.br
Resposta
Cara Inês, não há nada aprovado para uso disseminado em seres humanos. Em estudos ainda muito precoces, pesquisadores já tentaram investigar se aplicações da nanobiotecnologia em câncer de ovário são eficazes. Mas ainda não há dados suficientes. No caso de câncer de pelve, depende de qual órgão você se refere: há aplicações de pesquisa bem mais maduras - já em fase de estudos para aprovação de uso clínico em pacientes para câncer de próstata e de bexiga (aqui utilizando nanopartículas sensíveis à luz e calor). Dr. Edson Amaro Jr. - Instituto do Cérebro - IIEP.
30/07/2010 12:00:40
eu
quero que achem a cura do envelhecimento isso sim, pq nao eh nada natural e sim uma doença
einstein.br
Resposta
Até onde sabemos, não há aplicações clínicas diretas desta tecnologia para evitar o envelhecimento. Entretanto, já existem alguns cosméticos que utilizam nanotecnologia, alguns destes produtos têm mais de 10 anos no mercado. Porém, é claro que isto não impede, mas apenas disfarça o processo de envelhecimento (o principal é que protege a pele das agressões do meio ambiente). Dr. Edson Amaro Jr. - Instituto do Cérebro - IIEP
27/07/2010 09:51:41
Nelson H. Takiy
Interessantissimo este assunto que envolve inumeras áreas de atuação da medicina, engenharia e humanidade. É a tecnologia a serviço do bem estar de pessoas. Parabéns.
einstein.br
Resposta
Muito obrigado, esperamos conseguir conquistas relevantes com esta pesquisa. E você acertou. Realmente a interação entre diversas áreas do conhecimento é fundamental hoje. No Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein procuramos seguir este caminho da multidisciplinaridade. Dr. Edson Amaro Jr. - Instituto do Cérebro - IIEP.
24/07/2010 20:50:14
Shirley
Aló eu gostaria de saber se vcs possuim esta tecnologia no einstein, e como vcs a usam?
einstein.br
Resposta
Sim, esta tecnologia é presente em alguns setores do Hospital Israelita Albert Einstein. Porém, a maior parte destes setores realiza pesquisa, ainda sem aplicações. Em casos de alterações de pele, os pacientes que procuram o Hospital já podem contar com tratamentos que utilizam esta nanobiotecnologia. Antes de utilizar estes medicamentos é necessária a avaliação do dermatologista para saber se está indicado. Dr. Edson Amaro Jr. - Instituto do Cérebro - IIEP.
24/07/2010 15:55:14
Joca
VCs já tem esta tecnologia no Hospital?
einstein.br
Resposta
Joca, muito do que se comenta ou se escreve a respeito de nanotecnologia é, infelizmente, "para ficar bonito ou na moda". Aqui temos utilizado bastante, principalmente em pesquisa. Achamos que adquirir conhecimento nesta área é fundamental. E no caso de pacientes que procuram o Hospital, esta tecnologia é opção real apenas para alguns casos na área de Dermatologia. Veja nossa resposta à Shirley. Dr. Edson Amaro Jr. - Instituto do Cérebro - IIEP.
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