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O diagnóstico correto depende do raciocínio do médico

A tecnologia evoluiu, mas o diagnóstico bem feito se baseia na inteligência médica aliada às informações do paciente.

Com os novos equipamentos e tecnologias que surgem na área médica, pode-se imaginar que a detecção correta de um problema de saúde tenha ficado muito mais fácil.

Mas o diagnóstico sempre foi e continuará sendo o resultado do conhecimento e do talento humano. É verdade que a tecnologia contribui para a investigação e o diagnóstico.

Imagens precisas de tomografias e ressonâncias são capazes de captar minúsculas alterações que apontam problemas de saúde que o paciente poderá ter no futuro. Mesmo assim, na hora de elaborar um diagnóstico é preciso ouvir, ver e analisar o paciente, funções que máquina nenhuma é capaz de imitar.

Para chegar a um consenso sobre o diagnóstico, o médico precisa usar a soma de seu conhecimento, adquirido em anos de estudo, prática médica e atualizações frequentes.

O diagnóstico, habitualmente, contempla o órgão ou região anatômica afetada, as funções comprometidas e as causas dessas alterações. As probabilidades de determinadas doenças de acordo com a faixa etária, estilo de vida e situação geográfica do paciente também são levadas em conta.

Quando não se trata de algo facilmente definido, o médico utiliza um raciocínio lógico dedutivo, buscando encontrar padrões de apresentação clínica (histórico, sintomas e exames físico e complementares) compatíveis com diagnósticos mais prováveis. Cada nova informação ou sintoma pode confirmar uma suspeita e eliminar outra.

O médico trabalha com sistemas de reconhecimento, fazendo suposições baseado naquilo que é estatisticamente provável para determinada situação.

Muitas vezes é preciso voltar ao início e rever os dados para mudar o rumo da análise. Mesmo assim, nem sempre um diagnóstico se confirma, o que pode ser aferido caso o tratamento não dê resultado ou algum exame não confirme aquilo que o médico suspeitava. A investigação volta, então, ao início: novas perguntas, novos sintomas, novos caminhos para montar o quebra-cabeça.

Um mesmo sintoma pode ser indicativo de várias doenças e faz parte do processo chegar a mais de um diagnóstico até o definitivo. Isso não se traduz em erro, mas em diferentes conclusões para diferentes etapas do mesmo quadro.

O médico trabalha com sistemas de reconhecimento, fazendo suposições baseado naquilo que é estatisticamente provável para determinada situação. A tecnologia não substitui esse trabalho, mas é uma aliada na confirmação de um diagnóstico.

No entanto, o fato de ter esse arsenal à disposição não significa que seja necessário prescrever quase um check-up a cada consulta. O caminho é outro: verificar quais exames poderão realmente confirmar a hipótese diagnóstica, levando em conta, inclusive, procedimentos que possam trazer desconforto ao paciente ou ser extremamente custosos. Afinal, é contraproducente para o médico se sobrecarregar com dados que não ajudam a esclarecer o problema ou até confundem a avaliação. Além disso, o direito de escolha do paciente quanto aos procedimentos a que irá se submeter deve ser sempre respeitado.

29/07/2010 15:43:28

Paulo Henrique

Fiquei muito satisfeito ao ler essa matéria pois vai de encontro a uma filosofia que considero a mais importante e que atualmente está esquecida.Infelizmente os profissionais se preocupam mais com os exames complementares e se esquecem de 'ver' o paciente como um todo. Sou Cirurgião Dentista e quando preciso ir a um Médico, fico absorto por constatar que os mesmos não fazem nem a básica anamnese quanto mais um exame clínico digno... aí fica a dúvida quanto ao diagnóstico: posso confiar?

12/07/2010 16:25:46

Sebatião Corrêa

Achei bem legal!

12/07/2010 08:28:02

Humberto do Val

O artigo me chamou a atenção pois é algo que venho percebendo e comentando ultimamente com a migos e familiares. O fator humano jamais deve ser substituido pelas máquinas. Percebo que muitos médicos deixam de exercitar e praticar esse raciocinio logico para diagnosticar e ficam circunscrito aos dados apontados apenas pelos exames, muitas vezes esquecendo da medicina "tradicional" do contato com seus pacientes. Humberto do Val

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