Apesar disso, é cada vez maior o número de pacientes que continuam internados mesmo depois de superado o problema que os levou à instituição.
Com seus avanços, a medicina tem contribuído para o aumento da expectativa de vida e para que as pessoas possam conviver por muito tempo com doenças antes fatais. Se é evidente a face positiva dessas conquistas, há outra que vem se revelando um desafio: o crescente número de pacientes crônicos que acabam morando nos hospitais. Em geral, esses pacientes foram internados pelo agravamento dos sintomas de sua doença principal ou pela emergência de outra, como uma pneumonia ou um derrame. Tratados, superam a fase aguda e se estabilizam. Muitos, porém, tornam-se incapazes de cuidar de si próprios e passam a ser dependentes de equipamentos e outros tipos de assistência. Poderiam estar em casa ou em uma instituição especializada para pacientes de longa permanência. Porém, por falta de opções adequadas, alguns permanecem internados em hospitais por meses e até anos, por vezes abandonados pela família, ocupando leitos de alta complexidade que deveriam estar sendo utilizados para tratamento de casos graves e agudos. Além disso,não importa quem está pagando a conta, é sempre alto o custo de manter o paciente crônico estabilizado em uma instituição desse tipo.
Por que isso acontece? Há vários fatores envolvidos. A família não tem estrutura ou condições de cuidar do paciente ou simplesmente não quer assumir a responsabilidade e acha mais cômodo mantê-lo internado. Já os planos de saúde nem sempre cobrem o atendimento domiciliar ou a internação nos chamados hospitais de retaguarda ou de longa permanência. Por um custo menor que o de hospitais de alta complexidade, essas instituições devem estar estruturadas para atender os pacientes crônicos em suas necessidades de alimentação, higiene, vestuário, lazer e proporcionar apoio médico complementar, com fisioterapia, fonoaudiologia, psicoterapia, etc. Apesar da carência de mão de obra especializada no cuidado com esse tipo de paciente, o Brasil já tem alguns hospitais de longa permanência.
Por um custo menor que o de hospitais de alta complexidade, as instituições de longa permanência devem estar estruturadas para atender os pacientes crônicos em suas necessidades e proporcionar apoio médico complementar.
Estima-se que os hospitais de primeira linha do País tenham cerca de 10% de seus leitos ocupados por pacientes crônicos residentes. O cenário tende a se agravar com os avanços da medicina e da longevidade. É um desafio que precisa ser enfrentado, e todos têm de estar preparados para assumir suas responsabilidades, cientes da probabilidade cada vez maior de ter um doente crônico na família. É preciso criar novos paradigmas. O paciente crônico estará melhor em casa, perto da família e com apoio de assistência domiciliar ou, se for o caso, em uma instituição de longa permanência. Os sistemas e planos de saúde evitarão custos desnecessários se buscarem caminhos que favoreçam alternativas de assistência adequadas. E os hospitais que hoje têm parte de suas estruturas e tecnologias mais sofisticadas sendo subutilizadas, ampliarão as vagas para atender os pacientes que delas realmente necessitam.
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Publicado em
10/12/2010
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