A epidemia da obesidade já é real. Para reverter essa história é preciso unir a conscientização da população a programas efetivos de educação alimentar.
O que os aborígenes australianos e os chineses têm em comum com os brasileiros? O aumento do número de pessoas com excesso de peso. Na Austrália, a população que habita a região há séculos poderia se vangloriar, até bem pouco tempo, de ser esbelta e pouco propensa a problemas como diabetes ou hipertensão. Os chineses, com seu costume de andar de bicicleta, garantiram uma vida mais saudável. Ambos, porém, engordaram muito depois de adotar alguns hábitos alimentares e de vida ocidentais.
No Brasil a situação não é diferente. Em três décadas o excesso de peso alcançou metade da população adulta. Em meados da década de 1970, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que 18,5% dos homens e 28,7% das mulheres estavam com peso acima do ideal. Trinta anos depois, o percentual saltou para 50% entre eles e 48% entre elas. Os dados indicam aquilo que os médicos já percebem no consultório: o país vive uma epidemia da obesidade. E, se nada for feito, em dez anos os brasileiros terão padrão corporal idêntico ao encontrado nos Estados Unidos, onde o excesso de peso é um sério problema de saúde pública.
As questões ligadas à obesidade ultrapassam a estética. O acúmulo de gordura no organismo aumenta o risco de doenças como diabetes, hipertensão, câncer de pâncreas, além dos danos ao sistema cardiovascular e às articulações. As mulheres desenvolvem ovário policístico com mais facilidade e estão mais propensas a ter câncer de mama e do endométrio.
Já os homens tornam-se suscetíveis ao câncer de próstata. Também são alvos fáceis do acúmulo de gordura visceral, o tipo mais prejudicial ao corpo e responsável pela formação da barriga proeminente. O excesso de peso pode trazer ainda prejuízos para as esferas pessoal e profissional, pois essas pessoas são mais propensas a depressão e ansiedade.
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Emagrecer é a melhor opção. No entanto, eliminar tanto peso e se manter magro é tão difícil quanto abandonar qualquer outro vício. Um caminho é a mudança dos hábitos alimentares, com refeições ricas em frutas, verduras, legumes e pobre em gorduras e açúcares, somada à prática regular de atividade física. Os médicos também lançam mão de medicamentos, desde controladores de apetite até os que reduzem a absorção de gordura pelo organismo, mas, para que sejam eficazes, essas substâncias devem ser usadas por um período extenso. A obesidade é considerada doença crônica e, como tal, demanda tratamento de longo prazo e com controle médico por toda a vida. Outra opção é a cirurgia bariátrica, em especial para aqueles com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 35 e outras doenças associadas à obesidade e para os que têm IMC acima de 40 e não conseguem emagrecer com outros tratamentos.
A melhor solução, porém, é iniciar a lição de casa contra a obesidade desde cedo, investindo na educação infantil. O sobrepeso já atinge 30% das crianças entre 5 e 9 anos no Brasil. E muitas já apresentam colesterol ou níveis de açúcar no sangue alterados. Ensinar essa geração a ter refeições nutritivas e se exercitar é o caminho para mudar de vez essa história de excesso de peso.
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