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Terapias híbridas para cirurgias

Integração entre tecnologias de imagem de última geração, robótica e cirurgia minimamente invasiva traz mais segurança e conforto ao paciente

Salas de cirurgia com robôs e outros recursos tecnológicos de ponta, onde médicos de diferentes especialidades trabalham juntos no tratamento de doenças complexas. Em vez de cortes extensos, os procedimentos são feitos por meio de pequenas incisões, com pouco sangramento, menos trauma ao organismo, rápida recuperação e cicatrizes quase imperceptíveis. Parece um cenário futurista, mas as terapias híbridas com uso da robótica e procedimentos minimamente invasivos já são uma realidade no Brasil.

A técnica evolui rapidamente e hoje tem um amplo campo de aplicação nas áreas de cirurgia geral, cabeça e pescoço, ginecologia, urologia, cardiologia, pneumologia, doenças do tórax e do aparelho digestivo. A associação de especialidades clínicas, cirúrgicas, endovasculares e modernos equipamentos de imagem possibilita fazer, em uma única vez, intervenções que antes eram realizadas em duas ou três etapas. O objetivo é trazer mais segurança e conforto ao paciente, reduzindo as dores, complicações pós-cirúrgicas e o tempo de recuperação e de internação.

O uso da robótica tem dado uma contribuição importante nesse sentido. Por meio de um console e guiado por imagens de alta definição, o cirurgião controla os movimentos de um robô dotado de quatro braços flexíveis e articulados. Um deles possui uma câmera que capta imagens tridimensionais, os demais manipulam instrumentos cirúrgicos especiais. O procedimento é feito através de pequenos orifícios, como ocorre na laparoscopia convencional. Só que com uma visualização extremamente detalhada das estruturas internas e com uma precisão nunca antes vista nesse tipo de operação.

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Tiro certeiro contra tumores

Somado a outros recursos ultramodernos, como a endoscopia intervencionista, tomografia e a ultrassonografia intraoperatória e hemodinâmica, os benefícios da cirurgia robótica vídeoassistida são ampliados. Por isso, a técnica vem ganhando espaço na abordagem de tumores em locais delicados, como pulmão, rim, útero, fígado, pâncreas e mediastino (uma das cavidades torácicas). Hoje, ela é aplicada no tratamento de tumores benignos e tumores malignos em fase inicial e também nos casos em que o paciente não tem condições de enfrentar a cirurgia aberta convencional.

Em um monitor, o cirurgião tem acesso tanto às imagens do tomógrafo e ultrassom quanto da robótica. Assim, ao mesmo tempo em que enxerga com precisão vasos, artérias, veias e nervos, pode dimensionar com exatidão a área a ser extraída, minimizando as chances de sobra de tecido tumoral. O procedimento já é usado no Brasil para tratar câncer de pulmão, podendo ser associado à broncoscopia, cuja função é enxergar o pulmão por dentro ou desobstruir as vias aéreas, e à radioterapia. É aplicado, ainda, no tratamento do derrame pleural, excesso de líquido entre o pulmão e as costelas, e do pneumotórax, provocado pelo escape de ar do pulmão.

Menor agressão

Os princípios da terapia híbrida, envolvendo o trabalho conjunto da radiologia intervencionista e da cirurgia robótica minimamente invasiva, abrange outras doenças do tórax e do abdômen. Na cardiologia, eles têm sido adotados no tratamento da fibrilação atrial, implante de válvulas cardíacas, correção de aneurismas da aorta e revascularização do miocárdio (ponte de safena), em associação com a angioplastia (tratamento via cateter inserido pela virilha).

Também são usados em cirurgias para retirada de tumor do pâncreas e do reto, correção da hiperidrose (suor excessivo), doenças de refluxo e de deformidades da caixa torácica. Na urologia, para desobstrução congênita do trato urinário, extração de cálculos e tratamento de tumores malignos do trato urinário.

Nestes casos, podem ser empregados, em um mesmo procedimento, a laparoscopia para acessar o órgão, o ultrassom endoscópico para visualizar o tumor e, muitas vezes, a ablação por radiofrequência (aplicação direta de calor) ou a crioterapia (congelamento) para eliminação do mesmo. Uma agulha é inserida no nódulo, com o auxílio do ultrassom. Por essa via é feita a aplicação de energia térmica (calor ou frio) para destruir as células malignas.

Segurança redobrada

Na ginecologia e obstetrícia, além de trazer maior precisão às suturas dos órgãos reprodutivos, a terapia híbrida com robô proporciona maior segurança na extração de miomas, na retirada do útero e na correção de ovários. Um exemplo é o fechamento da artéria uterina durante a cirurgia por meio de um balão posicionado anteriormente no local, de modo a evitar ou conter hemorragias. O método também é usado em pacientes com placenta implantada no colo do útero (placenta prévia). Quando isso acontece, a placenta pode invadir órgãos vizinhos, como bexiga, ocasionando sangramento intenso durante o parto.

Outra área em que a técnica minimamente invasiva vem apresentando bons resultados é o tratamento de câncer de próstata. É o que mostra o estudo “Resultados iniciais da prostatectomia radical robô-assistida no Brasil”, abrangendo cem pacientes que passaram pela cirurgia no período de março de 2008 a março de 2009. A prostatectomia radical é a maior intervenção cirúrgica para tratamento do câncer de próstata. Uma revisão crítica englobando mais de 30 estudos sobre o tema em diferentes centros médicos internacionais, publicada em dezembro de 2010 no Journal of Endourology, confirma a segurança da técnica.

É grande e segue crescendo o conjunto de recursos e tecnologias que podem ser combinados de forma híbrida em benefício do paciente. Importante é detectar os problemas o mais cedo possível. Quanto antes isso ocorrer, maiores são as chances de serem resolvidos sem a necessidade de procedimentos invasivos e de difícil recuperação.



Publicado em 27/05/2011


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20/08/2011 09:01:54

sarah

Para mim é uma novidade.Achei muito interessante!!!

Resposta:

Olá Sarah, que bom que você gostou do nosso portal. Trabalhamos cada dia mais para trazer assuntos de grande interesse em sáude e bem-estar. Além do site, temos outros canais que você poderá gostar. Nos acompanhe no Facebook, Youtube e Twitter.

30/05/2011 18:37:39

Valéria Moura

Simplesmente incrível,que bom saber que nosso país tem recursos de ponta como estes. Parabéns!!

Resposta:

Olá Valéria, obrigado pelo seu comentário. Trabalhamos cada dia mais para trazer assuntos de grande interesse em sáude em bem-estar. Por isso, fique à vontade para nos sugerir temas de seu interesse

29/05/2011 18:38:15

elisacorreia

fantástico. Faço votos que a medicina continue a evoluir. Prabens pra voces A.E.Hosp..

29/05/2011 13:08:59

Dr. Renato Uro

Realmente a evolucao tecnologica vem revolucionando as abordagens cirurgicas. Isso eh ainda mais notorio na area urologica, que foi incrementada com uma nova modalidade chamada Endourologia, em que pequenos endoscopios sao introduzidos por orificios naturais e tratam pedras renais; descartando a necessidade de grandes cortes. A tecnologia veio para ficar, devendo o profissional medico se adaptar a ela, visando o bem do paciente. Renato Nardi Pedro, MD, PhD Corpo clinico Einstein

     
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