Prêmios e Reconhecimentos

Melhor Hospital da América Latina

Einstein no 1º lugar no ranking dos melhores Hospitais da América Latina

Em 2009, o Hospital Israelita Albert Einstein foi reconhecido com o 1º lugar no Ranking dos Melhores Hospitais da América Latina promovido pela Revista América Economía Intelligence.

Uma pesquisa com cerca de 180 hospitais e clínicas da América Latina - realizada pela primeira vez por aquela publicação - mapeou pontos fortes em gestão, qualidade e serviços aos pacientes.

Cada organização foi avaliada sob diferentes aspectos: segurança hospitalar, capital humano, capacidade de atendimento, gestão do conhecimento, eficiência e reputação no mercado.

Cerca de 700 médicos de vários países também responderam à pesquisa informando sua percepção sobre qualidade e eficiência das Instituições participantes.

América Economía Intelligence

A medicina latino-americana surge como paliativo frente à crise do sistema de saúde dos Estados Unidos.

Ves Gitchev ainda não tinha se formado em Medicina quando chegou à conclusão de que exercer sua profissão nos Estados Unidos não era um bom negócio. Os custos da prática médica eram muito altos. A remuneração paga pelas grandes seguradoras era muito baixa. Essa combinação significaria muitos anos de trabalho até conquistar o estilo de vida com que sonhava ao começar a estudar Medicina. Por isso, apesar dos esforços para se formar, Gitchev hoje não atende nenhum paciente em seu escritório em Miami. Seu trabalho é levar uma multidão deles para serem consultados por doutores na América Latina.

A concorrência é enorme. Nos Estados Unidos, há centenas de empresas e profissionais dedicados ao que se pode chamar de turismo médico. Essa atividade é jovem, mas vem crescendo rapidamente e promete movimentar dezenas de bilhões de dólares em pouco tempo – boa parte deles na América Latina. Gitchev, búlgaro que fez sua residência em Atlanta e na República Dominicana, afirma que os hospitais latino-americanos e de outras regiões podem ser a cura para um mal crônico do sistema de saúde americano, os custos elevados e sempre crescentes, especialmente para os pacientes que não têm plano de saúde. Eles são obrigados a pagar do próprio bolso por tratamentos que podem ser feitos na América Latina a preços até 80% menores.

"Começamos a identificar essa tendência como uma alternativa individual para a profunda crise do sistema de saúde nos Estados Unidos. O turismo médico pode não ser uma solução no longo prazo, mas serve como um paliativo, pois permite que pessoas sem acesso a cuidados médicos neste país recebam tratamento", diz Gitchev, diretor-executivo do Worldwide Medical Partners, uma das muitas empresas que surgiram nos Estados Unidos e que são conhecidas como "facilitadoras" do turismo médico.

Renee-Marie Stephano, presidente da Associação de Turismo Médico dos Estados Unidos, diz que mais de 1,6 milhão de norte-americanos viajarão ao exterior em 2010 para se tratar de alguma doença. "A maioria deve ir para a América Latina," diz. Isso é só o começo do que pode ser um negócio gigantesco. Segundo cálculos da associação, o turismo médico deve crescer exponencialmente na próxima década. "Cerca de 23 milhões de norte-americanos viajarão ao exterior para se tratar até 2017, gastando cerca US$ 79,5 bilhões por ano, metade na América Latina", diz Jonathan Edelheit, presidente-executivo da associação. Uma fatia vai para as empresas "facilitadoras", que servem de intermediárias entre o paciente, o hospital e o médico adequado para atender suas necessidades.

Patrick Marsek, diretor geral da MedRetreat, afirma que empresas como a sua têm de garantir que os médicos e hospitais escolhidos sejam capazes de atender às necessidades específicas dos pacientes, muitos dos quais mostram uma inicial e compreensível resistência a viajar para fora do Primeiro Mundo para cuidar de sua saúde. As resistências desaparecem, porém, quando o facilitador demonstra ter feito a pesquisa correta dos diferentes centros para comprovar a qualidade do serviço e dos médicos.

Marsek decidiu apostar nesse negócio exatamente por descobrir que havia serviços médicos de alta qualidade no exterior – e candidatos a usá-los. "Vi um nicho de mercado, pois os baby boomers estavam envelhecendo e teriam necessidade de cuidados médicos", diz ele. "O número de pessoas sem seguro-saúde ou com uma cobertura médica inadequada estava crescendo." Em seus poucos anos de atividade, Marsek viu o número de pessoas sem seguro-saúde crescer de 40 milhões para 48 milhões. "Esses pacientes teriam de cuidar de diversos detalhes, então por que não montar uma empresa que lhes permita fazer isso de forma segura?" Os detalhes são não só o tratamento médico, mas as reservas de passagens de avião e de quartos de hotel e a compra de medicamentos, além de outros insumos que o paciente precisar. Em troca, a empresa fica com uma fatia do custo total a ser pago pelo paciente.

Os hospitais latino-americanos logo perceberam essa oportunidade de negócio. Isabella Stump, porta-voz do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, afirma que o hospital recebe cerca de mil pacientes do exterior todos os anos, muitos deles brasileiros que moram nos Estados Unidos. "O número de pacientes do exterior tem aumentado bastante nos últimos anos, especialmente no caso de procedimentos estéticos", diz Stump. "O aumento dos preços nos Estados Unidos faz muitos pacientes buscarem centros capazes de realizá-los com qualidade e por valores muito mais baixos."

Pela primeira vez, clínicas e hospitais da América Latina nos apresentam detalhes de sua gestão. O resultado? Sua qualidade está em perfeita saúde
Andrés Almeida Farga, de Santiago

As perspectivas são tão boas que o hospital está se preparando para fazer mais negócios. O Oswaldo Cruz já começou a construir um novo edifício, com inauguração prevista para 2014, e também está se preparando para receber a certificação do organismo fiscalizador desse serviço nos Estados Unidos, o Joint Commission International, e se filiando à Associação de Turismo Médico dos Estados Unidos. Os procedimentos administrativos estão sendo aperfeiçoados, e o hospital está recrutando pessoal bilíngue para atender à nova clientela.

Nem todos são tão confiantes. As grandes seguradoras americanas têm se mostrado resistentes em oferecer apólices que cubram os gastos de uma viagem ao exterior, caso da seguradora Aetna, por exemplo. Christine Erb, porta-voz da empresa, diz que a Aetna só tem um programa piloto com uma companhia que oferece a opção de realizar certos tratamentos ortopédicos fora do país.

A causa dessa resistência é o temor sobre o que ocorreria se houvesse algum problema durante o procedimento, já que os médicos da região, em geral, não têm seguros que os protejam contra processos. Nos Estados Unidos, essa cobertura é obrigatória. Seu preço elevado, que pode variar entre US$ 150 mil e US$ 200 mil por ano para cada médico, é um dos motores que alimentam a atual crise do sistema de saúde do país e bloqueia o acesso de milhões de pessoas aos cuidados médicos. Também é um dos motivos que levam as pessoas a procurar tratamentos na América Latina, diz Gitchev. "Como pagam caro pelos seguros, os médicos têm de atender de 30 a 50 pacientes por dia para cobrir seus custos. E se o paciente só pode ter uma ou duas consultas antes de se submeter a uma cirurgia, o que pensar da qualidade do serviço?"

Nas salas de embarque dos aeroportos norte-americanos é cada vez mais frequente a presença de um novo tipo de viajante: aquele que vai para outro país em busca de um tratamento médico que seja diferente dos que são oferecidos nos Estados Unidos, ou seja, caiba em seu bolso. Muitos percorrem milhares de quilômetros até hospitais e clínicas na Ásia e na Europa Oriental.

A América Latina ainda não se tornou um destino preferencial. As grandes clínicas e hospitais da região ainda não têm atraído muitos pacientes, tanto dos Estados Unidos quanto do resto do mundo, mas as perspectivas são boas. Um dos motivos é o desconhecimento. Ainda se sabe muito pouco sobre os centros médicos da região. Quando se fala em saúde na América Latina, as imagens que vêm à mente de muitas pessoas no Primeiro Mundo são dengue ou malária, não instituições de alto padrão.

Por isso, América Economía Intelligence impôs-se o desafio de conhecer melhor os grandes hospitais da região e seus pontos fortes em gestão, qualidade do corpo médico e serviços aos pacientes. O resultado desse esforço está em suas mãos. Durante meses, trabalhamos com um comitê de especialistas (ver página 71) para desenvolver uma metodologia que permitisse avaliar a qualidade dos centros médicos, especificamente aqueles que se classificam como polivalentes – que atendem várias especialidades médicas – ou de alta complexidade. O primeiro passo foi reunir informações fornecidas pelos Ministérios da Saúde de dez países latinos e por outras instituições internacionais. Cerca de 180 hospitais e clínicas de toda a região foram convidados a participar. Muitos se recusaram a fazer parte da pesquisa, especialmente os do México, devido à epidemia de gripe do tipo A (H1N1).

De olho no DNA

% de instituições que possuem departamentos de genética

% de instituições que possuem departamentos de genética

O grupo que aceitou participar, porém, fez valer nosso esforço. As clínicas abriram suas portas e conversaram detalhadamente com nossos pesquisadores. Com isso, chegamos à lista das 20 que apresentaram os melhores resultados, lideradas pelo Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e seguido pela Clínica Alemana, de Santiago do Chile, em uma relação que inclui hospitais e clínicas privados, universitários e públicos de Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, México, Uruguai e Venezuela.

Cada instituição foi avaliada sob diferentes aspectos. O primeiro foi a segurança hospitalar, definida como a capacidade da instituição de minimizar os riscos. Para medi-la, foram solicitados indicadores como infecção hospitalar. O índice médio entre os hospitais certificados por instituições importantes, como a International Joint Commission ou a International Society for Quality in Health Care, é de 5,2%. A segurança não se mede só por resultados. Também são relevantes os processos para diminuir riscos. Por isso, também se avaliou a existência de procedimentos como registros, gestão e transparência de informações médicas e percepção dos pacientes (como as pesquisas de satisfação), aplicação sistemática de boas práticas e disponibilidade de profissionais nos turnos de emergências. Ainda se observou a presença e a frequência de reuniões dos Comitês de Ética, já que tais entidades são responsáveis por zelar pela dignidade dos pacientes.

O segundo aspecto analisado para cada hospital foi o fator humano. Muitos pacientes escolhem o médico antes do hospital, pois reconhecem a importância do profissional no atendimento de saúde que receberão. Foi por essa razão que América Economía Intelligence considerou a formação dos médicos a variável mais importante. Contrariando as previsões, essa informação não estava prontamente disponível na maioria dos hospitais e clínicas. Em muitos casos, foi impossível obter as informações acadêmicas e as especializações dos médicos fixos.

A falta de conhecimento sobre as pessoas que trabalham em uma instituição complexa como os hospitais é uma deficiência geral detectada neste estudo. Isso não significa que os hospitais e as clínicas da América Latina não conheçam seus médicos, mas que a investigação se limita a um padrão mínimo de comprovação de estudo no momento da contratação, sem acompanhamento posterior. O estudo demonstrou que 91,4% dos médicos dos 20 melhores da região têm ao menos uma especialização; 32,4% têm, além da especialização, uma habilidade específica em sua área; e apenas 1,9% tem duas ou mais habilidades específicas. Além disso, 9% dos médicos com habilidades específicas estudaram em renomadas universidades ou centros nos Estados Unidos e na Europa; aqueles que têm duas habilidades específicas somaram 15,7%, e 84% no caso dos que têm três especialidades.

O tamanho importa

À medida que um hospital ou uma clínica amplia sua quantidade de pacientes, operações, especialidades e quantidade de exames, ou então inclui unidades como pronto socorro ou neonatologia, sua operação se torna mais complexa. Em termos práticos, isso significa que o hospital precisa redobrar seus esforços para manter seus padrões gerais de qualidade. Por isso, este estudo incluiu o aspecto Capacidade, que permite ponderar a complexidade dessas instituições. Se uma clínica consegue manter um bom nível com maior complexidade, seus processos são melhores que a média.

Sempre de plantão

Enfermeiras disponíveis por leito

Quantidade de enfermeiras disponíveis por leito

O tamanho importa

Também se mediu a capacidade de atendimento dos hospitais, calculando as relações entre a quantidade de médicos e pacientes ambulatoriais, e entre enfermeiras e pacientes ambulatoriais. Foi incluída ainda uma série de serviços extras oferecidos pelos hospitais – em geral sua hotelaria –, que representam a capacidade de gerar conforto aos pacientes e acompanhantes, fator igualmente importante no turismo médico.

Outra dimensão fundamental da qualidade hospitalar é a gestão do conhecimento. As fronteiras da medicina avançam velozmente, o que obriga hospitais e clínicas a se atualizarem constantemente. Não apenas isso: muitos dos avanços médicos, tanto no que se refere a diagnósticos quanto a tratamentos, nascem nos hospitais. Esse aspecto avalia as contribuições do conhecimento de cada hospital ou clínica (de acordo com o critério de papers ISI - Institute for Scientifi c Information), bem como a existência de ferramentas e meios de difusão e atualização de conhecimentos para seu pessoal. Por exemplo, consultou-se a quantidade de títulos e assinaturas de revistas especializadas nas bibliotecas dos hospitais. Nos 20 melhores hospitais e clínicas, a média de títulos por biblioteca é de 1.664 e a de assinaturas é de 1.022. Não é o padrão. Inúmeros hospitais não têm bibliotecas nem ferramentas de atualização de conhecimentos. Alguns sequer oferecem e-mail ou internet para seus profissionais, usando provedores gratuitos, como Hotmail, Gmail ou Yahoo.

A saúde tem preço, sim

Observou-se também a eficiência hospitalar, que é a adequação correta entre o custo de um atendimento médico e sua qualidade. Isso é um grande problema, demonstrado em casos como o de uma paciente que chegou a uma clínica chilena com dor de cabeça e, após tratamentos que custaram mais de US$ 3 mil, recebeu a recomendação de voltar para casa e tomar uma aspirina, sem qualquer recomendação adicional do médico que a atendeu.

A saúde tem preço, sim

Não é fácil medir eficiência. O problema está na dificuldade do setor médico em gerar padrões que permitam estabelecer uma correlação aceitável entre a racionalização de recursos e a qualidade mínima exigida no atendimento médico. Por isso, foram usadas variáveis muito básicas que, embora não permitam diferenciar a complexidade dos casos atendidos em cada hospital, ao menos fornecem números globais. Os custos médios por paciente ambulatorial entre as 20 instituições deste ranking são de US$ 1.900. A taxa de ocupação de leitos é de 79,5% e a média anual de cirurgias por sala é 1.213. Foram incluídos também indicadores de desenvolvimento digital e implementação de boas práticas de gestão.

Os hospitais e clínicas – pelo menos os privados – também são empresas. Nesse sentido, foram obtidos dados financeiros que permitem uma avaliação de sua rentabilidade. A rentabilidade patrimonial média (ROE) dos 20 hospitais deste ranking é de 13,5%, enquanto a rentabilidade sobre ativos (ROA) é de 6,8%.

A última dimensão usada foi a percepção de qualidade e a reputação das instituições, medida por meio de uma pesquisa aplicada a 700 médicos de todos os países onde foi realizada a pesquisa, que opinaram sobre a qualidade de 180 instituições que compõem o sistema terciário de atendimento de saúde e foram incluídas na pré-seleção. Chile, Brasil e Argentina foram os de maior destaque.

Cuidando do coração

% de cirurgias cardiovasculares do total de intervenções cirúrgicas

% de cirurgias cardiovasculares do total de intervenções cirúrgicas

Só para elas

% de cirurgias ginecológicas do total de intervenções cirúrgicas

% de cirurgias ginecológicas do total de intervenções cirúrgicas

Da ponderação do fator nacional e regional, mais o "fator país", surgiu o indicador de prestígio deste ranking, que definiu o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, como o 1º colocado, seguido pela Clínica Alemana, de Santiago, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ambos na capital paulista. Também obtiveram altas pontuações o Hospital Universitário Austral, de Buenos Aires; a Clínica Bíblica de San José, da Costa Rica; e o Hospital Pablo Tobón Uribe, da Colômbia. Também receberam altas pontuações clínicas e hospitais que não puderam participar. Foi o caso do Hospital Italiano e da Fundación Favarolo, ambos na Argentina, assim como e da Clínica Lãs Condes, de Santiago, que desfrutam de uma sólida reputação em seus países e na região.

O eixo Brasil - Chile - Colômbia

Os países em que a pesquisa despertou mais entusiasmo são os que têm melhores processos de certificação. O Brasil está um passo à frente. Seus melhores hospitais foram acreditados pela Joint Commission International (JCI), uma entidade exigente que certifica, em nível mundial, a segurança e a gestão. Nove dos melhores hospitais e clínicas deste ranking têm esse selo, inclusive o número 1, o Hospital Albert Einstein, que conta com a certificação JCI desde 1999, sendo a primeira instituição a recebê-la fora dos Estados Unidos e da Europa.

No Chile, destacam-se a Clínica Alemana (2º), que exibe a JCI há pouco tempo, o Hospital Clínico de La Universidad de Chile (11º) e o Hospital del Trabajador (12º). Parte da motivação das entidades hospitalares chilenas nasce do processo de certificação nacional pelo qual está passando todo o setor público e parte do privado. A necessidade de certificação obrigou os hospitais a divulgar seus dados e muitos tiveram de levantá-los pela primeira vez.

O caso da Colômbia é semelhante. O país se encontra em pleno processo nacional de certificação, e percebe-se nele uma ansiedade em comparar dados e comemorar vitórias. Daí os bons lugares alcança dos por três hospitais colombianos: o Hospital Pablo Tobón Uribe (6º), o Hospital Universitario San Ignacio (13º) e a Fundación Valle del Lili (16º).

Sem temer as quedas

% de cirurgias ortopédicas no total de intervenções cirúrgicas

% de cirurgias ortopédicas no total de intervenções cirúrgicas

Sinapses a todo vapor

% de neurocirurgias no total de intervenções cirúrgicas

% de neurocirurgias no total de intervenções cirúrgicas

Guardadas as devidas proporções, também se destacaram Costa Rica e Uruguai, países pequenos e, consequentemente, com poucos hospitais e clínicas animados a participar, mas com grande potencial de estabelecer nomes como operadores de qualidade internacional. A Costa Rica já o fez, em particular por meio da Clínica Bíblica (5º). O Uruguai pode consegui-lo por meio do desenvolvimento de entidades como o Sanatorio Americano (8º).

Casos à parte são o colombiano Hospital General de Medellín (19º) e o costarriquenho Hospital de Alajuela (20º), os únicos hospitais públicos incluídos neste ranking. Eles se destacam por terem aceitado ser comparados com o setor privado e com os hospitais universitários, que reconhecidamente têm objetivos diferentes e, portanto, modos de gestão orientados à eficiência sob outros parâmetros. Apesar disso, exibiram indicadores melhores do que várias entidades privadas que não alcançaram o grupo dos 20 primeiros colocados no ranking.

O fator país

Nota média do sistema de saúde de cada país segundo médicos da América Latina

Nota média do sistema de saúde de cada país segundo médicos da América Latina

Brasil: Domínio paulistano

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Chile: Privafdos versus Universitários

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Argentina: Comunidades e Universidades

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Colômbia: Nem só em Bogotá

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Pesquisa com médicos brasileiros sobre prestígio dos hospitais em seu país

Os elementos da qualidade

Os itens mais relevantes na avaliação dos hospitais, segundo os médicos da América Latina

Os itens mais relevantes na avaliação dos hospitais, segundo os médicos da América Latina

A Gripe A(H1N1) e Cuba

A participação foi escassa no México e na Argentina, não pela ausência de boas clínicas, mas porque a medição foi realizada em plena crise da gripe A(H1N1), que levou esses centros ao colapso. Apesar disso, o Hospital Medicasur (14º), do México; o Hospital Universitario Austral (4º) e o Hospital Alemán de Buenos Aires (9º), ambos da Argentina, se predispuseram a participar.

Um caso à parte é o de Cuba. O país é famoso pela qualidade de seus médicos e hospitais, e buscamos incluir ao menos uma das instituições mais reconhecidas, o Hermanos Amejeiras. Mas o entusiasmo foi extinto pelo Ministério da Saúde, que ordenou que o hospital não participasse, decisão que esperamos seja revogada até a próxima edição deste estudo. Estes são os primeiros resultados de uma pesquisa inédita, em um setor que ainda está aprendendo a divulgar seus procedimentos. Algo fundamental para os que buscam abrir-se para o mundo.

Metodologia disponível em www.americaeconomia.com

A voz dos especialistas

Para desenvolver a metodologia e a estratégia de análise que deu base a este especial, a equipe de AméricaEconomía Intelligence contou com um grupo de profissionais em gestão e qualidade hospitalar. Veja aqui o que esse grupo - do qual ainda participaram Gonzalo Vecina, da Universidade de São Paulo, e Rafael González, da Universidade Nacional Autônoma do México - tem a dizer sobre os desafios deste estudo.

Ana Maria Malik

Fundação Getúlio Vargas

"O primeiro passo para uma visão integrada de um sistema de saúde é a possibilidade de estabelecer comparações entre as unidades que o compõem. Claro que aqui não se trata do sistema de saúde como um todo, mas de hospitais tidos como referência em alguns países. Neste momento, não se consegue dispor de comparações definitivas. No entanto, o conhecimento desses dados oferece pistas sobre qual o caminho a ser seguido e cria pontes para o diálogo. Saber se os hospitais são comparáveis e o que os torna únicos ajuda a ter uma visão de conjunto. A América Latina é muito grande e heterogênea, mas tem aspectos que a unem. Como membro de algumas associações latinas, posso dizer o quanto nos enriquece dispor de uma visão de conjunto, tanto para ver semelhanças como diferenças."

Gabriel Bastías

Universidade Católica do Chile

"Entre as metodologias utilizadas para monitorar o desempenho hospitalar, temos a construção de uma lista classificatória dos hospitais. No entanto, é necessário ter certa cautela em sua aplicação, pois as listas classificatórias não permitem identificar as causas de determinados comportamentos, trazendo consigo apenas uma evidência parcial para a melhoria do desempenho.

Há também controvérsias na área técnica e na gerencial. A discussão gira em torno de saber se os dados disponíveis permitem comparações, se é possível realizar ajustes adequados em função da gravidade dos atendimentos, se os números comprometidos são suficientes para tirar conclusões e se os dados são adequadamente controlados pelas características dos pacientes. As reais diferenças de gravidade dos casos são difíceis de medir e alguns estudos demonstraram que ajustes mais rigorosos dos dados poderiam produzir mudanças significativas em tais listas de classificação."

Rodolfo Quirós

Universidade Católica Argentina

"Ultimamente, vem ganhando importância o conceito de segurança no atendimento ao paciente, sendo que os esforços da OMS e da Comissão Conjunta Internacional têm sido gerar protocolos de segurança para reduzir a ocorrência de eventos adversos. Esse monitoramento requer, ainda, a possibilidade de que sejam estabelecidas comparações válidas entre os indicadores, tanto com padrões locais como internacionais.

No entanto, é difícil desenvolver comparações amplamente validadas, já que muitas variáveis poderão representar elementos determinantes dos resultados observados. Não basta apenas compreender que a gravidade dos pacientes pode variar de uma instituição para outra (as instituições de maior complexidade costumam dar mais atenção aos pacientes mais graves). É preciso entender que os indicadores podem mostrar piores resultados nas instituições de maior complexidade, sem que isso significa que pior atendimento. Para evitar cair nesse tipo de contradição, poderíamos prescindir inicialmente da comparação de resultados, para avançarmos na comparação dos processos. Nesse sentido, é possível que melhores processos possam garantir melhores resultados. O futuro caminha nessa direção, com foco na análise e na melhora contínua dos processos, mais do que nos próprios resultados".

Marcos Vergara

Universidade do Chile

"Em matéria de gestão de organizações, a comparação é salutar. Conhecer e compartilhar melhores práticas é um requisito indispensável para um bom comportamento empresarial em ambientes competitivos. Os hospitais não são exceção, embora sua trajetória no mundo da gestão seja recente e tenha se limitado a importar o desenvolvido nos últimos 60 anos. No entanto, quando comparamos hospitais devemos adotar certas precauções. O consumo de serviços hospitalares representa um risco não existente em outras atividades. Um hospital atende três clientes: o paciente, o médico e as seguradoras. A ingerência do Estado na gestão dos hospitais tem sido mais importante do que em outras áreas, configurando ambientes pouco competitivos.

E, por último, a influência das indústrias farmacêutica e de tecnologia, cujo aparato de marketing instala na mente do consumidor – e na dos médicos– padrões por meiodos quais os serviços são avaliados."

Germán González

Universidade de Antioquia

"Não devemos confundir saúde com não estar doente. A saúde é entendida hoje como um estado infl uenciado pela biologia humana, pelo meio ambiente, pelo estilo de vida, pelas condutas de saúde, bem como pelos sistemas de assistência sanitária. Portanto, devemos reconhecer as grandes limitações a que estamos sujeitos, dada a diversidade dos contextos. Neste estudo, buscou-se oferecer uma visão de instituições hospitalares que apresentem alto nível de complexidade, mas que ainda não constituem uma amostra representativa do contexto geral dos países latinoamericanos.

O que se pretendeu foi dar início a um processo que permita fomentar a qualidade do atendimento hospitalar na América Latina, esperando que, com o tempo, possamos transformá-lo em um instrumento para incrementar um atendimento humanizado de boa qualidade, com o melhor pessoal e com a tecnologia mais econômica disponível."


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