Você também pode gostar de:
Positive Deviance recebe o SHEA International Award e o Prêmio Saúde Brasil
Um trabalho de gestão coletiva de conhecimento realizado voluntariamente por profissionais de saúde do Hospital Israelita Albert Einstein foi responsável por mudanças operacionais e culturais que resultaram numa redução dos índices de infecção hospitalar em 48% na unidade de semi-intensiva do 7º andar do Centro de Terapia Intensiva de Adultos.
Os resultados, a simplicidade e a distinção do projeto, conhecido como Positive Deviance, renderam a sua equipe coordenadora dois prêmios importantes: o SHEA International Award e o Prêmio Saúde Brasil.
O SHEA International Award - vinculado à organização Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA) - reconhece e apóia trabalhos relacionados à prevenção de infecção hospitalar.
O Prêmio Saúde Brasil é uma iniciativa da revista SAÚDE!, da Editora Abril e tem o objetivo de reconhecer quem dedica talento e empenho à saúde no país.
O projeto foi inscrito nesses prêmios com o nome "Positive Deviance, uma nova estratégia para aumentar a aderência à higiene das mãos".
O Projeto Positive Deviance
A coordenação do projeto identificou os chamados "positive deviants" ou "desvios positivos": pessoas caracterizadas pela adoção de práticas de excelência de forma consciente e antecipada.
Logo, 150 profissionais de saúde – entre voluntários, nutricionistas, médicos e enfermeiras da semi-intensiva - se reuniam quinzenalmente para trocar impressões sobre as dificuldades pontuais que encontravam para conciliar o atendimento ao paciente e a fundamental higiene das mãos, responsável por impedir a proliferação das bactérias causadoras de infecção hospitalar.
Estudos prospectivos de controle realizados no início do projeto revelaram que a reorientação de práticas e de logísticas poderia contribuir para uma meta de tolerância zero com a infecção hospitalar.
A troca de informações coletivas foi fundamental para analisar situações até prosaicas que poderiam ser ajustadas para privilegiar a higiene das mãos com álcool em gel em todos os locais do hospital. Por exemplo, a enfermeira que observou que a limpeza das mãos poderia acontecer de forma mais rápida e em um número maior de vezes se os dispensers de gel ficassem mais próximos dos leitos.
O compartilhamento das experiências e sugestões individuais gerou conhecimento coletivo de forma exponencial. Em três meses de projeto-piloto, a utilização de álcool gel dobrou. O monitoramento preliminar revelou que, antes do Positive Deviance, aconteciam em média 15 mil utilizações de álcool gel por mês em cada unidade de semi-intensiva (por meio de contadores eletrônicos que existem em cada quarto). Ajustes logísticos, como a mudança para o álcool em locais mais acessíveis, envolvimento dos profissionais para se lembrarem de higienizar as mãos antes de qualquer procedimento realizado, permitiram que o número de utilizações de álcool gel fosse para mais de 40 mil por mês em cada semi-intensiva.
Os autores do Positive Deviance do Einstein são Alexandre R. Marra, Luciana Reis Guastelli, Carla Manuela Pereira de Araújo, Jorge L. Saraiva dos Santos, Luiz Carlos R. Lamblet, Moacyr Silva Junior, Gisele de Lima, Ruy Guilherme Rodrigues Cal, Ângela Tavares Paes, Miguel Cendoroglo Neto e Oscar Fernando Pavão dos Santos.