Certificação Edifício Verde

O Edifício Verde do Einstein

As estratégias de construção de novos hospitais e clínicas abrangem cinco áreas principais: planejamento do local, consumo de energia, água, materiais e qualidade do ambiente interno. Cada projeto deve garantir a sustentabilidade destes fatores e a sua interação. Na definição do local da construção, devem ser considerados os meios de transporte necessários ao seu acesso por parte dos usuários, buscando diminuir a utilização de transportes individuais e a consequente emissão de gás carbônico.

Os projetos destes edifícios consideram, desde o início, a proteção do ambiente em torno dos mesmos. Devem garantir a proteção ambiental, não produzir poluição luminosa, acústica, térmica ou atmosférica no seu entorno. Reduzem o consumo da água, através de sistemas de restrição racional do seu uso, como em descargas de peças sanitárias, reduzem o volume de esgoto, com aproveitamento integral das águas pluviais e reutilização das águas servidas. A criação de jardins nas coberturas dos edifícios permite reduzir o calor no seu interior, diminuir o volume de águas pluviais levadas ao sistema de esgotos, sendo estas filtradas, armazenadas e utilizadas para irrigação de plantas, limpeza de pisos, resfriamento de sistemas de ar condicionado e reserva para combate a incêndios.

A implantação dos edifícios é feita de modo a controlar a incidência dos raios solares, reduzir o aquecimento no seu interior e a utilização do sistema de climatização. Este é controlado de acordo com a presença ou não de pessoas, assim como a iluminação ambiental. A qualidade do ar é garantida por sistemas de controle dos níveis de gás carbônico e da frequência e intensidade de trocas dos gases de acordo com os níveis de ocupação dos ambientes. Luminárias e lâmpadas são projetadas de modo a reduzir o consumo de energia elétrica e a produção de calor. O calor gerado pelo sistema de climatização é aproveitado para o aquecimento da água utilizada, levando a ganho energético. Janelas e esquadrias com vidro duplo protegem o meio interno das variações externas de temperatura. O mesmo é conseguido pela utilização de cerâmicas especiais para revestimento das fachadas. As tintas utilizadas, assim como isolantes, adesivos, selantes, portas, não contêm compostos orgânicos voláteis, que são carcinogênicos e desencadeadores de asma. Ambientes potencialmente poluidores, como áreas de expurgo, de resíduos tóxicos e depósitos de materiais de limpeza são isolados por portas de abertura e fechamento automáticos.

Além dos benefícios ambientais obtidos com os edifícios "verdes", há ganhos importantes na manutenção dos mesmos. Em geral aceita-se que haja uma relação de 1:10 entre o custo do investimento para a construção de um edifício hospitalar e o custo de sua manutenção durante 30 anos. Nos Estados Unidos considera-se também a relação entre o custo do investimento para a construção e o custo de pessoal operacional do hospital neste mesmo período e que é de 1:200. Um edifício "verde" permite redução de custos em energia e água entre 15% e 25% em relação a um edifício normal, redução de 70% da emissão de óxido nitroso, de 50% da emissão de gás carbônico e de 20% de combustível para o aquecimento de água, o que torna o investimento neste tipo de construção interessante, não apenas do ponto de vista da sustentabilidade ecológica.

O trabalho em hospitais "verdes" tende a ser mais produtivo do que o realizado em ambientes tradicionais. Aumentam a performance e a motivação dos profissionais e podem levar a melhor resultado no tratamento dos pacientes. Profissionais da saúde tendem a preferir estes hospitais para trabalhar, em detrimento dos demais, particularmente o pessoal de enfermagem. Gestores de enfermagem afirmam que o design de um hospital influi diretamente sobre a capacidade de recrutamento e manutenção de profissionais da área, influindo também sobre a sua produtividade e satisfação no trabalho.

Certificação Edifício Verde Einstein

O Pavilhão Vicky e Joseph Safra, o recém-inaugurado edifício do Hospital Israelita Albert Einstein na Unidade Morumbi, acaba de receber a certificação LEED GOLD, criada pelo U.S. Green Building Council e verificada pelo Green Building Certification Institute (GBCI), que reconhece e certifica projetos, construções e operação de edifícios sustentáveis (verdes) de alto desempenho.

"Nossa preocupação com a sociedade é colocada em prática com iniciativas sustentáveis como esta, sejam na área da saúde, da responsabilidade social ou do meio ambiente", diz Claudio Luiz Lottenberg, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

A qualificação de um edifício certificado LEED pode ser obtida em 04 níveis: Certified, Silver, Gold e Platinum. O Pavilhão Vicky e Joseph Safra tornou-se o maior edifício com o nível de certificação GOLD no mundo, voltado para a assistência à saúde. Com aproximadamente 70.000 m2, o edifício conta com mais de 200 consultórios médicos, centro de diagnósticos completo, centro cirúrgico de alta tecnologia, serviços de endoscopia e oftalmologia.

"O movimento de Construções Verdes oferece uma oportunidade sem precedentes para responder aos desafios mais importantes dos nossos tempos, incluindo o aquecimento global, dependência de fontes não renováveis de energia e ameaças à saúde humana," afirma Rick Fedrizzi, Presidente, CEO e fundador do U.S. Green Building Council. "O trabalho inovador em edifícios como o do Einstein é uma força motriz fundamental no movimento de Construções Verdes".

O sucesso na certificação só foi possível porque o Einstein optou pela certificação desde a concepção do projeto. "Tendo entre as prioridades do projeto o atendimento à agenda sustentável desde seus primeiros traços, tivemos a oportunidade de planejar a implantação e o volume do edifício, seus materiais e as sinergias entre sistemas eletromecânicos para oferecer ao hospital um projeto de edifício sustentável sem grandes alterações no custo da obra e, mais importante, de baixo custo de operação e manutenção" destaca o arquiteto Arthur Brito, LEED AP, Diretor de Projetos da KAHN, empresa responsável pelo projeto, gerenciamento da obra e consultoria para certificação LEED do empreendimento.

Durante a obra, houve rígido controle de poluição, além de plano de gerenciamento de erosão, assoreamento, poeira e ruídos, a fim de evitar problemas para moradores e freqüentadores da região. Um programa de reciclagem fez com que cerca de 75% do material fosse reutilizado, evitando que o entulho fosse para aterros sanitários.

O gerenciamento da descarga de águas pluviais, a utilização de reservatórios de retardo e os jardins presentes em toda a cobertura do edifício gerarão uma redução de aproximadamente 30% do volume de água da chuva enviado para a rede pública. Associado à implantação de grandes espaços verdes nas áreas externas e coberturas do edifício, esse sistema ajuda a evitar o desperdício de água e enchentes na região.

U.S. Green Building Council

O U.S. Green Building Council está comprometido com um futuro próspero e sustentável para o planeta, através do desenvolvimento de edifícios eficientes, de baixo consumo energético e ambientalmente responsáveis.

Contando com uma comunidade de 80 afiliados regionais, inclusive o Green Building Council Brasil, mais de 18.000 empresas membro, e mais de 155.000 profissionais credenciados, o USGBC é um agente essencial na indústria da construção sustentável.

LEED

O sistema de certificação LEED do U.S. Green Building Council é o programa de maior sucesso na aferição de projetos, construções e operações de edifícios sustentáveis. Mais de 32.000 projetos estão atualmente participando do programa de certificação LEED, contemplando uma área de aproximadamente 900 milhões de metros quadrados de construções em 114 países.

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