Andropausa: eles e os hormônios
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - E29
CID 10 - E29
A queda na produção hormonal que ocorre usualmente a partir dos 40 anos de idade manifesta-se de forma radicalmente diferente para mulheres e homens. Enquanto no sexo feminino a diminuição de estrógeno e de progesterona acontece de forma abrupta e rápida (cerca de um ano), com sintomas como as ondas de calor e o fim da menstruação, os homens têm uma redução de um 1% a 2% ao ano na produção de testosterona.
Estudos realizados nos Estados Unidos mostram que uma parcela significativa da população masculina acima dos 60 anos possui níveis de testosterona inferiores aos limites mais baixos dos adultos entre 20 e 30 anos.
Popularmente conhecida como andropausa por analogia à menopausa, a queda na produção de testosterona devido ao envelhecimento é denominada hipogonadismo masculino tardio. Devido à sua evolução lenta, que pode se estender por décadas, pode causar poucos ou até mesmo nenhum sintoma específico. Os mais comuns são perda da força muscular, diminuição da libido, disfunções sexual e erétil, aumento da gordura corporal, osteoporose, mudança de humor e depressão.
Também está associada à síndrome metabólica, doença que obriga o pâncreas a produzir mais insulina e que aumenta o risco para diabetes e patologias cardiovasculares. "Como ocorre em uma fase de mudanças, como diminuição no ritmo da atividade profissional, independência dos filhos e redução do interesse sexual pela companheira, pode ser difícil para o paciente reconhecer se os sintomas estão ligados a mudanças hormonais ou a fatores externos", diz o dr. Limírio Leal da Fonseca Filho, urologista do Einstein.
A avaliação médica é essencial para determinar se os sintomas são efetivamente causados pelo hipogonadismo tardio. Exames laboratoriais de avaliação hormonal são indicados quando o paciente apresentar pelo menos três dos sintomas clássicos por um período significativo – preferencialmente seis meses, embora não haja consenso na literatura médica sobre essa questão. "Além da testosterona total e livre, são dosados os hormônios luteinizante e prolactina e a proteína SHBG, que juntos formam um indicador preciso do funcionamento hormonal", diz o dr. José Roberto Colombo Junior, urologista do Einstein.
Dosar exclusivamente a testosterona total não é recomendável para diagnosticar o hipogonadismo. Isso porque a produção da testosterona apresenta variações extremas ao longo das horas de um mesmo dia. "Dependendo do horário de coleta, o resultado poderá ser enganoso", comenta o dr. Filho.
Níveis hormonais reduzidos podem, também, ser sintoma de patologias mais graves, como alguns tipos de tumores. Por isso, quando a avaliação hormonal indica baixa produção, é preciso descartar essa possibilidade com exames complementares antes de se comprovar o diagnóstico de hipogonadismo tardio.
Na grande maioria dos casos, os resultados dos exames mostram que os sintomas são devidos a outras causas que não a queda na produção de testosterona. "Estudos realizados nos Estados Unidos seguiram cerca de 3 mil homens com idades entre 40 e 80 anos portadores de sintomas clássicos do hipogonadismo tardio. Após a realização dos exames, constatou-se que em apenas 3% dos casos os sintomas eram devidos aos baixos níveis de testosterona", destaca o dr. Colombo Junior.
A reposição de testosterona é a primeira escolha terapêutica para tratar o distúrbio. Há atualmente uma grande variedade de apresentações para o medicamento, com administração via oral ou injetável. A maioria dos pacientes responde rápida e positivamente ao tratamento, principalmente na remissão dos sintomas relacionados à sexualidade e à depressão. Nos casos de osteoporose, síndrome metabólica e/ou doenças cardiovasculares, a reposição deve ser associada às condutas terapêuticas específicas de cada patologia.
Assim como para as mulheres, a reposição hormonal masculina pode trazer efeitos adversos, como apneia do sono, aumento do risco de desenvolvimento de câncer de próstata e, mais raramente, câncer de mama. Cabe, portanto, avaliar o custo-benefício dessa terapia de acordo com as características de cada paciente.
Não há como prever se um homem terá ou não hipogonadismo tardio. Muitos podem passar pela velhice sem queda significativa na produção de testosterona e sem sintomas relacionados à síndrome. Por outro lado, ignorar algumas de suas manifestações por considerar que são ocorrências naturais da idade pode intensificar o problema e o risco de patologias mais graves.