Pular para o conteúdo principal
Doações

Esteatose hepática

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - K76.0

O que é esteatose hepática?

A esteatose hepática é o acúmulo de gordura nas células do fígado, que pode ter diversas causas. Em alguns casos, está associada ao consumo excessivo de álcool, em outros, resulta de alterações metabólicas, como resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia — mas de uma forma geral são fatores que frequentemente coexistem.

Quando esse acúmulo de gordura está relacionado a distúrbios metabólicos e/ou cardiovasculares, a condição é atualmente classificada como MASLD (doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica). Deste modo, a esteatose hepática não só se torna mais comum, mas também está fortemente ligada a outras condições da síndrome metabólica, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Hoje, a MASLD é uma das principais causas de doença hepática crônica no mundo, afetando mais de 115 milhões de pessoas. 

Sintomas

A gordura no fígado (esteatose hepática) geralmente não causa sintomas. Quando aparecem, costumam estar ligados a casos mais avançados, como a inflamação no fígado (esteato-hepatite), e podem incluir:

  • cansaço constante
  • mal-estar geral
  • desconforto ou dor no lado superior direito do abdômen
  • barriga inchada (ascite)
  • falta de apetite
  • perda de peso involuntária
  • amarelamento da pele e dos olhos (icterícia)
  • aumento do fígado (hepatomegalia)
Ilustração mostra sintomas da esteatose hepática, como cansaço, perda de peso, dor abdominal, icterícia, relacionada à gordura no fígado, diabetes e obesidade.

Tipos

  • MASLD (metabolic dysfunction-Associated steatotic liver disease): é a nova denominação para a esteatose hepática associada à disfunção metabólica. Essa nomenclatura substitui o antigo termo NAFLD (doença hepática gordurosa não alcoólica)
  • MASH (metabolic dysfunction-Associated Steatohepatitis): é a evolução do MASLD. Nesse estágio, além de gordura, há inflamação no fígado (inflamação hepática) e lesão celular (hepatite), com maior risco de progressão para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular

Diagnóstico

A esteatose hepática pode desencadear um processo inflamatório chamado esteato-hepatite. Essa inflamação pode causar cicatrizes (fibrose hepática), comprometer a função do órgão e, se não houver tratamento adequado, evoluir para cirrose. Em fases mais avançadas, a doença pode aumentar o risco de câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). Por isso, o acompanhamento regular com um(a) hepatologista, cirurgião(a) do aparelho digestivo ou um(a) gastroenterologista é essencial para identificar alterações precoces e evitar complicações graves.

O diagnóstico da esteatose hepática costuma ser feito por meio de exames de imagem e laboratoriais, que ajudam a avaliar tanto o acúmulo de gordura quanto possíveis sinais de inflamação e fibrose:

  • ultrassom abdominal: exame de imagem simples, que usa ondas sonoras sobre o abdômen para detectar gordura no fígado e alterações no tamanho e na textura do órgão
  • elastografia hepática: mede a rigidez do fígado por meio de ondas de choque, útil para identificar e classificar o grau de fibrose
  • ressonância magnética (RM): utiliza campo magnético e ondas de rádio para gerar imagens precisas, permitindo quantificar a gordura acumulada no fígado
  • exames de sangue (função hepática e metabólica): analisam enzimas hepáticas (TGO, TGP, GGT) e verificam alterações associadas, como colesterol elevado e diabetes
  • biópsia hepática: consiste na retirada de um pequeno fragmento do fígado com uma agulha fina, sob anestesia local. Permite examinar diretamente o tecido e confirmar a presença de gordura, inflamação, fibrose ou sinais de câncer

Tratamento

O tratamento da esteatose hepática baseia-se principalmente em mudanças no estilo de vida:

  • manter um peso saudável
  • prática de exercícios físicos, pelo menos 150 minutos por semana
  • alimentação equilibrada, com redução de gorduras, açúcares e alimentos ultraprocessados
  • moderação ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas

O uso de medicamentos é complementar às mudanças do estilo de vida e alimentação, auxiliando em casos mais complexos e com comorbidades associadas, entre eles:

  • medicamentos que melhoram a ação da insulina (metformina, pioglitazona)
  • antioxidantes (vitamina E)
  • remédios para controle de colesterol (estatinas)
  • imunomoduladores, como o ácido ursodeoxicólico
  • medicações como a semaglutida e tizerpatida, aprovadas para tratar diabetes tipo 2, têm demonstrado bons resultados no tratamento da esteatose  
  • o Resmetirom, uma droga aprovada nos Estados Unidos pela FDA (Food and Drug Administration), mas que ainda não tem autorização para uso no Brasil. É indicado para o tratamento de adultos com inflamação no fígado associada à disfunção metabólica (MASH), sem cirrose, mas com presença de fibrose hepática em estágio moderado a avançado

Em casos de obesidade grave, pode haver indicação de cirurgia para apoiar no emagrecimento (cirurgia bariátrica). Quando o fígado está comprometido de forma avançada (cirrose), o transplante de fígado é a principal opção.

Prevenção

Manter uma alimentação saudável é essencial para controlar o peso e evitar o acúmulo de gordura no fígado. Inclua no dia a dia alimentos ricos em ômega-3 (como peixes, chia e linhaça), frutas, verduras e legumes variados, fontes de fibras (aveia, farinha de linhaça, maracujá e banana-verde), cereais integrais, temperos naturais (como alho, cebola e cúrcuma), legumes, carnes brancas e oleaginosas (castanhas, nozes e amêndoas). Além da alimentação, é fundamental adotar um estilo de vida que ajude a combater a esteatose hepática:

  • praticar ao menos 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada
  • evitar bebidas alcoólicas
  • manter o controle de doenças como diabetes, obesidade e colesterol alto
  • realizar exames médicos periódicos

Referências

Hospital Israelita Albert Einstein
Cleveland Clinic
Ministério da Saúde

Perguntas frequentes

Gordura no fígado é perigosa?

Sim. Com o tempo, pode causar inflamação no fígado (esteato-hepatite), formação de cicatrizes (fibrose hepática), comprometimento grave do órgão (cirrose) e, em alguns casos, câncer no fígado (carcinoma hepatocelular).

O que é cirrose?

Cirrose hepática é o estágio avançado de várias doenças do fígado, incluindo o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática). Ocorre quando a inflamação e a fibrose (cicatrização) causadas pelo acúmulo de gordura no fígado ou por outras agressões levam à destruição progressiva do tecido hepático. Com o tempo, o fígado pode perder sua função, o que resulta em insuficiência hepática, e até câncer no fígado (carcinoma hepatocelular). 

O que é MASLD?

MASLD é a sigla em inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Trata-se da nova denominação para casos de esteatose hepática ligados a condições como síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A MASLD é hoje uma das causas mais comuns de doença hepática crônica, e pode evoluir para esteato-hepatite (MASH), fibrose hepática, cirrose e até câncer no fígado, mesmo em pessoas que não consomem álcool. É uma condição silenciosa, mas progressiva, que exige atenção médica e mudanças no estilo de vida.

Quem tem gordura no fígado pode beber álcool?

Não é recomendado, pois o álcool acelera os danos no fígado. Não existe dose segura para quem tem gordura no fígado.

É possível reverter a gordura no fígado?

Sim. Em muitos casos, com mudanças no estilo de vida, o fígado pode se recuperar.

Quais exames detectam a doença?

Ultrassonografia, elastografia, exames de sangue e, em casos graves, biópsia do fígado.