Síndrome de Lynch
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - C20
CID 10 - C20
A Síndrome de Lynch, também conhecida como síndrome de câncer colorretal hereditário não-polipóide (Hereditary non-polypoid colorectal cancer – HNPCC em inglês), é um conjunto de alterações genéticas familiares que aumentam o risco de desenvolvimento de alguns tumores, como câncer de cólon, útero, estômago, entre outros. Portadores da síndrome têm um risco de 10-46% de desenvolver câncer de cólon e de 24-34% de desenvolver câncer de ovário ao longo da vida (Moller, 2015).
Recentemente foi descoberto que esses tumores têm um comportamento diferente e respondem muito bem a tratamentos com imunoterapias (Dung, 2015).
Não se sabe ao certo qual a incidência dessa alteração na população saudável, mas estima-se que ocorra em cerca de 1 em cada 1000 pessoas (Haraldsdottir, 2017). Entre pacientes com câncer de cólon, a incidência é de 2.5%-5% (Hampel, 2005) e em câncer de útero de 4%-9% (Egoavil, 2013)
Até o momento, foram identificadas mutações em 5 genes diferentes que podem levar à Síndrome de Lynch: MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 e EPCAM. Estes genes estão ligados à enzimas das células normais que reparam defeitos no DNA. Com a mutação, estas enzimas não funcionam e a célula passa a acumular várias outras mutações, levando ao surgimento de um câncer.
É uma doença hereditária e o risco de uma pessoa com Síndrome de Lynch transferir esta alteração para seus filhos é de 50%. Não se sabem, até o momento, fatores que aumentem ou diminuam a chance desta transmissão.
Pacientes com a Síndrome de Lynch que não desenvolvem um câncer são assintomáticos e não têm nenhuma alteração física ou laboratorial. Os sintomas são relacionados ao surgimento de tumores: sangramento retal e pólipos intestinais no caso de câncer de cólon; sangramento vaginal anormal no câncer de endométrio; dor epigástrica, náuseas e perda de peso no câncer de estômago.
O diagnóstico depende de teste genético, que pode ser feito no sangue ou saliva. Em geral, recomenda-se que pacientes com câncer de cólon sejam testados se: forem diagnosticados antes dos 50 anos de idade; apresentarem, além do tumor de cólon, outro tumor ligado à Síndrome de Lynch; tiverem algum parente de primeiro grau com um tumor ligado à Síndrome de Lynch ou se apresentarem, no tumor, evidência de que uma das enzimas ligadas à Síndrome de Lynch não está presente (teste feito na biopsia do tumor).
Em geral, o recomendado é que a investigação seja feita primeiro no paciente com uma neoplasia e, caso seja confirmado que ele ou ela possuam Síndrome de Lynch, então o restante da família deve ser testado. Pessoas assintomáticas só devem ser testadas para Síndrome de Lynch se um parente de primeiro grau tenha a doença ou se um parente de primeiro grau tenha tido câncer de cólon ou útero e a família tenha histórico de ao menos outros 2 casos de neoplasias ligadas à síndrome. (Vasen, 1999)
Pacientes com Síndrome de Lynch que desenvolvem neoplasias, devem seguir o tratamento específico de seu tumor. Pacientes assintomáticos portadores da síndrome devem realizar exames de rotina para rastrear e detectar precocemente alguns tipos de tumores, principalmente a colonoscopia. Os melhores exames e o melhor momento para realizá-los depende do tipo de mutação causando a Síndrome de Lynch e, por isso, recomenda-se que pacientes discutam esta questão com um médico especialista, em geral, geneticista, oncologista, gastroenterologista ou ginecologista.
Dung, T. (25 de 06 de 2015). PD-1 Blockade in Tumors with Mismatch-Repair Deficiency. N Engl J Med, pp. 2509-2520.
Egoavil, C. (07 de 11 de 2013). Prevalence of Lynch Syndrome among Patients with Newly Diagnosed Endometrial Cancers. PLoS One, p. e79737.
Hampel, H. (05 de 05 de 2005). creening for the Lynch syndrome (hereditary nonpolyposis colorectal cancer). N Engl J Med, pp. 1851-60.
Haraldsdottir, S. (03 de 05 de 2017). Comprehensive population-wide analysis of Lynch syndrome in Iceland reveals founder mutations in MSH6 and PMS2. Nature Communications, pp. 1-11.
Moller, P. (17 de 11 de 2015). Cancer incidence and survival in Lynch syndrome patients receiving colonoscopic and gynaecological surveillance: first report from the prospective Lynch syndrome database. Gut, p. 19.
Vasen, H. (06 de 1999). New clinical criteria for hereditary nonpolyposis colorectal cancer (HNPCC, Lynch syndrome) proposed by the International Collaborative group on HNPCC. Gastroenterology, pp. 1453-1456.