Bursite e tendinite do quadril
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - M707
CID 10 - M707
A “síndrome da dor do grande trocanter” é um termo utilizado para descrever a dor na região lateral do quadril. De forma pouco precisa, o quadro era conhecido como “bursite” do quadril, porém as pesquisas demonstraram que, na maioria das vezes, a dor era originada de inflamação ou degeneração dos tendões adjacentes (tendinites e/ou tendinopatias).
A maior parte das vezes, essas ocorrências estão associadas a fraqueza muscular ou desequilíbrios. Isso pode ocasionar sobrecarga e mudanças biomecânicas, incluindo contrações e relaxamentos musculares involuntários, potencialmente levando a um quadro inflamatório nos tendões e/ou bursas do quadril.
Em alguns casos extremos, podem ocorrer rompimentos parciais ou totais dos tendões, e alterações do caminhar (mancar), e da coluna podem prejudicar ainda mais o quadro.
A queixa mais comum é dor ao dormir de lado, sobre o quadril inflamado. A sensação de queimação e desconforto impede a permanência nessa posição por muito tempo e pode até mesmo acordar o paciente. Na região trocantérica, ou seja, a lateral do quadril, onde ocorre a junção entre os ossos, a reclamação também é frequente.
Esse incômodo pode ser desencadeado com esforços, como andar, sentar, levantar, subir e descer escadas. A sensação de fraqueza pode ocorrer após longos períodos com dor e limitação funcional.
As complicações podem trazer essas sensações de forma persistente e limitante, além de mobilidade reduzida, claudicação (mancar) e distúrbios do sono.
A região lateral do quadril possui uma proeminência óssea palpável chamada de trocanter, que corresponde ao topo do fêmur (o osso da coxa). Nesse local, existem algumas bursas e tendões que podem ficar inflamados. As bursas são pequenas bolsas cheias de líquido, que ajudam a manter um movimento suave entre duas superfícies. Existem várias bursas no quadril e, quando estão inflamadas, ocasionam as bursites.
Na região lateral também existem músculos responsáveis pelos movimentos do quadril, chamados glúteo médio e mínimo, que realizam a abertura lateral da coxa, conectados aos músculos se encontram os tendões, estruturas fibrosas que se ligam aos ossos. No topo do trocanter existem os tendões dos músculos glúteo, médio e mínimo. Quando inflamados, ocorre a tendinite.
Os casos mais comuns são vistos entre mulheres, e os principais fatores de risco são: sobrepeso, menopausa, excesso de atividade física e desgaste da articulação do quadril. As dores crônicas podem favorecer distúrbios do sono, claudicação, limitação de mobilidade e da prática de atividades esportivas.
O diagnóstico é feito por meio de exame clínico pelo ortopedista. Além disso, exames de imagem como radiografias, ultrassom e ressonância magnética, podem ser utilizados durante o diagnóstico.
O tratamento é inicialmente clínico e inclui repouso, aplicação de gelo, uso de analgésicos e anti-inflamatórios. A fisioterapia, seja na forma de alívio da dor com aparelhos ou com o objetivo de fortalecimento e reequilíbrio muscular, é essencial.
Na falha do tratamento clínico podem ser aplicadas injeções, guiadas ou não por imagem (conhecidas como infiltrações). Na ausência de melhora, o tratamento cirúrgico pode ser realizado, mas é pouco frequente. Mais recentemente tem se optado pela artroscopia, procedimento menos invasivo, realizado com o auxílio de vídeo, no qual os instrumentos cirúrgicos são inseridos em pequenas incisões. Isso permite uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.
A prática regular de atividades físicas, o fortalecimento muscular, a manutenção do peso e cuidados com o treinamento esportivo podem ajudar a prevenir a grande maioria dos casos.