Deformidades da parede torácica
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - Q67.6
CID 10 - Q67.6
A deformidade mais comumente encontrada na parede do tórax é o Pectus, caracterizado pelo abaulamento (carinatum) ou retração (excavatum) do osso esterno, que divide o tórax ao meio.
A deformidade do tórax geralmente exige tratamento cirúrgico. A nossa equipe dispõe de métodos minimamente invasivos que garantem o resultado, com menor agressão ao corpo.

Pectus Excavatum é um defeito congênito, também conhecido vulgarmente como tórax em funil ou de sapateiro. É a mais frequente deformidade da parede torácica anterior e caracteriza-se pela depressão do esterno (parte que divide o tórax ao meio) e das cartilagens inferiores das costas. Existem casos em que o esterno quase toca a coluna vertebral, já nos mais graves, esta deformidade reduz de forma significativa o volume do tórax, deslocando o coração para cima e para a esquerda.
A deformidade costuma ser detectada na primeira infância e torna-se ainda mais evidente com o crescimento. Não existe um índice ou quaisquer indicativos de prognóstico que sirva de base para a evolução ou para o grau de desenvolvimento da deformidade.
A maioria dos casos é isolada, mas há indícios de que é um problema hereditário. Tradicionalmente considerava-se o Pectus Excavatum como uma deformidade cuja importância estética era maior do que a funcional. Dor torácica, palpitações, arritmias e, principalmente, dificuldade para realizar exercícios intensos são relatadas e atualmente comprovadas em alguns pacientes.
Grande parte dos pacientes apresenta graves alterações psicológicas devido ao contorno irregular do tórax. Tendem a se retrair, não se expõem em público, evitam atividades esportivas, relacionamentos, convivência com amigos e todas ou quaisquer situações que exijam exposição de sua imagem. Essas alterações psicológicas têm sido identificadas inclusive pelos pais, que passam a considerar os filhos incapacitados para exercer uma atividade física normal. E associadas podem contribuir e provocar profundas e progressivas deformidades posturais, muitas vezes difíceis de serem corrigidas, como escoliose e vícios posturais associados a problemas respiratórios.
O objetivo principal do tratamento, em geral, não é melhorar a condição clínica por meio da redução da compressão cardíaca e/ou pulmonar, mas corrigir a deformidade da parede torácica, para garantir, entre outros aspectos, melhora da qualidade de vida desses pacientes.
A causa destes processos é discutida e estudada ao longo dos tempos, e a única evidência comprovada é que existe um crescimento anormal das cartilagens da parede torácica.
As primeiras técnicas de correção cirúrgica foram descritas no começo do século por um cirurgião chamado Meyer, mas devemos a outro cirurgião, Ravitch, 40 anos depois, a técnica cirúrgica de correção mais difundida até hoje. Ele propôs um procedimento aberto, com a ressecção das cartilagens deformadas e osteotomias transversas, e fixação do esterno com fios de aço em sua nova posição. Esta pode ser considerada mais estética, mas exige maior dissecção do tecido subcutâneo.
O momento ideal para a correção cirúrgica é bem discutível, a maioria dos médicos concorda que não deva ser feita em pacientes com menos de cinco anos de idade, pois isso poderia provocar anomalias no crescimento do arcabouço torácico.
Atualmente, é quase um consenso, difundido pelos diferentes serviços especializados que fazem este tipo de cirurgia, que é mais prudente indicar o tratamento cirúrgico durante a puberdade, acima dos 11 ou 12 anos, quando então ocorre o maior desenvolvimento físico e começam a se estabelecer as principais alterações psicológicas.
A técnica cirúrgica descrita por Nuss para tratamento do Pectus é minimamente invasiva, pois sob a visão direta, por meio de vídeotoracoscopia, uma barra metálica curva (moldada de acordo com a deformidade de cada paciente) é inserida da parede torácica lateral direita para a esquerda e fixada no ponto de maior deformidade. Após sua introdução, sofre uma rotação de 180º para que a curvatura da barra e a da parede torácica anterior coincidam. Estabilizadores metálicos subcutâneos nas extremidades da barra a mantêm em posição correta até sua retirada, que em geral será após 36 meses, (3 anos)
Em pacientes que serão submetidos ao tratamento com a barra de Nuss (Figura 04), que deve permanecer no local por um período não menor do que três anos, tem se demonstrado um baixo índice de recidiva, se a barra for removida próxima ou depois de encerrado o período de crescimento ósseo, ou seja, depois dos 18 ou 19 anos de idade.
As principais críticas ao método de Nuss englobam o custo do material cirúrgico, a limitação provisória dos movimentos da caixa torácica dos pacientes durante 30 dias para se evitar o deslocamento precoce da barra e o controle rigoroso da dor nos primeiros dias de pós-operatório. Por outro lado, como o tempo cirúrgico e o da internação hospitalar são menores, pode resultar que o custo total do tratamento acabe sendo igual ou próximo ao das outras técnicas não minimamente invasivas.