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Doações

Dermatofitose e micose cutânea

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - B35 e B36

O que é dermatofitose e micose cutânea?

Infecções que atingem pele, unhas e couro cabeludo, as micoses cutâneas e dermatofitoses são causadas por diferentes tipos de fungos. As dermatofitoses, em especial, representam um subtipo dessas micoses e são provocadas por fungos chamados dermatófitos. Em comum, todas essas infecções afetam áreas externas do corpo ricas em queratina, proteína natural que protege a pele e fortalece cabelos e unhas.

O infográfico apresenta seis sintomas de dermatofitose e micose de pele: coceira intensa, manchas vermelhas, descamação, queda de cabelo, lesões em anel, unhas grossas e esbranquiçadas.

Sintomas

Os sintomas da dermatofitose e das micoses de pele (cutânea) são semelhantes e variam conforme a área afetada, e geralmente incluem:

  • manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na pele
  • coceira intensa
  • descamação
  • lesões em forma de anel com bordas elevadas
  • unhas descoloridas, espessadas ou quebradiças
  • queda de cabelo ou áreas com falhas no couro cabeludo


Tipos

Nem toda micose cutânea é uma dermatofitose, mas toda dermatofitose é uma micose, pois faz parte do grupo mais amplo das micoses de pele. Essas micoses podem ter diferentes origens fúngicas e, dependendo do agente causador, recebem nomes e tratamentos específicos. Entre as mais comuns estão:

  • candidíase: aparece em áreas úmidas do corpo, como axilas, virilha e entre os dedos, provocada pelo fungo Candida
  • pitiríase versicolor: também conhecida como pano branco, forma manchas claras ou escuras na pele, especialmente no tronco e ombros, causada pelo fungo Malassezia


Já a dermatofitose, um tipo específico de micose de pele, varia conforme a região afetada. Entre as mais conhecidas estão:

  • Tinea corporis: atinge a pele do corpo e forma manchas arredondadas com bordas avermelhadas
  • Tinea pedis (pé de atleta): aparece entre os dedos dos pés, com coceira, rachaduras e descamação
  • Tinea cruris: afeta a virilha, causando manchas vermelhas que coçam bastante
  • Tinea capitis: surge no couro cabeludo, principalmente em crianças, podendo provocar falhas e queda de cabelo
  • Tinea unguium (Onicomicose): afeta as unhas, que ficam espessas, quebradiças e com alteração na cor
Imagem que mostra uma mancha na perna, abaixo do joelho, representa o sintoma de dermatofitose, um tipo de micose de pele.

Uma espécie emergente denominada Trichophyton indotineae chama a atenção por apresentar resistência aos antifúngicos mais usados, como a terbinafina. A infecção por esse fungo geralmente acontece em viagens ao exterior, principalmente para Índia, Europa ocidental e EUA. Essa infecção costuma atingir áreas extensas do corpo, causar sintomas intensos e pode voltar mesmo após o uso de medicamentos. Em 2024, é registrado o primeiro caso no Brasil, envolvendo um paciente que apresentou histórico de viagem internacional, e especialistas preocupam-se com a disseminação da doença no país.


Diagnóstico

O diagnóstico é realizado por um médico(a) dermatologista, geralmente por meio da observação clínica das lesões. O(a) especialista pode suspeitar da presença de uma infecção por fungo ao visualizar uma área avermelhada na pele, inflamada ou escamosa nas zonas frequentemente afetadas. Para confirmação, podem ser feitos exames como raspagem da pele ou da unha para análise microscópica e cultura fúngica, onde o fungo pode crescer e ser identificado.

Tratamento

O tratamento da dermatofitose ou micose cutânea deve ser precoce para evitar a contaminação de outras pessoas que convivem com o paciente afetado. O tratamento depende da gravidade e da localização da infecção e o(a) dermatologista define qual medicação é a mais adequada de acordo com cada caso:

  • tópico: para infecções leves, utilizam-se cremes, loções, sprays ou pomadas antifúngicas aplicados diretamente na área afetada
  • oral: em casos mais graves, quando as lesões são extensas ou afetam couro cabeludo e unhas, podem ser prescritos antifúngicos por via oral


As infecções provocadas pelo fungo Trichophyton indotineae, por exemplo, costumam ser mais extensas, causar desconforto intenso e exigir tratamentos mais longos. Como essa variante do fungo (cepa) apresenta maior resistência aos remédios tradicionais, o acompanhamento médico desde os primeiros sinais é indispensável para evitar complicações. O Laboratório do Einstein é um dos poucos locais no Brasil capaz de identificar tal espécie com precisão.

É fundamental seguir as orientações médicas e concluir o tratamento corretamente para reduzir o risco de a infecção retornar. O uso de medicamentos por conta própria também pode atrapalhar a recuperação. Pomadas com corticoides, quando usadas sem orientação médica, podem apenas mascarar os sintomas, atrasar o diagnóstico e agravar a situação. Além disso, a automedicação favorece o surgimento de variações do fungo (cepas resistentes) que sofrem alterações e deixam de responder aos medicamentos mais comuns. Esses casos costumam ser mais difíceis de controlar e exigem cuidados específicos. Por isso, ao menor sinal de micose na pele, unhas ou couro cabeludo, é importante buscar orientação médica.


Prevenção

A adoção de algumas medidas no dia a dia ajuda a evitar a contaminação por dermatofitoses ou micoses cutâneas:

  • manter a pele limpa e seca
  • realizar um exame cuidadoso do couro cabeludo e observar familiares e pessoas próximas com possíveis sinais da doença, mesmo que sem sintomas
  • trocar roupas íntimas e meias diariamente
  • evitar contato com superfícies contaminadas em banheiros públicos, balneários, academias e piscinas
  • evitar compartilhar objetos pessoais, como toalhas e calçados
  • optar por roupas leves e que permitam a ventilação da pele
  • durante o verão, evitar permanecer com roupas molhadas por longos períodos
  • higienizar e descontaminar sapatos e meias


Referência

Sociedade Brasileira de Dermatologia
MSD Manuals
CNN Brasil
Folha de São Paulo