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Doações

Espasticidade na criança

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - G80.0

  • Sintoma

O que é espasticidade na criança?

A espasticidade é representada pelo aumento do tônus muscular (rigidez do músculo). Em situações normais existe uma coordenação precisa entre os músculos agonistas, que realizam a ação/movimento desejado, e antagonistas, que realizam ação contrária à desejada/esperada.

Por exemplo: quando fazemos a ação de dobrar (fletir) o cotovelo, os músculos anteriores do braço se contraem (reduzindo o seu comprimento) e os músculos posteriores relaxam, permitindo o alongamento. Esta sequência de movimentos ocorre de forma inconsciente.

Quando o alongamento muscular ocorre de forma abrupta, como quando tentamos amortecer uma queda, existe uma resposta reflexa (chamada de reflexo de estiramento), que leva a contração do músculo. A intensidade do reflexo é controlada pelo nosso cérebro.

Em determinadas doenças e condições, como paralisia cerebral, lesão medular, AVC, pode ocorrer a perda de controle do reflexo de estiramento, fazendo com que alongamentos musculares mínimos promovam contração muscular.

Causas

Em crianças, a principal causa de espasticidade é a paralisia cerebral (PC). Ela é ​representada por um conjunto de problemas, como ​malformação congênita do sistema nervoso central, infecções e hipóxia cerebral (falta de oxigenação), que afetam o cérebro imaturo e não tem caráter progressivo. De acordo com o grau de comprometimento, a espasticidade pode manifestar com maior ou menor intensidade. Além disso, outros distúrbios do movimento podem estar presentes dependendo da área lesada.

Sintomas

Dificuldade em executar tarefas motoras manuais, em realizar atividades de vida diária, como se alimentar e fazer sua higiene e até caminhar. Pacientes com espasticidade també​m podem apresentar dor articular, particularmente no quadril, sobretudo em indivíduos com quadros mais graves.

Diagnóstico

A espasticidade é um sinal clínico de outras doenças. Sendo assim é importante a investigação complementar do problema de base que está causando a alteração motora. A avaliação da espasticidade é basicamente clínica, por meio de um exame físico minucioso. Existem escalas que permitem a quantificação da espasticidade durante a avaliação clínica, o que permite determinar os músculos mais envolvidos e comparar resultados antes e após o tratamento.

Além disso, alguns pacientes se beneficiam de uma avaliação computadorizada da marcha, para determinar o papel da espasticidade de determinados grupos musculares na forma como caminham.

Tratamento

O acompanhamento multidisciplinar é importante para que o potencial de cada paciente seja explorado. O tratamento da espasticidade deve ser individualizado e depende muito da doença de base.

Em crianças com PC, os principais métodos de controle da espasticidade são o medicamentoso, o neurocirúrgico e os bloqueios.

Medicamentos administrados por via oral, como o Baclofeno, são utilizados como meios de controle global da espasticidade. Entretanto, a dose necessária para promover relaxamento muscular adequado pode muitas vezes provocar efeitos colaterais indesejáveis, como sonolência excessiva.

Os métodos neurocirúrgicos incluem a rizotomia dorsal seletiva, que tem sua melhor indicação em pacientes com PC mais funcionais. Além disso, é possível a implantação de uma bomba de baclofeno para infusão do medicamento diretamente na coluna, em pacientes com espasticidade mais grave. Estes métodos são muito efetivos, mas são mais invasivos e apresentam riscos inerentes aos procedimentos cirúrgicos.

Os bloqueios neurolíticos consistem na aplicação de um medicamento diretamente nos músculos afetados, com a finalidade de promover um relaxamento muscular local, reduzindo a espasticidade. Os agentes mais utilizados para esta finalidade são o fenol, com indicações restritas a alguns grupos musculares específicos, e a toxina botulínica. A toxina botulínica apresenta a vantagem de ter um efeito reversível após 3-4 meses da aplicação, embora os ganhos na função e amplitude de movimento obtidos durante o período possam ser mantidos por mais tempo.

Prognóstico

Com o passar do tempo a espasticidade pode levar a encurtamentos musculares e alterações ósseas e articulares. Eventualmente, os problemas podem piorar ainda mais a função motora das crianças e levar à indicação de cirurgias ortopédicas. O manejo adequado da espasticidade pode retardar a necessidade de cirurgias até uma idade mais adequada, ou até eventualmente reduzir o número de procedimentos necessários.

Por Conselho Editorial Einstein