Hepatite C
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - B182
CID 10 - B182
A hepatite C é causada pelo vírus C (VHC) resultando na inflamação das células do fígado (hepatite) e se não diagnosticada e tratada pode evoluir para formas crônicas (cirrose) e câncer de fígado. Estima-se que cerca de 3% da população mundial, mais de 170 milhões de pessoas, sejam portadores de hepatite C crônica. É atualmente uma das principais indicações para transplante hepático em países desenvolvidos e responsável por 60% das hepatopatias crônicas e pela metade dos casos de câncer de fígado em países ocidentais.
A hepatite C é causada por um vírus tipo RNA (material genético) e existem vários genótipos (variações) deste vírus - sendo 6 as mais importantes (1 a 6). Por sua vez, estes genótipos estão subdivididos em mais de 50 subtipos (1a, 1b, 2a, etc). Os genótipos chegam a apresentar 30 a 50% de diferença no seu RNA. Essa divisão é importante porque cada subtipo tem características próprias de agressividade e resposta ao tratamento.
O vírus C é transmitido principalmente por sangue contaminado. No Brasil, em doadores de sangue, a incidência da hepatite C é de cerca de 1,2%, com algumas diferenças regionais. A infecção pode também ser transmitida pelo contato sexual e por via perinatal (da mãe para filho sobretudo durante o parto), por contaminação de instrumentos como alicates, tatuagem e colocação de piercing (o vírus da hepatite C chega a sobreviver de 16 horas a 4 dias em ambientes externos).
Apesar de relatos recentes mostrando a presença do vírus em outras secreções (leite, saliva, urina e esperma), a quantidade do vírus parece ser pequena demais para causar infecção e não há dados que sugiram transmissão por essas vias. A transmissão sexual é muito debatida. É verdadeiro que a hepatite C é muito menos transmitida sexualmente que a hepatite B. Para parceiros fixos de pessoas contaminadas, a prevalência de transmissão sexual é de apenas 0,4 a 3%, sendo que nesses casos muitas vezes encontram-se outros fatores de risco associados que podem ser a causa da infecção. Por outro lado, entre pessoas sem nenhum fator de risco, encontra-se 2 a 12% de infecção por hepatite C (transmissão esporádica).
Atualmente não há dados que indiquem a necessidade de uso de preservativo em parceiros estáveis com hepatite C. Além disso, alguns fatores de risco são considerados mais importantes, como: usuários de drogas injetáveis, receptores de sangue, derivados ou transplantados de órgãos antes de 1992, pacientes em hemodiálise, filhos de mães com hepatite C, profissionais da área da saúde vítimas de acidente com sangue contaminado.
O diagnóstico, muitas vezes, só é realizado através de exames para doação de sangue, exames de rotina (check-up) ou quando sintomas de doença hepática surgem, já na fase avançada de cirrose. O principal método diagnóstico para a hepatite C continua sendo a sorologia para anti-HCV (exame de sangue), sendo o método de escolha a detecção do RNA do vírus no sangue, que já é encontrado em 7 a 21 dias após a infecção (PCR).
Geralmente, após a confirmação da infecção pelo VHC solicita-se a genotipagem (identificação do subtipo), teste importante na tomada de decisões quanto ao tratamento. Quando a severidade da doença não pode ser determinada com precisão por métodos não invasivos (exames de sangue ou elastografia hepática), pode ser necessário a realização de biópsia de fígado.
Sugere-se que pessoas que tiveram algum dos fatores de risco descritos acima, como transfusão, compartilhamento de seringas e canudos para uso de drogas injetáveis ou inalatórias, tatuagens sem material e tinta descartáveis, especialmente antes de 1994, devam realizar o exame de sangue (sorologia para hepatite C).
Apenas 15 a 30% das pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C curam espontaneamente, enquanto 70 a 85% evoluem para hepatite crônica. Persistindo a viremia pode ocorrer a progressão do dano hepático até a cirrose (20 a 30% dos portadores de hepatite C crônica desenvolvem cirrose após 10 a 20 anos de infecção). A presença de outros fatores, como sexo masculino, hemocromatose (doença que onde há o acúmulo de ferro no fígado), consumo de álcool, portadores de hepatite B ou HIV, uso de imunossupressão (após transplante, tratamento de doenças autoimunes ou alguns tipos de cânceres) e, possivelmente, a esteatose hepática (depósito de gordura no fígado) aceleram a progressão da doença.
Diferentemente das hepatites A e B, a hepatite C geralmente desenvolve-se como uma doença crônica e lenta, sendo que a maioria (90%) é assintomática ou apresenta sintomas muito inespecíficos, como letargia, dores musculares e articulares, cansaço, náuseas ou desconforto no hipocôndrio direito. O tempo de incubação (entre o contato com o vírus até o desenvolvimento da hepatite aguda) é de 15 a 60 dias, mas pode ocorrer a transmissão da doença mesmo antes disso. Os sintomas mais comuns são icterícia (amarelo nos olhos e pele), fadiga, febre, náusea, vômitos e desconforto em lado superior direito da barriga, geralmente 2-12 semanas após a exposição e dura de 2 a 12 semanas. Além dos sintomas relacionados diretamente à hepatite, o vírus pode desencadear o aparecimento de outras doenças através de estimulação do sistema imunológico: problemas de tireoide (hipotireoidismo, tireoidite autoimune), renais (glomerulonefrite), de pele (porfiria, vitiligo, líquen), entre outros.
A hepatite C, atualmente, tem possibilidade de cura. Após o diagnóstico da infecção e a determinação do genótipo viral, o primeiro passo é a consulta com um médico especialista (hepatologista), que além de determinar qual o grau de lesão do fígado, indicará o acompanhamento necessário (uma vez que o paciente já pode apresentar cirrose ou câncer) e qual a melhor opção terapêutica.
Muitos dos novos medicamentos de uso oral, conhecidos como antivirais, podem ser usados por períodos mais curtos e com menos efeitos colaterais, sendo que vários são fornecidos pelo SUS. Para os portadores de hepatite C. Vários medicamentos estão disponíveis, entre eles: Daklinza™ (daclatasvir), Olysio® (simeprevir sódico), Sovaldi® (sofosbuvir) e Viekira Pak (ombitasvir/veruprevir/ritonavir+dasabuvir), o Zepatier® (grazoprevir e elbasvir) e o Harvoni® (sofosbuvir e ledispavir).
É importante lembrar que não existe vacina contra a hepatite C. Casos avançados de doença com evolução para cirrose descompensada ou câncer de fígado devem ser avaliados para transplante de fígado.
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