Hérnia de disco lombar
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - M51.2
CID 10 - M51.2
O disco intervertebral, localizado entre cada par de vértebras, é constituído por uma cápsula (ânulo fibroso), que contém uma gelatina (núcleo pulposo). Quando a cápsula se rompe, parte desta gelatina pode vazar, causando compressão e inflamação da raiz nervosa vizinha. Este conjunto de alterações é o que chamamos de hérnia de disco.
Podemos dividir as causas em dois grandes grupos. O primeiro diz respeito às alterações genéticas que podem predispor o surgimento de hérnias de disco lombares. O segundo compreende as causas ambientais, que incluem aspectos como a ergonomia em casa, no trabalho e no lazer, sedentarismo, atividade física realizada de maneira inadequada e tabagismo. Mais raramente podem ser causadas diretamente por traumatismo.
O principal sintoma da hérnia de disco lombar é uma dor forte na parte da perna, onde a raiz nervosa afetada é responsável pela sensibilidade. Conforme a localização do disco intervertebral que apresentou a hérnia, a dor será em locais diferentes. Nesta mesma parte da perna muitas vezes ocorre perda de sensibilidade ao toque (hipoestesia). Em compressões mais significativas poderá haver perda de força nos músculos comandados pela raiz nervosa afetada. Dores na região lombar e nas nádegas (glúteos) também podem estar associadas.
O sintoma mais grave é o que chamamos de síndrome da cauda equina, quando todo o feixe de nervos é comprimido por uma hérnia grande, causando amortecimento e fraqueza generalizada nas duas pernas, além de dificuldade de comandar a bexiga. Esta é uma situação de emergência.
O diagnóstico é presumido a partir dos sintomas e das alterações no exame físico. Para sua confirmação o exame complementar de escolha é a ressonância magnética. Deve-se tomar muito cuidado, porém, com dois fatores. A ressonância magnética é um exame muito sensível, que pode mostrar alterações, inclusive no disco intervertebral, que apenas fazem parte do processo normal de envelhecimento. Além disto, outras doenças da coluna (até diferentes doenças ortopédicas ou neurológicas) podem causar sintomas parecidos. Por isto o diagnóstico só pode ser confirmado se o tipo de dor e as alterações no exame físico forem compatíveis com o que a ressonância magnética mostrou.
O tratamento da grande maioria das hérnias de disco lombares é realizado através de medicamentos e fisioterapia. Analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e remédios para dor neuropática podem ser utilizados em diversos tipos de associação. A fisioterapia inicialmente é analgésica, com medidas físicas que ajudam a diminuir a dor. Quando ela cede, a fisioterapia passa a ser motora e serão realizados exercícios para estabilizar a coluna, com o condicionamento e fortalecimento dos músculos da região lombar, abdome e bacia.
Se este tratamento é feito corretamente e o paciente não melhora, em alguns tipos de hérnia de disco é possível tentar uma infiltração perirradicular guiada por imagem. Neste caso, orientado por radioscopia ou tomografia, o médico injeta anestésico e um tipo especial de corticoide bem no local onde a hérnia de disco está comprimindo e inflamando a raiz nervosa.
A cirurgia para hérnia de disco é realizada nos casos em que não houve melhora suficiente dos sintomas e o paciente continua em sofrimento, impossibilitado de realizar suas atividades. De uma maneira geral, costuma-se esperar seis semanas de tratamento correto antes de considerar a cirurgia. Caso haja fraqueza de algum músculo, normalmente este tempo é menor (ou inexistente). Quando os sintomas são de síndrome da cauda equina, descrita acima, a cirurgia deve ser realizada imediatamente, trata-se de uma situação de urgência. Existem diversas técnicas cirúrgicas (com microscópio, com endoscopia, minimamente invasiva etc.), sendo que para cada tipo de hérnia uma delas é a mais adequada. O objetivo é retirar o pedaço do disco que está fora do lugar, comprimindo e inflamando a raiz nervosa. Muito raramente, apenas em situações de exceção, são necessárias cirurgias maiores, com uso de parafusos ou outros implantes.
Após a cirurgia o paciente deverá realizar também fisioterapia. Quando receber alta do tratamento, independente de qual tenha sido, o paciente deverá continuar com alguma atividade física que mantenha o trabalho realizado com a fisioterapia, diminuindo assim o risco de novas doenças na coluna.