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Doações

Incontinência urinária feminina

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - R32

O que é incontinência urinária feminina?

A incontinência urinária é a perda de urina involuntária, ou seja, sem a mulher querer. Pode repercutir na higiene, qualidade de vida e impacto social, levando a mulher ao constrangimento, diminuição de interações sociais, atividades físicas e até mesmo ao isolamento.

Inúmeras mulheres não relatam aos seus médicos os sintomas de incontinência urinária, por acharem que é um problema normal ou por se sentirem envergonhadas.

Incidência no Brasil

No Brasil, apesar de muitas mulheres não relatarem a presença da incontinência urinária, estima-se que 11 a 23% da população feminina seja incontinente. A prevalência aumenta com o envelhecimento: entre 50 e 75 anos é de 20 a 35% mulheres e após 75 anos é de 25 a 50%.

Tipos

Os principais tipos de incontinência urinária são:

  • incontinência urinária de esforço: é a perda involuntária de urina ao realizar esforço físico como tossir, espirrar, carregar peso, pular, dar risada ou algumas vezes até andar ou levantar. Geralmente ocorre por um defeito no funcionamento da uretra, seja no músculo do fechamento da uretra seja nos músculos que sustentam a uretra na pelve (chamados músculos do assoalho pélvico)
  • bexiga Hiperativa: caracterizada pela vontade urgente de urinar, pode ou não estar associado a perda urinária (incontinência urinária por urgência) na ausência de infecção urinária. Ocorre pela contração involuntária do músculo da bexiga (detrusor) fora do período da micção
  • incontinência urinária mista: quando a perda de urina ocorre pelos dois mecanismos citados acima: a incontinência urinária de esforço e a Bexiga Hiperativa
  • incontinência urinária por transbordamento: quando a bexiga perde a capacidade de “avisar” a mulher quando está cheia e perde a capacidade de contrair adequadamente. Assim a bexiga enche até transbordar. Geralmente a perda urinária nestes casos se dá por gotejamento. Ocorre em mulheres com diabetes descompensada, AVC ou trauma de medula, por exemplo

Causas

Aumento de pressão intra-abdominal: gravidez, obesidade, tosse crônica, obstipação crônica, exercícios físicos intensos ou sem orientação adequada.

  • ​trauma: Parto vaginal (normal ou fórcipe) ou acidente com lesão de períneo ou até cirurgias prévias como histerectomia
  • deficiência de colágeno: genético, tabagismo, menopausa
  • doenças neuropáticas: trauma raquimedular, neuropatia central ou periférica, diabetes

Sintomas

Perda de urina involuntária ao tossir, dar risada ou fazer esforço ou urgência de ir ao banheiro podendo perder urina.

Diagnóstico

  • ​pela história clínica da paciente
  • exame físico auxilia na confirmação do diagnóstico e na investigação de outras doenças associadas como prolapso genital
  • algumas vezes é necessário diário miccional e exames auxiliares como: Estudo urodinâmico, Ultrassonografia transperineal ou até Ressonância Magnética

Tratamento

  • mudanças de estilo de vida: dieta balanceada, não deixar a bexiga cheia por muito tempo, ir ao banheiro em média a cada 3 horas, diminuir a ingesta hídrica a noite, evitar bebidas alcoólicas ou derivados de cafeína, diminuir ingesta de alimentos cítricos, controle de doenças como diabetes e infecção urinária
  • tratamento clínico da incontinência urinária de esforço: fisioterapia de assoalho pélvico, tratamento da hipotrofia genital (estrogênio tópico e/ou laserterapia)
  • tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço: Sling (correção com faixa – padrão ouro), Burch (correção sem faixa), injeção periuretral
  • tratamento clínico da Bexiga hiperativa: fisioterapia do assoalho pélvico e/ou com neuroestimulação no nervo tibial posterior, medicamentos via oral (anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, beta3 agonistas)
  • tratamento cirúrgico da Bexiga hiperativa: injeção de toxina botulínica na bexiga e neuromodulação sacral

Prevenção

Controle de peso, exercícios físicos bem orientados ou com fisioterapia de assoalho pélvico, não deixar a bexiga cheia por muito tempo, ir ao banheiro em média a cada 3 horas, diminuir a ingesta hídrica a noite, evitar bebidas alcoólicas ou derivados de cafeína, diminuir ingesta de alimentos cítricos, controle de doenças como diabetes e infecção urinária.