Incontinência urinária masculina
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - R32
CID 10 - R32
Incontinência urinária masculina é o termo médico utilizado para definir os pacientes que apresentam perdas involuntárias de urina em suas atividades diárias, sejam diurnas ou noturnas.
As principais causas de perda urinária no homem são a deficiência esfincteriana após a prostatectomia radical (perda de urina após cirurgia para tratamento do câncer de próstata) e a bexiga hiperativa (contrações involuntárias de forte intensidade da bexiga que levam a escapes de urina).
A deficiência esfincteriana que ocorre classicamente após a prostatectomia radical se caracteriza por perdas urinárias relacionadas aos esforços, ou seja, perdas de urina quando o paciente tosse, espirra, pega peso ou faz atividade física. Já as perdas urinárias relacionadas a bexiga hiperativa se manifestam de forma súbita, ou seja, o paciente apresenta uma urgência urinária e muitas vezes perde urina no caminho até o banheiro.
Estima-se que 1 a 5% dos homens submetidos a prostatectomia radical apresentarão perdas de urina após a cirurgia. Este número está diminuindo com o aprimoramento das técnicas cirúrgicas e do aperfeiçoamento da cirurgia minimamente invasiva (robótica). As perdas urinárias associadas à bexiga hiperativa por sua vez ocorrem em até 10% dos homens idosos.
A caracterização do padrão de perda urinária pode ajudar a distinguir entre a deficiência esfincteriana (perdas aos esforços) e a bexiga hiperativa (perdas relacionadas a urgência), entretanto muitas vezes o quadro clínico não é tão claro e as queixas podem se misturar. O melhor exame para definir a causa da perda urinária é o estudo urodinâmico.
Estudo urodinâmico: é realizado através de sondas que aferem as pressões da bexiga e abdominal. Durante a fase de enchimento da bexiga é possível caracterizar se as perdas estão ocorrendo por uma hiperatividade da bexiga (o músculo da bexiga está contraindo na hora errada e levando a escapes de urina) ou por deficiência esfincteriana (o mecanismo de contenção de urina não consegue segurar a urina). Essa distinção é de fundamental importância, pois impactará diretamente no tratamento.
O tratamento da incontinência urinária masculina por deficiência esfincteriana em casos leves pode ser realizado através de fisioterapia urinária para fortalecer os músculos do assoalho pélvico, de modo que esses consigam segurar a urina. Entretanto, quando as perdas de urina se tornam mais frequentes, o tratamento geralmente é cirúrgico. Existem basicamente dois dispositivos que podem ser implantados para tratar as perdas urinárias, o sling e o esfíncter artificial. O Sling funciona bem em perdas leves, enquanto o esfíncter se adequa melhor em casos de perdas urinárias moderada a severa.
O tratamento da incontinência urinária masculina por bexiga hiperativa pode ser realizado através da fisioterapia urinária, medicamentos e em casos mais avançados por cirurgia. Existem diversos medicamentos que diminuem ou inibem as contrações involuntárias da bexiga (classicamente anti-colinérgicos) e funcionam muito bem em casos de perdas leves a moderadas. Em casos de perdas severas ou refratárias aos medicamentos, pode-se injetar toxina botulínica na bexiga ou implantar neuromodulador para controlar os escapes de urina.