Trauma Raquimedular (TRM)
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - S14
CID 10 - S14
Lesão traumática que acomete a medula espinhal, localizada no interior do canal vertebral da coluna cervical e torácica; provocando injúria do tecido neural, resultando em algum déficit de função motora e/ou sensitiva.
A lesão inicial ao tecido neural, no momento do trauma, é chamada de lesão primária. Após a lesão primária, a resposta neuroimunológica pode inibir a recuperação, e piorar ainda mais o dano neural, esse processo é chamado de lesão secundária. Diversas intervenções medicamentosas visam diminuir o efeito da lesão secundária.
Alguns traumas sem dano estrutural ao tecido medular, podem causar déficit neurológico transitório, e a recuperação pode levar de minutos a dias.
Essas paresias transitórias incluem vários graus de distúrbios motores, desde diminuição de força até plegia completa, podendo acometer dois ou quatro membros; os distúrbios sensitivos também variam, de disestesia até anestesia. A duração dos sintomas é curta, geralmente 10 a 15 minutos, mas sintomas residuais podem persistir por 36 a 48 horas. A permanência estendida provavelmente não será considerada como transitória.
O choque medular corresponde a parada fisiológica da função medular após trauma, sem lesão tecidual, manifestada pela ausência total de sensibilidade, motricidade e reflexos abaixo do nível da lesão, também se trata de um déficit transitório, com recuperação da função em até 48 horas; o fim do choque medular é marcado pelo retorno do reflexo bulbo-cavernoso.
Quando existe dano estrutural ao tecido neural medular, o indivíduo pode apresentar sequelas neurológicas definitivas, que são consideradas completas quando há ausência total de tônus muscular e sensibilidade abaixo do nível da lesão; ou incompletas quando alguma força ou sensibilidade ainda está preservada, mesmo que diminuída.
Todos os anos, cerca de 17.500 pessoas nos Estados Unidos apresentam lesão da medula espinhal. São 486 novos casos todos os dias. A maioria dessas pessoas foi vítima de acidentes automobilísticos, quedas, violência e acidentes relacionados à prática esportiva. A idade média dos pacientes é de 42 anos, e 81% dos acometidos são homens.

No Brasil, esse número representa cinco a seis mil novos casos de lesão medular a cada ano. A população mais afetada encontra-se na faixa etária dos 30 anos, sendo que 80% dos indivíduos são do sexo masculino, segundo à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em 2004.
O diagnóstico do TRM é realizado por meio do exame clínico, associado aos exames de imagem. A radiografia e a tomografia computadorizada avaliam as estruturas ósseas da coluna, já ressonância magnética é capaz de mostrar lesões ao tecido neural medular e estruturas ligamentares.
É fundamental que o paciente com suspeita de TRM receba o primeiro atendimento de forma adequada; com colocação do colar cervical, mobilização em bloco e transporte em prancha rígida, até ser encaminhado ao centro referência. Qualquer falha nesse momento pode piorar o prognóstico neurológico.
O tempo é um fator fundamental, que afeta diretamente o resultado do tratamento. Um estudo multicêntrico demonstrou que o tratamento cirúrgico em até 24h, melhorou o prognóstico neurológico dos pacientes vítimas de TRM.
O tratamento cirúrgico pode ser necessário para descomprimir a medula espinhal, e estabilizar fraturas vertebrais ou lesões ligamentares. O repouso é necessário para que os ossos da coluna se recuperem totalmente, cuidados com decúbito para evitar úlceras de pressão e fisioterapia para disfunção da bexiga e do intestino, também são fundamentais. Além disso, extensivas sessões de fisioterapia e terapia ocupacional, como foco na reabilitação neurológica, serão necessárias.
Estudos utilizando células-tronco e exoesqueletos parecem promissores no tratamento do TRM, no entanto, até o presente momento, trata-se de uma lesão sem cura.
A prevenção de acidentes automobilísticos, uso de equipamentos de segurança, ações a favor do desarmamento e sinalização de locais para evitar mergulho em água rasa; são medidas eficazes de prevenção do TRM.
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