Hepatite alcoólica
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - K701
CID 10 - K701
É a lesão hepática provocada por consumo de bebida alcoólica, geralmente por um período prolongado de tempo.
A quantidade e a duração da ingesta alcoólica determinam a possibilidade de uma lesão hepática e a sua gravidade. Além disso, mulheres, indivíduos com composição genética mais suscetível ao álcool, pessoas com outras doenças hepáticas e desnutridos também têm maior chance de desenvolver doença hepática.
Vale ressaltar que além de causador de doença hepática, o álcool contribui para diversas patologias, como doenças do pâncreas, do coração e ainda a um risco aumentado de câncer do tubo digestivo, assim como a atrofia cerebral. O abuso de álcool está também fortemente relacionado com os acidentes rodoviários e com a violência doméstica.
No mundo, cerca de 10 a 12% das pessoas consome álcool de forma abusiva. Esse abuso acomete duas vezes mais os homens do que as mulheres. Não temos estatísticas precisas no Brasil, mas seguramente o problema tem magnitude semelhante ou maior, com alguns estudos demonstrando consumo abusivo de álcool na população brasileira de até 13%.
A maior parte do álcool ingerido, após ser absorvido pelo trato digestivo, é processada (metabolizado) pelo fígado. À medida que o álcool é processado, as substâncias que podem lesionar o fígado são produzidas. O abuso de álcool pode provocar três tipos de lesão hepática:
Nas bebidas alcoólicas a concentração de álcool é frequentemente descrita em graus. Os graus são cerca de duas vezes a porcentagem de álcool. Diferentes tipos de bebidas contêm diferentes porcentagens de álcool:
Considera-se potencialmente danosa ingesta acima de 40g/dia de álcool para homens e 20g/dia para mulheres.
Normalmente, a esteatose hepática não provoca sintomas.
Já a hepatite aguda alcoólica pode se apresentar como um quadro de hepatite com mal-estar geral, náuseas, vômitos, icterícia (amarelado na pele e mucosas), escurecimento da urina (colúria) e clareamento das fezes (acolia fecal). Esse quadro pode se agravar bastante com necessidade de tratamento específico, maior risco de infecções e até morte.
À medida que a doença hepática alcoólica evolui para cirrose, várias outras manifestações podem estar presentes, algumas delas bastantes características como a desnutrição, a ascite (acúmulo de água no abdome), vômitos com sangue, anemia, ginecomastia (aumento do volume mamário) e quadros de confusão mental. O câncer hepático ocorre em 10% a 15% das pessoas com cirrose instalada.
O diagnóstico é feito pela associação da ingesta crônica de álcool, exame físico detalhado, exames de sangue que avaliem a função do fígado e exclusão de outras doenças hepáticas, além de exames de imagem como ultrassonografia, tomografia ou ressonância do abdome. O álcool é sempre suspeito como causador de doença hepática em qualquer paciente com consumo excessivo e crônico de álcool. Muitas vezes uma biópsia do fígado (retirada de fragmento para análise) é requerida para fechar o diagnóstico de cirrose e determinar a causa. A avaliação também pode ser feita de forma não invasiva através da elastografia hepática, por exemplo.
A abstinência é geralmente o melhor tratamento. Diversas estratégias podem ser usadas para ajudar a motivar o paciente a mudar o comportamento, como terapia comportamental e a psicoterapia, grupos de apoio e autoajuda (como Alcoólicos Anônimos) e sessões de aconselhamento. Alguns medicamentos ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e a vontade de consumir álcool. Uma dieta nutritiva e suplementos vitamínicos (especialmente as vitaminas B) são importantes durante os primeiros dias de abstinência. Elas ajudam a corrigir as deficiências nutricionais que causam complicações, como fraqueza, tremores, dificuldade para andar e anemia.
Os casos mais graves de hepatite aguda alcoólica e cirrose, muitas vezes necessitam de internação, uso de corticoides e em último caso de transplante de fígado, desde que o paciente tenha cessado com a ingesta de álcool.
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