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Doações

Malária

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - B50-B54

  • Doença

O que é malária?

Doença infecciosa febril aguda, cujos agentes etiológicos são protozoários transmitidos por vetores (mosquito). Também é conhecida por: 

  • paludismo
  • impaludismo
  • febre palustre
  • febre intermitente
  • febre terçã benigna
  • febre terçã maligna

Além de nomes populares, como:

  • maleita
  • sezão
  • tremedeira
  • batedeira
  • febre
     

É reconhecida como grave problema de saúde pública no mundo, ocorrendo em quase 50% da população, em mais de 109 países e territórios. A estimativa anual de casos novos no mundo atinge a cifra de 300 milhões, com 1 milhão de mortes, principalmente entre crianças menores de 5 anos e gestantes no continente africano.

No Brasil, a região amazônica, zona rural, é considerada área endêmica para malária, responsável por mais de 90% dos casos notificados, concentrados em nove estados: 

  • Acre
  • Amapá
  • Amazonas
  • Pará
  • Rondônia
  • Roraima
  • Maranhão
  • Mato Grosso 
  • Tocantins

Causas

No Brasil, três espécies de protozoários do gênero Plasmodium acometem seres humanos: 

  • Plasmodium malariae
  • Plasmodium vivax 
  • Plasmodium falciparum

A espécie Plasmodium ovale ocorre apenas no continente africano, porém, ocasionalmente, casos importados podem ser diagnosticados no Brasil.

Como ocorre a transmissão?

Através da picada da fêmea do mosquito pertencente a ordem Diptera, infraordem Culicomorpha, família Culicidae, gênero Anopheles. Este mosquito tem que estar infectado pelo protozoário Plasmodium. O gênero Anopheles compreende cerca de 400 espécies no mundo, das quais cerca de 60 ocorrem no Brasil.

Em nosso país, as principais espécies são: 

  • Anopheles (N.) darlingi 
  • Anopheles (N.) aquasalis
  • Anopheles (N.) albitarsis

Popularmente, os mosquitos são chamados de “carapaña”, “muriçoca”, “sovela”, “mosquito prego” e “bicuda”. As picadas são mais frequentes no entardecer e ao amanhecer (horários crepusculares), porém, podem ocorrer durante todo o período noturno.

Raramente, ocorre transmissão por transfusão sanguínea ou uso compartilhado de seringas, assim como é mais raro a transmissão congênita.

O período de incubação varia de acordo com a espécie de protozoário: P. falciparum (8 a 12 dias), P. vivax (13 a 17 dias), P. malariae (18 a 30 dias).

Fatores de risco

Os fatores condicionantes para a transmissão da doença estão relacionados à população suscetível, ao agente etiológico, ao vetor e as condições ecológicas, econômicas, sociais e culturais. Os fatores de risco estão relacionados a:

  • exposição à picada do mosquito fêmea na região amazônica
  • idade superior a 65 anos
  • sexo feminino (muito relacionado com a gravidez)
  • estado não imune
  • ausência de profilaxia antimalárica
  • exposição ao vetor são fatores de risco para malária

Sintomas

O quadro clínico típico é febre alta (até 41 °C), acompanhada de:

  • calafrios e tremor generalizado com duração de 15 minutos a 60 minutos
  • sudorese profusa e cefaleia
  • náuseas e vômitos que ocorrem padrões cíclicos, dependendo da espécie de plasmódio infectante. 

Antes do quadro febril, o paciente pode apresentar:

Os sinais de malária grave são: 

É possível adquirir imunidade contra a doença?

A reinfecção é constante para vários pacientes que permanecem nas áreas endêmica e, depois de repetidas infecções, o indivíduo desenvolve um certo grau de imunidade. Quando reinfectados apresentam uma forma branda da doença, sem sintomas, devido a esta imunidade.

Diagnóstico

O diagnóstico só é possível pela demonstração do parasito ou de antígenos no sangue periférico do paciente. Os métodos são: 

  • gota espessa (microscopia óptica após coloração com corante vital - azul de metileno e Giemsa, avaliando morfologia, diferentes estágios do desenvolvimento do parasita, determinação da densidade parasitária para avaliação prognóstica)
  • esfregaço delgado
  • testes imunocromatográficos ou testes rápidos (não são capazes de diagnosticar malária mista, ou seja, por dois tipos diferentes de protozoários)
  • sorologias para obter frações IgG e IgM: hemaglutinação e imunofluorescência indireta.

Tratamento

O tratamento da malária visa atingir o parasito em pontos-chave de seu ciclo evolutivo, como: 

  • interrupção da esquizogonia sanguínea
  • destruição das formas latentes do parasita (hipnozoitos)
  • interrupção da transmissão dos parasitos
  • impedem o desenvolvimento de formas sexuadas dos parasitos

O tempo varia entre 3 a 14 dias, a depender da espécie, com o uso de esquemas contendo cloroquina, primaquina, artesunato, artemether, mefloquina, lumefantrina, doxiciclina, quinina e clindamicina.

Existe cura?

Sim e depende da escolha do esquema adequado e, principalmente, da adesão ao paciente tratamento.

Complicações

Dentre as complicações, existe a evolução para o estado de malária grave e ruptura espontânea do baço.

Prevenção

O diagnóstico e tratamento precoce contribuem para a interrupção da cadeia de transmissão, pois reduz a quantidade de mosquitos fêmeas infectadas pelo Plasmodium ao picarem os pacientes. Neste sentido, a educação da população sobre sinais e sintomas de malária com a busca pelo atendimento médico são fundamentais para esta ação. As principais medidas de prevenção incluem:

  • o controle vetorial através de borrifação residual intradomiciliar, termonebulização com inseticidas e controle larvário, tratando os criadouros dos mosquitos
  • de forma individual, uso de mosqueteiros impregnados ou não com inseticidas, roupas que protegem pernas e braços, telas em portas e janelas, uso de repelentes
  • orientação de viajantes a áreas endêmicas com as medidas de prevenção individuais e recomendação restrita de profilaxia com antimaláricos em doses subterapêuticas do tipo: doxiciclina, mefloquina, cloroquina. Neste caso, somente quando o risco de doença grave e/ou morte por malária P. falciparum for superior ao risco de eventos adversos graves relacionados às drogas utilizadas